Capítulo 3

1014 Palavras
Pierre Eu não sou um homem paciente. Nunca fui. No meu mundo, paciência não é uma virtude; é uma fraqueza. Você age rápido ou se torna vítima. Mas com Ella, percebi que precisaria de mais do que força ou intimidação para colocá-la sob controle. Ela era como uma brisa rebelde: pequena, delicada, mas capaz de derrubar tudo no caminho quando desafiada. Quando tranquei a porta do quarto dela, dei a mim mesmo um momento para pensar. Encostei-me à parede do corredor, o som abafado dos passos de Ella dentro do quarto ecoando na minha mente. Cada batida no chão parecia um desafio direto. “Eu não vou aceitar isso.” As palavras dela ainda ressoavam. — Teimosia... — murmurei para mim mesmo, com um sorriso seco nos lábios. Ella não sabia com quem estava lidando. Eu era Pierre Tavares, o Alfa Lupus mais poderoso do continente, o líder de um império que se estendia além do que ela poderia imaginar. Ela era apenas uma professora que havia tropeçado no meu mundo por acidente. E agora, com meu filho crescendo dentro dela, ela fazia parte desse mundo. Querendo ou não. O meu mundo, as minhas regras Desci as escadas até o meu escritório, onde a noite fria de fora parecia menos ameaçadora do que o olhar de Ella de mais cedo. Meu segurança pessoal, Matteo, estava esperando ao lado da porta, como sempre. — Ela está segura? — perguntei, direto. — Sim, senhor. Não tentou nada... ainda. — Ela não vai tentar. Ella é esperta demais para isso, mas precisamos estar atentos. — Peguei um copo de uísque na mesa e o levei aos lábios. — Quero que um segurança fique na porta dela 24 horas por dia. Não confio que ela vá aceitar as coisas pacificamente. Matteo assentiu, mas não comentou nada. Sabia o suficiente para não questionar minhas ordens. Enquanto bebia, deixei minha mente vagar. Ella não era o tipo de mulher que eu esperava trazer para minha vida. Ela era... diferente. Havia algo em seus olhos, uma mistura de fogo e inocência que me desarmava de um jeito que nenhuma outra mulher conseguia. — Senhor? — Matteo chamou minha atenção. — O que foi? — Tem certeza de que é uma boa ideia forçá-la a ficar aqui? A pergunta dele me irritou, mas respirei fundo antes de responder. — Não é uma questão de ideia, Matteo. É uma questão de necessidade. Meu filho está dentro dela. E nada, nem ninguém, vai me impedir de proteger o que é meu. Matteo fez um breve aceno de cabeça, mas pude ver a dúvida em seus olhos. Ele não entendia. Não completamente. A herança que carrego Enquanto a noite avançava, fui até a sala de troféus do meu pai. Um lugar repleto de memórias do que significava ser um Tavares. As prateleiras eram cobertas de símbolos de poder: contratos, alianças, até troféus de caçadas. Cada item ali era uma prova de que a força sempre prevalece. Meu pai, Arturo Tavares, costumava dizer que um Alfa Lupus não podia permitir fraquezas. E proteger meu filho não era fraqueza; era minha responsabilidade. Mas havia algo diferente em Ella. Algo que me deixava inquieto. Eu a observei, analisei cada palavra e expressão dela desde que descobri sua existência. Não era só teimosia. Era coragem. Uma coragem que eu não via há muito tempo. Voltei ao meu escritório e peguei a ficha dela. “Ella Marques.” Lia cada detalhe do relatório como se fosse uma peça de xadrez no tabuleiro. Professora, 28 anos, sem antecedentes criminais, uma vida simples e comum. Exceto pelo fato de que agora ela estava conectada a mim de uma forma que ninguém mais estava. No meio da madrugada, Matteo entrou no escritório, visivelmente desconfortável. — Senhor, temos um problema. Larguei os papéis e o encarei. — O que foi agora? — Ella... Ela está tentando sair do quarto. Não pude evitar um sorriso. — Claro que está. Levantei-me da cadeira e ajustei o casaco. — Vou lidar com isso. Caminhei pelo corredor em direção ao quarto dela, meus passos ecoando nas paredes de mármore. Quando cheguei, vi Ella tentando abrir a janela. — Boa tentativa — comentei, minha voz baixa, mas firme. Ela se virou para mim, surpresa, mas não intimidada. — Você não pode me manter presa aqui! — Posso e vou. Ela cruzou os braços, desafiadora. — Isso é sequestro, Pierre. Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. — Isso é proteção. — Eu não pedi sua proteção! Ela estava tão perto agora que eu podia sentir sua raiva, mas também algo mais. Medo. Não dela mesma, mas da situação. — Não se trata do que você pediu, Ella. Se trata do que você precisa. Ela tentou argumentar, mas eu levantei a mão, cortando qualquer resposta. — Você está grávida do meu filho. E enquanto ele estiver dentro de você, sua segurança é minha prioridade. Aceite isso ou torne sua vida mais difícil. — Você realmente acha que pode controlar tudo, não é? — ela retrucou, os olhos brilhando de raiva. — Não acho, Ella. Eu sei. Por um momento, ela me encarou, como se estivesse tentando decidir entre gritar ou desistir. No final, ela se virou de costas para mim, como se isso fosse algum tipo de vitória. Depois de deixar Ella no quarto, voltei ao escritório. Sabia que ela não ia ceder tão facilmente. Mas também sabia que tinha tempo. Minha vida sempre foi sobre controle, estratégia e poder. Ella era um desafio inesperado, mas eu estava pronto para enfrentá-lo. Porque, no final das contas, sempre ganho. Enquanto a madrugada avançava, peguei o celular e liguei para meu advogado. — Prepare os documentos. Quero tudo pronto para oficializar que Ella está sob minha proteção. — Senhor, isso pode ser complicado... — Não me interessa. Apenas faça. Desliguei o telefone e me recostei na cadeira. Ella podia lutar, podia gritar e desafiar, mas no final ela entenderia. Porque quando se trata do que é meu, não há limites. E agora, Ella e meu filho faziam parte disso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR