Ainda era tarde da noite. As garotas sentadas no chão, comentavam mais sobre a confusão de horas atrás. Arrasadas, curavam suas feridas a partir de doces e filmes coreanos que achavam pela internet.
− Minha cabeça vai explodir, não deveria ter assistido a tantos filmes. – Ana Luiza levantou-se do chão tonteando. Levando a mão a testa, seguiu para o quarto.
O relógio já marcava duas horas da manhã. Fabíola, com seu pijama e pantufas nos pés, foi para a cozinha; seu sono não aparecia. Agradecia a todo momento pela companhia de Adrielly ao seu lado. O mais novo m****o do g***o, Teco, adormecia no carpete ao som das vozes dos atores coreanos na televisão.
− O que iremos fazer amanhã? – A ruiva perguntou observando da sala, Fabíola encher um copo com água gelada.
− Não sei, prefiro pensar nisso quando acordar. Quer ver outro filme ou posso desligar a TV?
− Pode sim. – Respondeu sorrindo.
Assim que as luzes de todo o apartamento se apagaram, Fabíola esperou para se certificar que todas estavam dormindo. Deitada em sua cama, ligou a tela do celular, e salvou com dificuldade o número de Jung Hoseok.
O que será que ele estaria fazendo naquela hora? Será que incomodaria se o chamasse? Alias, deveria se incomodar com isso? Não, se ele realmente sentisse o mesmo que a morena, deveria ficar feliz com a mensagem.
Prestou tanta atenção nos dígitos que decorou toda a sequência. Não queria perder a nova sensação: a do palpitar no fundo do peito; a ansiedade pela resposta, mesmo sendo tardar da noite.
No Bar próximo a ilha de Jeju, Hoseok esperava que Yoongi se acalmasse para não vomitar no veículo. Enquanto isso, observava as luzes quase ofuscadas das estrelas; a iluminação adivinha dos postes pelas ruas faziam mais auxiliar na segurança da visão.
Estava entediado e sabia que sua amiga demoraria muito para chegar, naquela altura já estaria conversando com mais pessoas dentro daquele estabelecimento.
− Vamos embora. Não quero vou suportar a Haram pelo resto do caminho. – O loiro reclamou pela janela do carro.
− Cale a boca, ou deixo vocês dois e vou embora sozinho. – Jung respondeu girando a cabeça para o lado.
− Ao invés de ser cantor, deveria ter ido para a área de novelas. Você faz um belo teatro. – Yoongi deu um sorriso ladino.
− Wo verdade... – Antes que o soldado pudesse começar uma discussão, sua atenção voltou-se para o telefone que tocava em seu bolso.
Com o brilho da pequena máquina sobre seus olhos, a notificação avisava por escrito a chegada de mensagens por um número desconhecido. Curioso, Hoseok logo desbloqueou a tela e seguiu para o chat.
Um sorrido se abriu no rosto do homem. Junto a ele, seus olhos diminuíram, as pequenas covas ladinas o deixaram com as emoções evidentes.
Oi!
Tudo bem? É a Fabíola, a garota da formatura.
As duas mensagens fizeram o mesmo que antes com a autora daquelas palavras. Seria o destino? Em um momento estressante como aquele, a chegada de noticias tão boas.
− Pegou seu celular? – Yoongi perguntou, mas foi ignorado.
O amigo estava muito concentrado em dar resposta ao que estivesse no telefone.
− É a garota que me disse antes? – Hoseok balançou a cabeça positivamente.
− Você é um i****a. – O loiro continuava dizendo, despreocupado.
− Não me faça perder a paciência. – Jung perdeu o sorrido por um segundo.
− Perder a paciência? Você? Não me faça rir, corre atrás da Jung Haram fazendo seus caprichos o tempo todo. Você não tem problemas para dizer isso, Hoseok. – Dentro do carro, balbuciava as palavras com dificuldade.
Jung Hoseok, ouvindo aquelas palavras, pensou três vezes antes de tomar qualquer decisão. Era certo que estava sempre feliz, e pensava em ajudar todos em volta; mas não poderia suportar tais suposições, principalmente quando não afetavam apenas ele.
