Boneco de neve

2249 Palavras
No apartamento de Haram, Hiroki contava histórias de sua época no quartel. Os pratos sobre a mesa de centro, estavam limpos, era tarde da noite. – Wo, me lembro sobre o dia de treinamento na base americana. Saímos para provar o café americano, e Hoseok não queria pedir nada, porque achou a garçonete bonita. – A mulher gargalhou. – Ahyu! Vocês disseram a ela que eu estava solteiro! – O homem ficou vermelho. – Agora compreendo o sentimento dela quando ouviu isso. – Hiroki olhou para o copo vazio em suas mãos. – Por quê? – Jung ficou curioso. – Trabalho de atendente em uma universidade. Muitas adolescentes tentam falar comigo, ou me presenteiam. – O homem respondeu. Aquela altura, a mulher ao seu lado, já estava impaciente. – Tome cuidado, Hiroki. A Haram pode te colocar para dormir no sofá. – Ele sabe que deve supervisionar os comportamentos dos intercambistas, nada mais que isso. – Disse séria. Os meses se passaram rapidamente. Após a formatura dos formandos, as garotas se concentraram ainda mais na pesquisa, e obtiveram resultados satisfatórios, segundo o supervisor. Hiroki continuava trabalhando no comércio próximo a universidade, mas falava com pouca frequência com as intercambistas; sempre procurando desculpas para evitá-las. Desde a despedida de Hoseok, se permitia conversar somente com sua parceira de missão. – Elas estão bem. Sim, saio às cinco. Passarei para ver como estão, depois seguirei para casa. – Hiro falava ao celular, enquanto seguia para o estacionamento, na procura de seu carro. – Você quer alguma coisa? – Ele abriu a porta do carro, ainda com o aparelho em sua mão. – Estou entrando no carro, tenho que desligar. Também te amo. Até mais. – Desligou. O homem, com calças jeans, e camiseta social amarela; entrou no carro e deu partida. Seu expediente havia acabado. Enquanto isso, ao longe; o Hiroki m*l sabia que estava sendo vigiado. O estranho observador, com o rosto coberto por um capacete, se mantinha olhando para a tela do celular, na intenção de não ser percebido. Assim que o carro saiu, o homem finalizou sua observação. Na lanchonete, as garotas se aprontavam para a ultima refeição da noite. Estavam exaustas pelos últimos procedimentos do dia, acompanhados das explicações repetitivas de Moogang. – Onde está o Do-yun? – Ana Luiza olhava ao redor, impaciente. – Relaxa, ele vai chegar. – A ruiva abriu o pacote de salgadinhos. – Vocês tem ficado muito próximos desde a formatura dos veteranos, né. – Fabíola checava suas mensagens em seu celular. – Não sei, ele tem sido uma pessoa muito legal. É alguém com quem posso desabafar, as vezes. – A mais nova respondeu. – E como vão as coisas com o Hiro? Conseguiu conversar com ele? – Disse a cacheada. – Não. Sinto que ele me evita; quando pergunto como está, demora responder. E quando o vejo pessoalmente, diz que está ocupado. – Afundou sua cabeça na mesa. – O Nozomu comentou que o Hiro está muito ocupado. Também não está respondendo as mensagens dele. – Adrielly olhou para a amiga, com um olhar tranquilizante. – Só você, Adrielly, que tem sorte com garotos. Desde que saiu com o Nozo, não param de trocar mensagens. – A mais baixa respondeu. – Saímos apenas uma vez, Ana. – E você ainda o chamou para vir aqui, hoje. Me engane que eu gosto. – Revirou os olhos. – Olá, pessoal. – Nozomu apareceu, ascenando com a mão. Estava tímido. – Me desculpem pelo atraso, o estágio tem tomado muito tempo. – Sentou-se, coçando a cabeça. – E como é trabalhar para seu pai, Nozo? – Fabíola acenou em resposta. – Sendo sincero, preferia trabalhar em outro lugar. – Riu. – Oh, Adrielly; consegui terminar os livros que me indicou. – Ele disse, sorrindo. – Jura? Agora aceito ir ao cinema com você. – Cruzou os braços, mostrando os dentes. – Humm. Estou