CAPÍTULO 2 - Pode me ajudar?

1336 Palavras
Bem, eu sempre me gabei por ser uma aluna exemplar, do tipo que nunca iria na mesa de um professor pedir ajuda e nem nada do tipo, pela primeira vez eu esperei todo mundo ir embora ou tirar as dúvidas que haviam com Thomas e o deixar quase sozinho na sala. A aula havia terminado e eu agora arrumava meu caderno e me mexia, precisava ser convincente. Fazer ele me ajudar, apenas para me deixar a um passo mais perto dele. Se fosse em outro lugar, eu poderia chegar e falar o que eu queria. Mas o conselho de ética da universidade, se soubesse das minhas intenções, iria me deportar da Índia e eu não iria conseguir entrar em uma faculdade boa tão cedo. Então eu tinha que fluir naturalmente. - Professor Thomas, com licença - Peguei a folha com o caso que teria que defender, fazer um relatório pra ele. - Eu não sei se peguei o conceito reproduzido pelo senhor hoje, acho que não irei me sair tão bem assim. Eu quase deu uma risada pelo meu tom de voz doce e quase angelical, ele ergueu aqueles olhos escuros e me encarou. - Pode ir fazendo aos poucos e trazer os debates e discussões que achar perspicaz para serem discutidas na sala. - Eu não sei se quero fazer isso, poderia me ajudar, falando um pouco do caso que eu peguei. - Não dou aula de reforço senhorita...? Eu abro e fecho a boca. Vejam. Se isso fosse um jogo, estaria 2x0 para ele. Um pelo fora da aula de reforço e outro por bem saber o meu nome. Céus. Que desligado e tirado do caramba. Claro que eu não iria precisar de aula de reforço. Eu tinha que ser atriz naquele momento. - Eu, eu, eu - Balancei a cabeça de um lado para o outro, pensando em um papel ridículo de fazer, me lembrando e pensando que aquilo sempre dava certo em livros. - Na queria incomodar o senhor, me desculpa. - A questão é que se fizer isso para senhorita terei que fazer para os demais, já tenho muita coisa pra fazer - Ele puxou a bolsa dele e começou a colocar as coisas dele, o terno dele estava no encosto da cadeira e naquela de colocar as coisas na bolsa, eu podia ver o braço dele se contraindo e revelando um músculo, até então bem escondido. - Poderia ler algumas livros de ajuda, disponibilizo um na grade da matéria. - Tudo bem, eu farei isso e irei me virar. - Você sempre se sai bem nos debates, sei que nesse trabalho vai se sair bem. Vejam, ele está tentado ser parcial. Mas não quero a imparcialidade dele. Penso em vovó e peço desculpas a ela antecipadamente. - Eu vou tentar, estou com problemas na família e acaba que isso está me matando - Suspiro fundo, em um tom dramático. - Minha avó não anda nada bem de saúde, só tenho ela e isso me deixa tão r**m, sabe? Por um segundo vejo ele me analisar, eu travo. Bem, podem me julgar se quiserem, falar que estou jogando sujo. Tudo bem, eu aguento. - Olha - Ele se encosta na mesa dele, eu fico parada com cara de aluna perdida que realmente precisa de ajuda para o trabalho de caso que ele passou, faço até aquele olhar brilhante e de apelo sincero. - Se quiser enteder algo melhor, pode aparecer no centro - Ele abre a bolsa e pega o cartão, com um endereço e um número de uma sala comercial. - Eu dou aula as quartas, para pessoas que precisam passar nas provas pra universidade e pra a licença da ordem. - Estão falando sobre direito criminal? - Sim, mas quartas falo apenas disso, tenho alguns que fazem perícia e precisam desse reforço também. Pode aparecer e dizer que eu indiquei você. - Tenho que pagar alguma coisa? - Não, não precisa. - Certo, isso já me ajuda muito. - Mas tire um tempo pra ler e conseguir organizar as coisas. Os problemas existem para podermos resolver. - Foi gentil da sua parte. Vou lhe deixar trabalhar, não quero atrapalhar mais o senhor. Ele retirou um livro da bolsa, um pequeno volume, erguendo até mim, peguei o livro e vi que era um livro que eu não conhecia, mas conhecia o autor. - Francesco Carnelutti. - Ele foi um dos mais eminentes advogados e juristas italianos e o principal inspirador do Código de Processo Civil italiano. - Já leu algo dele? - Vejo o tom de surpresa dele. Acho que ele parece gostar de surpresas como o intelectual. Isso me agrada nele, ainda mais quando ele nem sequer olhou para o meus s***s nos minutos que parei diante ele, sendo que até eu já havia olhado para ele com olhos ruins. - Não, apenas a biografia dele. - Bem, tem em mãos um autor que teve o objetivo de apoiar o crescimento da cultura forense e judicial e de fornecer aos advogados um serviço de atualização nas várias áreas forenses e da atividade jurídica. Vai te ajudar no seu caso, tenho certeza. Vejo a firmeza nas palavras e até a voz aguda dele e grave. Céus, esse homem havia uma áurea masculina tão presente, tão moldada e tão requintada, que ele acabava se tornando um enigma que eu tinha que passar. - Nem sei como agradecer. - Não fique na minha matéria menina, me ajude a tirar férias antes do previsto assim. Ele dá um sorriso. Sabe, quando eu tinha meus doze anos, eu tinha um professor também muito bonito, do tipo que me fazia ir para escola e ser uma das melhores alunas da sala. Do tipo que levava o celular e tirava foto dele e imaginava um roteiro de filme romântico. Nesse exato momento, eu poderia numa boa tirar uma foto daquele sorriso e guardar. Havia uma palavra certa para o que aquele sorriso poderia fazer, de um magnetismo incrível e que quase me fazia querer tirar a roupa ou entender o que Hannah Baker sentiu quando escreveu, gravou e falou aquelas palavras: Aquele sorriso, aquele maldito sorriso. Bem, Thomas Wolfgang tinha particularidades que fazia ele se tornar maravilhoso. Não que esteja exaltando ele ou colocando ele em um mastro, apenas deixando claro que o homem é bonito, tem uma presença que me faz valer essa aposta maluca e ridícula de t*****r com ele. Minha v****a nem está protestando contra isso, vejam, ela está até contraindo em expectativa. Até chorando por eu não conseguir isso rápido. - Tenho que ir, tenha um bom dia. Eu vou ver se consigo ir até lá - Ergo o cartão no ar e depois dou um sorriso, ergo a mão, coloco uma mexa do cabelo atrás da orelha, olho para ele de forma tímida, tudo como um jeito de chamar a atenção dele. - Ficarei feliz em ajudá-la. - Irei ler também, assim que terminar entrego para o senhor. - Leve o tempo que for necessário - Ele se move quando o barulho do celular aparece entre a gente, ele olha para a tela e depois me encara. - Tenho que ir agora, se me der licença. - Claro, claro. Suspiro fundo quando ele sai. Bem, a julgar pela forma rápida, esperava que não fosse nenhuma namorada, embora eu analisei isso antes de fazer o que estou fazendo, não achando absolutamente nada sobre alguma namora dele. Bem, eu precisava saber o tipo dele também. A tímida e que precisa de ajuda parece ser uma opção. Bem, encaro o cartão e o endereço. - Vamos ver como você se sai fora da universidade. Mais um capítulo fresquinho pra vocês, espero que gostem e aproveitem muito, assim como eu escrevendo. Não esqueça de adicionar o livro na biblioteca e também me seguir aqui na plataforma, isso é importante pra mim e para vocês, garanto que não vão se arrepender, além de ficarem por dentro de novos livros e novidades maravilhosas. Beijos e até logo.
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