Base militar

1744 Palavras
A manhã chegou repentinamente sem que Hoseok percebesse, os pensamentos em Fabíola fixaram-se em sua mente de modo que não descansou até concluir sobre a possibilidade de a morena estar ali. Faltava pouco para a chegada dos intercâmbistas, seu coração palpitava, a dores profundas e agudas no estomago transpareciam e se mostravam como borboletas em uma eterna dança no âmago de sua alma. O homem não acreditava, não pensava na possibilidade de um destino, mas isso se fazia mister em sua cabeça. Aqueles ocorridos antecedentes teriam de indicar algo, uma finalidade quase impossível de reconhecer. − Acordado há essa hora? – Yoongi abriu os pequenos olhos, bocejando. − Perdi o sono. − São quase seis, preciso tomar uma ducha e comer algo. A viagem vai ser longa, e tediante. – O loiro já demonstrava irritação. − Acha que o Hiroki é mesmo um sacana? – As falas de Jung pareciam desconexas, o amigo ao lado parou para pensar sobre pergunta tão repentina. − Sinceramente – Dizia enquanto olhava para o teto – Ele é como nós, percebeu a situação que estamos, deixou virar uma bola de neve. − E quando você percebe a grandeza dela, e o estrago que pode causar quando vem em sua direção, esquece tudo e tenta sair do meio; mas esquece que ela continua rolando, e em algum momento vai virar uma avalanche sobre algum lugar com outras pessoas. – Min continuou o raciocínio. − A Haram é essa grande bola, parece incrível; todos querem sentir a sensação da neve. Então, quando não aguentam o frio por estarem sem luvas, a jogam longe, sem pensar no estrago que podem causar. − Quer comparar ela a uma bola de neve? – Jung sorriu com o raciocínio engraçado. − É um jeito de tentar dizer que é complicado, querem a conhecer pelo que ela tem; mas não pelo que é. − Então a Sojang nunca encontrará alguém que saiba lidar com ela? − Hoseok acompanhava a reflexão tentando chegar a uma conclusão. − A questão não é saber lidar com o jeito dela, mas consigo mesmo. Ninguém pode ajudar alguém sem começar por vasculhar os próprios problemas. − Seu pensamento é egoísta como sempre. – O Moreno também olhava para o teto agora. − Não, é só questão de não ser precipitado. Uma boa arvore não dá frutos ruins, e para ser bela precisa de cuidado. – O loiro finalizou. − Você está mesmo a defendendo? − É o jeito que consigo tratar os meus problemas, sei que sou a confusão, mas ainda não consigo lidar comigo mesmo sem atirar tudo para algum lado. Depois de uma longa ducha com outros soldados cantarolando, os dois amigos seguiram para o refeitório. Faltava pouco tempo para o embarque no avião, e Hoseok queria ter certeza sobre a chegada do novo g***o. − Não estou a fim de comer aquela ração de novo. – Yoongi já começava a reclamar dos mantimentos da viagem. − Infelizmente eles não costumam pedir sua opinião, sinto muito. − Quem pediu sua opinião? – Respondeu o loiro. Enquanto isso, no trem, os intercambistas – acomodados em poltronas – esperavam a parada à medida que se distraiam da monotonia da viagem. Eduardo entretido por um gamepad ignorava a falação dos colegas. Adrielly, sentada ao lado de Ethan, concentrava-se em uma conversa com a amiga e o americano. − A conheci em uma partida do jogo. Ela me massacrou três vezes, assim a convidei para um encontro. – Choi sorria ao falar de sua namorada. − Não teve nenhum preconceito? Digamos em r*****o a ser um webnamoro com uma brasileira? – Fabiola, com seus cabelos loiros presos em um coque, perguntou calma e com receio da impressão do garoto. −Meus amigos sim, já eu não liguei. Aprendi com meus pais que confiança é algo que se constrói, e leva tempo; Estaria sendo egoísta se não tentasse dar pelo menos uma chance a ela. − Falou tudo! – Adrielly levantou a mão sinalizando aprovação. − Você sofreu algum preconceito ao chegar à Coréia do Sul? É claro que parece um completo asiático, mas os coreanos não costumam perceber a diferença no sotaque? – Continuou ela. − No começo sim, na verdade todas às vezes; mas a partir do momento que sabem sobre meus pais, mudam totalmente. Eduardo é o único que me trata sem frescuras, por isso somos amigos. − Wo, você é sadomasoquista. – A loira arregalou os olhos ao ouvir. Os outros riram com o comentário da brasileira. − Pelo menos as paisagens por aqui são muito bonitas. – Comentou Adrielly ao se virar para a janela. O céu estava totalmente azulado, poucas nuvens pairavam sobre as escassas montanhas que se mostravam ao caminho. − Animadas com a ideia de verem soldados coreanos? – Ethan perguntou. − Que isso rapaz? Queremos ver os pacientes, isso sim! – Fabíola responde de súbito. − Os pacientes coreanos? – Arqueando uma das sobrancelhas, Choi indagou. − É amiga, dessa vez ele te pegou. − Adrielly! – A loira exclamou. − Vocês podem calar a boca? Quero me concentrar. – Eduardo virou-se para a brasileira ao seu lado, furioso. − Use os fones. – O amigo respondeu ao respirar fundo. − E se eu não quiser? − Então não podemos fazer nada. − Ou seja, fiquem