Capítulo 3

2109 Palavras
Caleb Narrando Acordo com um barulho de choro, choro esse que ecoa por toda a casa, e olha que minha casa é enorme. Levanto da cama atordoado, passo a mão nos olhos para tentar me situar, pego meu celular na mesinha ao lado da cama e vejo que são três horas da madrugada, fui dormir meia-noite, ou seja, não dormi quase nada. Respiro fundo, mesmo sendo cansativo, sei que preciso ir até meus filhos. Calço a sandália e saio do quarto, me direcionando ao quarto deles, logo ao lado do meu. Eles continuam chorando. — Calma, meus amores. Papai tá aqui. — tento balança-los no berço mesmo, para acalmá-los, porém, sem sucesso, permanecem chorando muito. Pego os dois no colo, não é fácil equilibrá-los, mas acabei pegando o jeito. Aninho-os em meu corpo, porém, o choro permanece. — O que vocês tem, hein? — começo a ficar preocupado. Continuo me mexendo, balançando-os, mas nada de conseguir acalmá-los. — Shii! Calma, papai tá aqui. O desespero ameaça bater, no entanto, sei que preciso manter a calma. Tenho a ideia de tentar alimentá-los, talvez estejam com fome, então coloco eles no carrinho duplo, saio do quarto, desço a escada, indo para a cozinha, preparar o leite. Como estão chorando bastante ainda, faço tudo de forma bem rápida e sem largar o carrinho, estou desesperado. Após o leite estar pronto, tento alimentá-los, mas não consigo, eles rejeitam. — Se não estão com fome, o que querem? — passo a mão nos cabelos, sem saber o que fazer, o choro deles aumenta cada vez mais. Diante da situação em que me encontro, não vejo outra saída, senão, ligar para minha irmã, pela ligação que tem com eles, certamente saberá o que fazer. Mas já imagino que ficará pu.ta comigo, por eu estar ligando a essa hora. Lembro que deixei a por.ra do celular no quarto, corro até lá como em uma maratona e retorno para perto deles, disco seu número, que chama em seguida. — Caleb? — sua voz está bem sonolenta. — Desculpa te ligar a essa hora, Laura. Mas não tive alternativa, estou ficando aflito já. — nesse momento, eles berram de tanto chorar, acredito que ela ouviu. — O que está acontecendo, Caleb? São meus sobrinhos? — percebo Laura mais acesa agora. — Sim. Eles não param de chorar, não sei mais o que fazer, já tentei dar de comer, porém, nem isso funcionou. — minha outra mão livre, está em minha cabeça. — Calma, respira. Estou indo para aí. — ouço uma voz mais longe, ela devia estar com alguém e eu atrapalhei. — Volte a dormir. — ela responde, porém, não faço ideia de quem seja. — Tem alguém aí? — Sim, mas não se preocupe, já chego aí. — Obrigado, Laura. Enquanto espero minha irmã chegar, fico tentando acalmá-los, andando de um lado a outro, até que dez minutos depois a campainha soa e vou atender. — Como eles estão? — Laura não me dá tempo para falar nada, vai entrando em meu apartamento. — Do mesmo jeito, não pararam de chorar um segundo sequer. — caminhamos até eles. — Oi, amores da tia — acaricia os dois, que pela primeira vez não se acalma ao ouvir a voz dela — Tentou trocar a fralda? — olha para mim. — Droga! Não lembrei disso. — me sinto frustrado. — Já era de se imaginar. — responde, indo para trás do carrinho, os levando de volta para o quarto e eu sigo logo atrás deles. — Definitivamente não sirvo para ser pai, sou um desastre. — Não fale assim, você é um bom pai, só precisa se atentar mais as necessidades deles e deixar mais as suas de lado. — entramos no quarto. — Quem me dera conseguir essa proeza... Observo minha irmã fazendo tudo com maestria, com tanta habilidade e delicadeza, e apesar de meus bebês terem se acalmado mais, ainda permanecem chorando. — Estranho, eles já deveriam ter parado de chorar. Isso só pode ser uma coisa... — entorta a cabeça, parecendo pensativa. — O quê? — Cólica. Temos que levá-los ao médico o mais rápido possível. Se for isso, não saberemos