Indo em direção ao carro, pegou Min pela gola da camiseta, e o aproximou para perto de seu rosto. A fúria girava por seus olhos, estava cansado.
− Tem uma chance de se redimir para que eu te coloque no chão. – Disse calmamente.
− Por que eu faria isso? Esqueceu que sou o i****a que matou a filha do Wonsu? – Yoongi não baixava a guarda. Embora estivesse bêbado, falava com mágoa, seus olhos diziam por si só a culpa e o sofrimento de pensar ao dizer tais palavras.
Hoseok perdeu as forças em seus punhos, e abaixou o amigo que caiu em seus pés. Apesar de ter falado palavras premeditadas, Jung sabia o que o amigo passava. Era uma ferida extremamente funda e sensível.
− Eu sei que você passou por coisas ruins no passado, e que foi acusado de coisas que não cometeu, – O de pé olhou para Yoongi, com os olhos marejando.
− Mas suas palavras dentro daquele maldito bar podem levar a culpa de m***r alguém de verdade.
− Então, se me considera como seu amigo. Você vai me ajudar a resolver a confusão que fez.
As palavras de Hoseok foram as ultimas coisas que o loiro ouviu antes de desmaiar pelo álcool.
No apartamento, dentro do quarto, a cacheada esperava pela resposta no chat. Suas ultimas mensagens haviam sido visualizadas, mas nenhuma resposta foi feita. A morena checou seu smartphone até adormecer.
Dias se passaram sem nenhuma resposta de Jung, Fabíola sempre checava ao amanhecer e anoitecer insistentemente. Enquanto seus pensamentos se voltavam para Hoseok, a semana voltada para descanso teve seu fim.
No primeiro dia de interação e estudos na nova universidade sul coreana, as garotas acordaram animadas. Sentiam falta da rotina escolar, e embora tivessem passado a semana ocupadas despedindo-se dos amigos, ficavam entediadas com facilidade em casa.
− Prontas para usarem os jalecos novamente?! – Fabíola perguntou enquanto escovava os dentes em frente o espelho.
− Claro! – Adrielly respondeu, terminando seu alisamento capilar matinal.
− Adri, podemos ir ao salão de beleza depois da aula? – A cacheada respondeu um pouco tímida.
− Hum, quem você vai encontrar?! – Ana perguntou curiosa.
− Ninguém. Aigo, Ana! Não vou me arrumar por causa de garoto. – As palavras da garota se misturavam nas linguagens coreana e brasileira.
− Essa não foi minha intenção, me desculpa. – A mais baixa respondeu sem graça.
− Quero alisar o meu cabelo, estou farta do cacheado. E não venham me dizer que deveria continuar natural; as pessoas precisam mudar, e eu quero ter o cabelo liso por um tempo. – Fabíola deu de ombros.
− Não iriamos te julgar, minha flor. – A ruiva respondeu, Ana movimentou a cabeça concordando.
− Temos liberdade para mudar como e quando quisermos. Vai ficar maravilhosa de qualquer jeito. – Continuou ela.
− Maravilhosa do jeito Fabi. – Luiza deu uma piscadela.
− E no que você está pensando? Só alisar? – Disse Adrielly.
− Por min, sim. Tem alguma sugestão?
− Que tal trocar a californiana azul por loiras?
− Nunca pensei nisso, mas vamos tentar!
− Deveríamos tentar estilos novos, nós três. O que acham? – A ruiva estava animada.
− Ótima ideia! – Gritaram as outras duas.
Na universidade, Adrielly e suas amigas esperavam na porta da nova universidade. Estavam instruídas a esperar nos bancos de interações próximos a biblioteca. O dia estava claro, e o inverno já havia passado. Os lugares, antes cobertos por neve, se mostravam coloridos e calorosos.
− Como é bom sentir a luz do sol novamente. – Fabíola respirou profundamente à medida que fechava os olhos para sentir os raios solares.
− Marquei o salão para depois do curso. – Ana sorriu.
− Vai dar tempo de você se encontrar com o Do-Yun? – Colocando o cabelo por trás da orelha, Adrielly perguntou.
− Sim, ele havia me dito que o resultado iria sair às seis, mas por conta do colégio, apareceria quando acabasse as aulas.