calados! Após algumas horas de viagem, o trem fez sua ultima parada. Acompanhados pelo militar responsável, o g***o de estudantes adentraram a nova forma de locomoção, o carro dos oficiais coreanos mantinha-se de janelas fechadas. O ar frio advindo do automóvel, refrescava o ambiente silencioso. Ninguém se encorajou a quebrar o silêncio. Enquanto isso, na base militar, o avião particular dos soldados esperava o embarque completo da equipe. Hoseok, junto a Yoongi, atrasava a partida com o intuito de poder ver a chegada do novo g***o de pesquisa. Seu companheiro esperava impaciente. − Me deve uma bebida na próxima vez que sairmos. – Disse Yoongi. − Se te pedisse um soju toda vez que faço algo por você, seria um alcoólatra. − Eu não sou você. Ira vê-la quando voltar de toda forma, por que tem de ser agora? – Jung preferiu não responder. Era algo muito óbvio que o loiro tinha questão de perguntar para irritar o amigo. Hoseok estava ansioso, movimentava as mãos a todo o momento e olhava para os lados com freqüência. Infelizmente, para o desanimo do soldado, um de seus superiores o chamou para cumprimento de algumas tarefas antes do embarque, o asiático começou a seguir para longe do portão central. − Aonde vai? – O moreno cessou seus passos assim que viu Yoongi começando a acompanhá-lo. − O Tenente nos chamou? – Yoongi respondeu retoricamente. − Chamou a min, não você. Fique aqui e espere, ainda temos alguns minutos. – O moreno se retirou as pressas. Na espera, Min olhava para a entrada. De braços cruzados, escorava seu corpo em um dos pilares ao canto da pista cimentada, ao lado, a secretaria de acompanhamento das entrantes monitorava com cautela. O silêncio era ensurdecedor. Hoseok, apesar de quase nunca pedir um favor aos amigos, nas vezes que pedia auxílio, o pedido se tornava muito difícil para Yoongi. O loiro estava acostumado a ser ajudado, não a ajudar. − Você consegue Min Yoongi. É por apenas um dia, o próximo sacrifício é só no próximo ano. – Dizia a si mesmo. O grande portão com suas cores escuras, começou a se abrir com o apito do controle. O carro blindado entrou vagarosamente após a identificação. Ao parar, a porta do condutor se abriu, mostrando a face de um dos soldados responsáveis. O mesmo abriu a outra porta para que os convidados descessem do carro. − Sejam bem vindos a base Jeju. – Disse sorrindo. Ao longe, Yoongi observava o novo pessoal. Respirando fundo, criou coragem à medida que planejava um meio de falar com os intercâmbistas. − Seo-Yun! Como foi a viagem? – Disse o loiro se aproximando e fazendo continência. − Min Yoongi, não deveria estar abordo do avião? Os outros, concentrados em retirar a bagagem do automóvel, nem se puseram a dar atenção ao recém chegado. − Sim, mas precisava respirar. Ataques de pânico, sabe. − Vá logo, antes que eu acione o superior, e você leve uma advertência. O loiro não esperou nem um segundo a mais, se virando, respirou aliviado. − E avise o seu amigo que os intercâmbistas chegaram. – Seo-Yun gritou por ultimo, Min já estava distante o bastante. A equipe terminou por pegar a ultima mala com o auxilio dos outros soldados. Assim que finalizaram, foram acompanhados e orientados até o dormitório que compartilhariam. O quarto simples com quatro camas em beliche, todas preparadas a arrumadas. − A cama deve estar arrumada antes das seis da manhã. Saindo, no fim do corredor se encontram os lavatórios, podem tomar banho até as cinco e meia da manhã, após isso é de horário dos soldados. − As pesquisas e os tratamentos iniciam às sete e meia. – Continuou o encarregado. − Obrigado pelas informações. – Ethan fez reverência logo correspondida por Seo. − O resto do dia está livre para vocês conhecerem o quartel e descansarem. Se precisarem de algo, estarei no escritório; qualquer soldado está a postos para retirar qualquer dúvida. – Finalizou sua fala e retirou-se. Assim que o coreano saiu, os quatros deitaram-se nas camas, exaustos. Eduardo continuou olhando para o teto, não suportava jogar mais um segundo. − Vou desmaiar e acordar só amanhã. – Disse o moreno. − Quero fazer isso também, mas minha curiosidade para ver a base é maior. – Adrielly respondeu. − Posso ir com você? – Ethan perguntou enquanto desfazia sua mala. − Claro, quer ir Fabíola? − Não, vou descansar um pouco. Minha cabeça está doendo. No avião, Yoongi, sentado ao lado de Hoseok, tentava descansar. Seriam muitas horas de viagem até o local destinado. − Como não soube os nomes das garotas? – Jung estava frustrado. − Seo-Yun não me deixou perguntar. E não fique bravo comigo, fiz o que você pediu. – O loiro, encostado em um canto, falava sonolento. − As viu pelo menos? − Sim, uma delas era loira, cabelos lisos. A outra: mechas e cabelo no ombro. Não pareciam nada com o que você falava. − Apenas duas garotas? − Sim. − Estranho, acho que estava errado. − Acha? Tenho certeza. Agora me deixe dormir, antes que eu tenha que ouvir a voz do Alexandre. 
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