Ethan
— Meu amor, aonde você vai? Rachel pergunta quando me vê prestes a sair.
Nem se passou um dia desde que viajamos no tempo, e ela já está saindo com outra pessoa? E está fazendo isso bem na minha frente, no mesmo dia em que soube que a minha vida estava prestes a mudar.
Para piorar, ela está usando um vestido rosa justo que chama a atenção não só a minha, mas a de todos no restaurante. A bu*nda dela sempre foi firme e grande, mas aquele m*aldito vestido a deixa ainda mais evidente.
— Só um instante. Digo, acariciando o seu rosto. — Não se mexa.
— Mas eu acabei de dizer que quero me casar com você. Ela protesta. — Você não deveria me deixar.
— Eu disse que seria só um instante, querida. Asseguro-lhe. — Já volto. Aproveite o jantar e peça o que quiser.
— Está bem. Ela responde com um sorriso. — Eu te amo.
— E eu também te amo. Murmuro distraidamente.
Ao me aproximar dos dois, começo a reconhecer o homem. É Arnold Thomas, um empresário proeminente no ramo imobiliário. Embora a sua fortuna não seja nem de perto tão grande quanto a da minha família, não é desprezível, nem mesmo para Linda. Ela nunca quis desfrutar dos privilégios que acompanham o fato de ser uma Sullivan, mas isso não significa que ela não queira ser esposa de um homem que possa lhe proporcionar uma boa vida.
Sei que não deveria me importar, que isso é ainda melhor para mim, mas o carinho que ainda sinto por ela me obriga a interromper qualquer interação entre os dois.
— Arnold. Cumprimento alegremente.
O homem se vira para me olhar e um enorme sorriso se abre no seu rosto. Ele sabe quem eu sou, embora raramente nos encontremos em eventos.
— Sr. Lawson, que surpresa. Ele responde. — Acabei de ver que o senhor pediu a sua namorada em casamento. Parabéns.
— Ah, então você viu.
— Todos nós vimos. Comenta Linda sarcasticamente. — Você devia ter me contado, Ethan. Eu teria preparado uns arranjos de flores lindos para a ocasião.
— Mas o restaurante provavelmente não ia permitir. Diz Arnold, franzindo a testa.
— Claro que ia. Eu sou a filha do dono. Declara Linda simplesmente.
Sim, agora está claro para mim que ela está se vendendo. Arnold já a observava com interesse, mas agora os seus olhos brilham de ganância. Se ele conseguir se tornar genro de James, a sua vida estará praticamente garantida.
Não posso deixar ninguém se aproveitar da Linda. Devo isso à família dela e à minha.
— Sim, mas você sabe que não tem influência nenhuma sobre seu pai. Digo. — É por isso que eu não queria que você se esforçasse.
Linda me encara. Mesmo parecendo que quer me matar, ela continua deslumbrante. Sempre que ela solta o cabelo, não só fica mais bonita, como o seu perfume se intensifica.
— Ah, Ethan, eu sei que você quer cuidar de mim porque me vê como uma irmãzinha, mas eu sei me cuidar. Ela responde, rindo. — Se eu pedir alguma coisa ao meu pai, ele faz na hora. De qualquer forma, isso não importa. O seu evento ainda não acabou, então você tem que voltar e aproveitar.
— Eu posso acompanhar esta linda jovem. Arnold interrompe.
— De jeito nenhum. Eu rosno, lançando-lhe um olhar fulminante. — Quer dizer, seria uma honra se você nos acompanhasse. Ela provavelmente está com a mãe.
— Sim, eu estou com ela. Linda concorda.
Graças a Deus. Penso, aliviado.
— Nesse caso, prefiro não incomodá-la. Diz Arnold. — De qualquer forma, eu já estava de saída. Foi um prazer conhecê-la, senhorita. Fiquei encantado com a sua beleza.
Minha ex-esposa está corando. Ela está corando! Que sem-vergonha! Com quantos homens ela já teve esse tipo de conversa nos últimos trinta anos? Nem quero pensar nisso, porque vou acabar denunciando-a e vão achar que estou louco. Ela não é mais minha esposa.
— Obrigado, senhor. Responde Linda, olhando para mim com desdém. — O prazer foi meu.
Não me afasto de Linda até que aquele idi*ota vá embora. Minha ex-esposa se vira para mim e levanta a sobrancelha daquele jeito que conheço tão bem.
— Qual é o seu problema, Ethan? Por que você abandonou o pedido de casamento para vir aqui? Eu te disse que você não precisa se preocupar comigo.
— Não é que eu me preocupe com você, você que está perdida. Respondo em tom de deboche. — Não consegue viver sem mim?
— Parece que é você quem não consegue viver sem mim. Ela ri. — Por que você não me deixa em paz? Eu tenho o direito de dormir com qualquer homem que eu bem entender. Nós não somos casados.
— Como você se esqueceu rápido de que foi minha esposa por trinta anos. Retruquei, aproximando-me dela.
Pela primeira vez em poucas horas, me arrependo de não ser casado. Eu a teria jogado na cama e espancado essa arrogância até ela acabar com uma boa tran*sa.
— Você que se esqueceu, porque acabou de ficar noivo. Ela zombou. — Agora vou voltar para a minha mesa. Não me siga. Não quero mais nada com você.