− Wo Nalu, você não esquece nada. – A cacheada tocou levemente no ombro da amiga.
− Desde que o conheci, ele só me surpreende. – A mais baixa olhava para o nada.
− Quando fiquei confusa sobre meus sentimentos entre o Do-Yun e Hiroki, era por insegurança em r*****o ao que ele fez. Se toda a mudança foi min ou por ele mesmo.
− Se tivesse sido por min, não ficaria com ele. E então quando fui ao jogo de basquete, uma garota me contou que ele mudou muito e tentou ajudar os amigos que também estavam na pior.
− Até agora isso não provou nada sobre ele não ter feito tudo isso por você, Ana. – Adrielly refletiu.
− Não, mas ele namorava. E continuou com ela, tentou ajudar. – Ana respondeu.
− Yun não fez nada por min, fez por ele mesmo. Isso que me fez ter certeza sobre meus sentimentos.
− Embora eu tenha ficado magoada pela reação, estava ciente sobre a possibilidade que ele não gostasse de min; mas me vendo agora, não me arrependo de ter dito a verdade. – Se virando para as amigas, a pequena sorriu.
− Gosto dele por ele ser o próprio Yun que conheço.
− E o Hiro nisso tudo, miga? – Perguntou Fabíola.
− Pelo Hiroki me sentia realmente atraída, mas o Do-Yun é mais que isso. Estranho né?
− Estamos em um dia cheio de amor hoje, pessoal! – Brincou Fabíola.
Ao longe, uma aparência feminina conhecida atraiu a atenção das garotas. Em silêncio, receberam a chegada de Jung Haram, sorridentemente. Portando uma roupa extremamente social: calças brancas, uma regata no tom azul escuro, e um sobretudo de mesma cor que a roupa parte branca; a mulher fez reverência.
− Suas roupas são deslumbrantes, senhora Haram! – A cacheada elogiou.
− Obrigada, Fabíola. – Jung sorriu em resposta. A mulher evitava olhar para Ana, não suportava a presença da garota.
− Enfim, vamos para a aula. – Continuou a mais velha.
No laboratório de anatomia, Haram instruiu para o uso dos EPIs e as posições nas bancadas. Agora com orientações, as meninas começavam a ser preparadas para a função mais a frente enfrentada na base militar.
− Confiram as posições em que suas mãos se encontraram no tórax do paciente. Para a ressuscitação, joguem todo o próprio peso para seus membros e façam a contagem para cada repetição. – Ela dizia à medida que representava a situação sobre um boneco.
− O tempo é valioso nessas tentativas. – Finalizou sua fala.
− Jung Haram, pode repetir o tempo que temos para ressuscitar? Quero poder anotar para as provas. – Ana Luiza perguntou.
− Não se preocupe, você não precisara olhar isso. – A instrutora respondeu em seco.
A mais nova não soube o que responder.
− Peguem as apostilas sobre minha mesa, assim que recolherem, estão dispensadas.
Seguindo para o refeitório, as três garotas caminhavam umas ao lado das outras. Ana Luiza vasculhava a nova apostila em busca das informações que sanassem as duvidas da ultima aula.
− Agora entendi o motivo dela ter dito aquilo, a resposta estava na apostila. – A mais nova disse para as amigas.
− Mesmo assim, Ana. Jung precisava responder daquele jeito? – Disse Fabíola, incomodada com as falas da professora.
− O dia não deve estar sendo nada bom para ela. – A ruiva respondeu.
Chegando no refeitório, as intercambistas compraram um lanche rápido na lanchonete pouco tempo depois de entrarem na fila. Agora com bandejas, procuravam ao redor por uma mesa vazia, todas estavam ocupadas.
− Vamos falar com aqueles garoto. – Ana apontou com a cabeça para a esquerda.
Dois garotos sentados frente a frete, conversavam animados e aos berros enquanto comiam. Um deles, moreno e com cabelos extremamente lisos, estava comendo fast food. Seu corpo magro mostrava um porte atlético; à medida que seu companheiro de mesa era o padrão coreano inteligente: Cabelos cortados, óculos redondos, roupas básicas e simples.