como resolver. — Porque não pensei nisso antes? Sou um péssimo pai. — pego o celular para falar com o pediatra. — Para com isso, Caleb. — diz impaciente. Coloco o celular no ouvido. — Doutor? — Quem está falando? — É o Caleb Johnson. — Ah sim! Olá, senhor Johnson. — Desculpe estar ligando a essa hora, mas preciso de você urgentemente, meus filhos não param de chorar e minha irmã acha que estão com cólica. — Tudo bem, senhor Johnson. Não precisa se preocupar, isso é muito comum na idade deles, faça uma compressa de água morna, colocando sobre a barriguinha deles, isso costuma aliviar. Caso não melhore, pode me ligar novamente, que irei até você. — suspiro, sentindo-me aliviado. — Muito obrigado, doutor. Você me salvou, nem sei como te agradecer. — Disponha. Até mais e qualquer coisa, pode me ligar. Encerro a ligação, guardando o celular no bolso da calça moletom. — Então? — Laura pergunta, com as sobrancelhas arqueadas. — Ele disse que compressa de água morna costuma resolver. Vamos tentar. Não espero resposta dela, saio do quarto como um furacão, indo para a cozinha esquentar a água. Olho para a sala de estar e vejo minha irmã com eles, tentando acalmá-los ainda mais. Termino o que estou fazendo, checo a temperatura da água, para não queimar a pele deles e vou até à sala de estar. Molho um paninho para cada, repousando sobre a barriga e vejo meus filhos se acalmando em questão de segundos. — Uau! — Laura comenta, tão surpresa quanto eu. — Ufa! Já não aguentava mais vê-los chorando daquele jeito. — me jogo no sofá, ao lado da minha irmã. — A garganta deles é forte. — minha irmã ri, me levando a rir um pouco também. — Confesso que não imaginava que bebês berrassem tanto. — olho para eles, que estão quase dormindo outra vez. — É bom te ver sorrir, deveria fazer isso mais vezes. — Eu sei, mas é difícil, minha situação não é nada boa — suspiro pesadamente — Sou viúvo, tenho dois filhos e estou na direção da empresa dos nossos pais, não tem sido nada fácil para mim. — Não pensa em casar-se novamente? — dou uma risada nasal. — Tá de brincadeira né? — olho para Laura. — Não — arqueia as sobrancelhas — Você precisa de alguém para dividir as responsabilidades. Ou pensa em passar a vida toda desse jeito? — O que menos preciso é de alguém em minha vida, Laura. m*l tenho tido tempo para meus filhos, como irei administrar uma relação? Sem chance. — Tudo bem, esquece. Eles voltaram a dormir, melhor eu ir, já está tarde. — Laura se levanta. — Obrigado mais uma vez, maninha. Não sei o que seria de mim sem você. — sorrio de lado, sem mostrar os dentes. — Não precisa agradecer, somos irmãos. — dá uma piscadela para mim. Deixo um beijo em sua testa, ela se despede dos sobrinhos com um beijo de leve na bochecha de cada um e eu a levo até a porta. Subo com meus filhos para o quarto, porém, não os coloco no berço, estão dormindo tão serenamente depois dessa noite agitada, que preferi deixá-los no carrinho mesmo, ao lado da minha cama. Olho a hora em meu celular e tenho somente duas horas de descanso, antes de ir trabalhar. ** Lorena Narrando O som do despertador me faz acordar, lembrando-me que tenho mais um dia de agitação para suportar, não que eu esteja reclamando, porque as duas profissões que escolhi para mim, ninguém me obrigou a escolhê-las, e sou apaixonada por ambas. Desligo a merda do despertador, sem nem olhar para o celular, penso em não levantar, porque faltar um único dia de aula não vai fazer m*l, mas lembro que em breve teremos uma apresentação na academia de artes. Fazer o que né? Sento na cama, respiro fundo e levanto, olho novamente para a cama que está tão quentinha e chamativa, mas não tem jeito, mesmo estando exausta, preciso ir. Dessa forma, vou direto para o banheiro, me olho no espelho à medida que escovo os dentes e me sinto pior que o bagaço da laranja depois de chupado. Tiro minha roupa e entro no banheiro, na água fria mesmo, pois, do jeito que estou com vontade de voltar para a cama, se a água me fizer relaxar, já era. Termino meu banho, saio com a toalha enrolada no corpo e vou para o closet, visto a meia calça preta, o collant e uma saia, para não me sentir devassa, coloco um casaco, pois o clima hoje está um pouco mais frio, faço um coque nos cabelos, calço os pés, pego minha bolsa e saio do quarto. Se eu continuar na maresia em que estou, vou me atrasar e me ferrar legal. Chegando na cozinha, vejo a Elena, minha cozinheira e segunda mãe para todos os efeitos, trabalha para mim desde que vim morar na Itália, lhe dei folga nos dias anteriores para resolver algumas coisas pessoais. É uma senhora de meia-idade, com cabelos grisalhos, baixinha, pela qual sou apaixonada. — Bom dia, Leninha. — lhe dou um beijo na bochecha, ela sorri. — Bom dia, Lô. Dormiu bem? — Sim, só queria dormir mais. — respondo, me sentando no banco em frente ao balcão da cozinha. Elena dá uma gargalhada, dou de ombros. — Parece cansada mesmo. — E de fato estou, mas tudo bem, eu aguento. — Falta muito para terminar a faculdade? — pergunta enquanto me entrega um prato contendo bacon e ovos, e um copo de suco de laranja natural. — Só mais um semestre e pronto. — levanto as mãos para o céu, agradecendo a Deus por isso. — Sei que você vai conseguir, minha menina. Agora vai comer para não se atrasar. — mordo um pedaço do bacon e suspiro em satisfação, ninguém cozinha tão bem quanto Elena. — Nossa! Isso está maravilhoso, Leninha. — chego a fechar os olhos, em prazer. Ela sorri e balança a cabeça em negação. — É só bacon e ovos, Lô. — Não sei como você faz, só sei que tudo que faz, fica maravilhoso. — passo a língua nos lábios, me lambuzando. — Bom, tenho algumas coisas para fazer, tenha um ótimo dia, meu amor. — beija minha testa e sai. Faço minha refeição, limpo a boca, pego minha bolsa no banco ao lado e saio de casa. Sigo para o ponto de ônibus, preciso de um carro urgente, não aguento mais essa vida de pegar ônibus cheio todo dia. Ainda bem que o caminho até a academia não é longe. Desço do ônibus e caminho alguns passos até a Di Firenze. — Bom dia, flor do dia. — Andrew me cumprimenta, me abraçando por trás, logo que adentro a academia de artes. — Bom dia, Andy — inclino a cabeça para trás, lhe dando um beijo no rosto — Tem malhado? Está mais forte. — Tenho sim, gata — pisca com um sorriso sexy para mim — Então, ansiosa? — pergunta enquanto nos dirigimos para a sala. — Ansiosa para quê? — franzo o cenho sem entender. — Hoje sai a escala para quem vai participar da apresentação, esqueceu? — Nossa! — coloco a mão na testa — Esqueci completamente, Andy. — Acho que alguém está precisando descansar. — comenta olhando para mim. — Descansar? Essa palavra não existe em meu vocabulário faz tempo. — entramos na sala, que já está cheia. Vamos até todos, deixamos nossas coisas num cantinho da parede, no chão, retiro o casaco e ficamos a postos. — Bom dia — senhorita Jones chama a atenção de todos — Como todos sabem, saiu a lista com a escala de apresentação, estou com ela em mãos — levanta o papel, mostrando a todos — Os papéis principais na apresentação de quebra-nozes, serão interpretados pelo Andrew Scott e Lorena Evans. — Ah meu Deus! Não acredito! — coloco as mãos na boca, ainda tentando assimilar a informação. — Ha ha, eu sabia! — Andy me pega nos braços, me girando. — Obrigada, senhorita Jones. — sorrio para ela, quando Andy me põe no chão. — Não me agradeça, querida. Isso é mérito seu. Amélia continua distribuindo os papéis de cada um e percebo algumas mulheres me olhando torto, como se eu tivesse culpa de ser boa no que faço. Simplesmente ignoro todas. Amélia termina a distribuição de personagens e iniciamos o ensaio.
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