− Olá, podemos nos sentar com vocês? – Adrielly perguntou.
− Infelizmente a faculdade é pública, então sim. – O moreno respondeu de forma ríspida. Extremamente estiloso e de personalidade forte, o garoto, com sua pele escura puxando paro um tom mais bronzeado, era o modelo de garoto em redes sociais.
− Parece que são dois metidos a b***a. – A mais nova disse para si mesma em um sussurro.
Não perdendo mais tempo, as meninas se sentaram com os desconhecidos. Fabíola se fez mais próxima do moreno, enquanto Ana se aprontou ao lado de Adrielly e o asiático.
− Somos Eu: Fabíola. Adrielly e a Ana. – A cacheada apresentou sua turma sorridente.
− É necessário que temos que manter contato? – O moreno respondeu debochado.
− Sou Choi Ethan, e ele é o Eduardo. – O amigo o interrompeu e respondeu timidamente.
− Que nomes bonitos! – Respondeu Fabíola.
− Wo, você também e brasileiro? – Disse Nalu.
− Não, imagine que sou indiano. – Eduardo parecia sarcástico.
− Ele não sabe interagir com pessoas. Por isso que está agindo assim, é mais teimoso que pedra. – Choi desapontado.
− Agora vai ficar do lado delas? – O moreno cruzou os braços.
− Vocês são divertidos. – Adrielly riu.
− Obrigado. São as primeiras pessoas com quem conversamos desde que chegamos aqui. – Ethan sorriu.
− Que mentira mais descarada. Somos muito populares na Coréia. – Eduardo interrompeu como o amigo outrora.
− Com os professores não conta, seu i****a. – Os dois amigos começaram a discutir.
− Você também é de outro país, Ethan? Me desculpe pela informalidade. – Perguntou Ana.
− Sou americano. Viemos para um intercâmbio, o Eduardo é brasileiro. – As palavras do coreano eram carinhosas.
− Que legal! Também somos! – A ruiva deu um gole em seu refrigerante.
− Jura? Vai me dizer que são as garotas do intercâmbio para o governo? – O moreno disse baixinho.
Choi deu um soco em seu ombro.
− Isso é confidencial, podemos ser presos! – Advertiu o asiático.
− Não tem mais nenhuma intercambista nessa universidade, queria que dissesse o que? E eles não estão preocupados com nada. – O moreno estava despreocupado.
− Vai pensando que os coreanos são como os brasileiros.
− Ei, ninguém fala m*l do meu país! Seu m***a. – Eduardo se exaltou.
− Não estou falando m*l, mas aqui eles pegam no pé.
− Quer acabar com o Brasil namorando uma brasileira, vou contar tudo para ela.
− Ok, Brasil é maravilhoso. – Choi mudou de comportamento rapidamente.
− Sim, somos desse intercâmbio. Qual é a área de pesquisa de vocês? – Adrielly tentou mudar o assunto.
− Cibernética. Somos ótimos, e não é exagero. – Eduardo respondeu confiante.
− E vocês? – Ethan perguntou.
− Não sabemos, mas é medicina praticamente. – A ruiva representava o g***o.
− Então vocês vão tratar dos doentes. Eduardo e eu vamos fazer análise de campo sobre contaminação.
− Como sabem bem mais que nós?
− O Ethan é parte coreano, só por isso. – O moreno mordiscou mais um pedaço de sua comida.
− Não digam sobre o que disse a vocês. Posso levar bronca por isso.
− Sem problemas! – Fabíola respondeu por Adrielly.
− Vamos trocar contato, assim é melhor que vamos nos informando. – O asiático sugeriu.
O fim do intervalo levou todos a se despedirem e seguirem para suas salas. O termino da aula foi antecipado por algumas escolhas de Haram, e assim, as garotas tiveram a oportunidade de ir para o salão de beleza sem problemas.
No estabelecimento, todas estavam animadas para as mudanças no visual. Adrielly propôs de seu cabelo preto, mas com a franja em tom branco. Cortaria Chanel alongado.
Ana Luiza preferiu fazer mechar vermelhas e voltar com seu cabelo cacheado, mas desta vez faria um curte na altura do ombro.
Fabíola continuaria com a proposta feita mais cedo.
Enquanto passavam pelos processos de descoloração, as três conversavam animadas.
− Sinceramente, estou com medo sobre o que o Yun vai me dizer. – Declarou Ana.
− Relaxa, miga. Vamos pensar positivamente! – Sugeriu Adrielly.
− Que tal marcarmos de sair com os meninos que conhecemos hoje? Parecem legais. – Continuou a ruiva.
− Adorei a ideia, finalmente. Quero beber Soju! – Disse a cacheada.
− Você e o Do-Yun podem nos encontrar depois. Mando o endereço assim que estiver certo, tudo bem? – Adrielly já começava a escrever a nova mensagem no celular.
Ana balançou a cabeça animada.
− Vou torcer para que ele não fique bravo comigo por isso. E aceite a saideira.
− Vou preparar meus feitiços das plantinhas para tudo dar certo. – Fabíola sorriu.
No fim do tratamento, as três garotas estavam totalmente diferentes: Adrielly com seu novo corte, lembrava uma mulher forte e rebelde; Fabíola enchia sua personalidade de confiança, e Ana portava uma aparência meiga com seus cachos recém nascidos novamente. Se despediram no ponto de ônibus assim que a amiga mais nova entrou no meio de transporte, torcendo para que tudo corresse bem.
− Ela se arrumou bem hoje. – Comentou Adrielly, andando pela calçada.
− Vai ficar com dor de cabeça depois dessa ansiedade de hoje. Tenho minhas suspeitas que o Do vai se declarar para ela.
− Ele falou com você?
− Não, mas está na cara. Agora vamos nos aprontar para diversão!
O ônibus para em frente ao colégio. Os portões ainda estavam abertos, e Ana se mantinha vinte minutos adiantada no horário. Pediu permissão para o porteiro que já a conhecia e adentrou na área escolar. Andando lentamente, a garota chegou até o painel de classificação.
Antes que pudesse olhar os resultados, seu olhar foi chamado para a direção da biblioteca. Ana Luiza lembrou-se dos vários momentos em que passou com o garoto, as risadas e as broncas pelos resultados nos testes. O cansaço pelo termino no tardar da noite. O tempo havia passado tão rápido,
Sorriu ao recordar dos momentos do dia chuvoso, do orgulho que Yun possuía ao falar sobre sua reputação, ou beleza. Não queria perde-lo, e faria de tudo para que o amigo não se sentisse desconfortável sobre seus sentimentos. Uma tarefa difícil, mas necessária se quisesse continuar com sua presença.
Ele era importante demais para que ela a perdesse.
Assim que saiu de seus devaneios, a nova cacheada olhou para o painel procurando pelo nome de Do-Yun. Antes mesmo que pudesse sorrir, sua atenção foi voltada para alguém chamando.
− Ana... – Ao contrário dos outros dias, Do parecia tímido. Suas mãos estavam trêmulas, embora escondidas por seu corpo.
− Do-Yun, é bom te ver. – Ana sorriu se voltando para o garoto. Seus olhos marejavam à medida que encontravam os do recém chegado.
− Consegui entrar na universidade graças a você. – Ele também sorriu, com um sorriso quadrado. Aquela característica era umas preferidas da garota.
− Eu vi, parabéns. Estou orgulhosa. – A mais baixa continuava com a mesma expressão.
Embora Yun não houvesse se atrasado, quase não reconheceu a garota pelo novo visual, mas tinha certeza de que estava mais bonita que antes. Era quase impossível para o asiático colocar as palavras para fora, dizer o que realmente queria dizer.
− Você está muito bonita hoje.
− Oh, renovar é sempre legal. Me deixa mais livre para ser quem realmente sou.
− Concordo. – Um silencio se fez por alguns segundos. – Sinto muito pelos dias passados, isso não vai se repetir.
− E não quero deixar de ser sua amiga, de verdade. – A garota começou a falar sem parar. Yun não tinha chance de interrompe-la.
− Posso falar? – Ele sorriu com o desespero da garota.
Ela balançou cabeça.
− Quero viver mais dias como aquele. – Continuou ele, sua voz havia se transformado em um calmante natural.
− O que?! – Disse assustada, olhando do chão para os olhos do garoto.
Do-Yun segurou a mão da garota, as sensações se assemelhavam: Toques frios.
− Quero ouvir milhões de vezes a mesma frase da noite passada.
− Quero ver seu sorriso quando acorda, seus comentários sobre como dormiu.
− Quero ser a pessoa que você deseja contar tudo que fez todo dia e poder retribuir.
− Quero mostrar que gosto de você Ana...
A menina estava sem palavras, seu rosto estava corado.
− E finalmente, poder ser o motivo das suas bochechas ficarem vermelhas. – Com essa ultima frase, o asiático aproximou-se do rosto da garota, tocou sua face com a mão, na medida que a outra a trazia com a cintura para mais parte. E a beijou.
Ana aceitou o beijou e seguiu em sincronia com r*****o aos lábios macios do garoto. Sensações suáveis de euforia possuíam o corpo do novo casal. A i********e construída pelos dois lados favoreceu a confortabilidade dos selares, e todos os movimentos se mantinham aceitos por partes.
Quando se afastaram, os dois olharam paralelamente um ao outro, estava difícil acreditar que aquilo realmente havia acontecido.
− Me deixa recapitular. – Disse a garota, abanando o rosto com as mãos, na tentativa de aliviar a queimação facial.
− Estamos namorando, certo? É como nos doramas? – Continuou ela, perdida.
− Sim, igual nos doramas. – Ele riu.
− Meu deus, Yun. Não era para ser tão complicado, por que não me disse aquele dia?
− Eu gostava de você, mas queria fazer o pedido. E Ana Luiza sendo Ana Luiza, não me deu chance de falar primeiro.
− Ah sim. Você é enjoado, sabia? – A mais baixa levantou uma das sobrancelhas junto com uma parte de seus lábios.
− A Adrielly e a Fabíola nos chamaram para sair para comer. Quer ir? – Perguntou ela.
− Meu plano era te levar no cinema, mas podemos deixar isso para amanhã. – Ele sorriu.
− Então vamos? – Luiza sorriu.
− Um minuto.
− O que foi agora? Esqueceu as coisas na sala de novo?
− Não... – Yun levou as mãos ao bolso, e tirou uma pequena caixinha preta.
Ana assim que percebeu a semelhança, lembrou se do significado. Suas bochechas coraram novamente.
Do-Yun abriu o compartimento e mostrou as duas alianças de prata que havia comprado. Eram simples e meigas, a garota sorriu ao vê-las.
− Posso? – Perguntou.
− Depois do beijo? Você é mesmo um fracasso nessas coisas. – Ela estendeu a mão.
O asiático colocou a aliança no dedo da garota, e logo a mesma o fez também.
− Agora podemos ir. – Disse entrelaçando sua mão na garota e as aquecendo no bolso de seu casaco.
Na portaria, os dois pararam para que Yun assinasse sua checagem de saída.
− Vou dar uma olhada nas vitrines, tudo bem? – Disse a garota.
− Claro, logo te encontro. – O asiático deixou a mão da garota.
Ana parou e esperou até que o sinal fechasse. Apenas um carro esperava para a a******a do semáforo, e quando a passagem de pedestres foi aberta, a garota caminhou para o meio da rua.
O automóvel preto acelerou assim que os passos da cacheada encontraram o meio entre a saída e a chegada até a outra calçada. Ele não esperou a a******a do sinal, e embora Ana rezasse internamente para nada acontecer, em um piscar de olhos, o carro correu em sua direção.
A brasileira não viu o motorista, seus olhos se fecharam após a sensação de bater com a calçada. O carro atingiu seu corpo com força, e seu corpo flutuou até atingir o chão.
O motorista nem seu deu ao cuidado de socorrer ajuda, apenas deu partida e correu sem deixar pistas.
Yun vendo aquela cena, ficou em choque. Seu corpo se moveu automaticamente em uma corrida até o corpo jogado de sua namorada no chão.
Seu coração ainda batia, mas ela não respondia a nem um chamado.
− Ana! Por favor, diga alguma coisa!
− Eu estou aqui! – O asiático repetia várias vezes á medida que abraçava o corpo e***********o.
− Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Disse chorando.