sentindo cheiro de novo casal. – A morena brincou. – O que tem haver os livros e o cinema? – Ana estava perdida. – Ele me chamou para ir no cinema, mas eu disse que só iria se ele lesse toda a saga da adaptação. – Adrielly explicou. – Nunca mais chamo uma garota para sair. Ela ficou brava porquê prefiro os filmes, ao invés dos livros. – Disse, Nozomu. – Meu Deus. Nozomu, você é um bom soldado. – Ana Luiza fez positivo com a mão. – Aliás, você viu o Yun, lá fora? – A mais nova continuou. – Não. Por que? – O garoto deu de ombros. – Eu vou m***r aquele garoto. Me faz ajudá-lo a estudar para passar nas provas, mas se atrasa. Vai levar um puxão de orelha. – Luiza estava furiosa. Do-Yun apareceu depois de alguns minutos, com o capacete na mão – arrumando o cabelo bagunçado pela p******o – sentou-se próximo a mais nova. – Onde você estava? – Ana perguntou, enquanto apertava a bochecha do garoto. – Hajima! Isso está doendo! Eu estava fazendo algumas coisas para minha mãe. – Enfim cedeu com a explicação do garoto. – Você quer morrer? É a segunda vez que se atrasa. – Cruzou os braços. – Pega leve com ele, Luh. Olha, o Do-Yun nunca faltou nenhum dia de estudo com você. – Adrielly o defendeu. – O que eles estão estudando? – Nozomu estava curioso. – A Ana está ajudando ele a aumentar a média no colégio. E estudar para passar na universidade. – A ruiva respondeu. – As explicações dela, me dão sono. – Yun reclamou. – Ah, é? Por isso, vamos agora para a biblioteca! – Ana pegou o garoto pelo braço, e os dois saíram da lanchonete. Na área de estudos, Yun tentava prestar atenção nas explicações da garota, mas seus pensamentos estavam em outro lugar. – Yun? Quer que eu explique novamente? – A garota disse, cuidadosa. – Oh, sim. Me desculpe, é que hoje o dia foi cheio. – Do saiu de seus devaneios. – Podemos estudar amanhã, se quiser. – Sim, mas não vá embora. – Ele pediu. – Você está realmente bem? – Ana estava preocupada. – Ana, o que você sabe sobre o Hiroki? – Foi direto. – Por quê está me perguntando isso? – A menina ficou espantada com a repentina pergunta. – É que... Me incomoda como ele trata. – Coçou a cabeça. – Bom, eu sei que ele conversa com o Nozomu. E que trabalha na lanchonete, e faz estágio. Algo assim. – Como quer correr atrás de alguém assim? Ele é praticamente um estranho para você, Unnie. – Yun mantinha o olhar fixo no olhos de Ana. – Claro, não nos conhecemos bem. Isso é normal. Sou uma estrangeira, e ele não se incomodou com isso. – Eu também não. E somos amigos a meses. Somos mais próximos do que você e ele. – O garoto estava cuidadoso na escolha das palavras. – Sim, amigos; Do-Yun. Somos próximos porque me sinto a v*****e. – Você sabe. Eu errei com ele, e estou tentando ajustar isso. – Ela continuava falando. – Mas por que? Por que continuar com isso? Você merece mais. – Está dizendo isso por que me considera como uma irmã. Você acha que alguém iria ficar com alguém como eu? – Ele foi o único que viu algo em min. Talvez seja a única vez que encontrarei alguém assim. – Ana estava com os olhos prestes a marejar. Uma semana se passou, e a rotina continuava a mesma; exceto pelo fato da presença de Haram no laboratório, junto a Moongang. – Bom dia, meninas! – O professor sinalizou para que as alunas se sentassem. – Temos boas notícias. – Haram começou a falar, sorridente. – Vocês concluíram a primeira etapa da pesquisa. E graças a isso, podemos dar continuidade ao planejamento. – Ela continuava falando. – A partir da semana que vem, vocês serão transferidas para outra universidade. E terão um prazo de aperfeiçoamento na área médica, como havia dito antes; Ana Luiza levantou a mão. – O que faremos depois dessa etapa médica? – Perguntou. – Receberão as informações na hora certa. – A mais velha respondeu. – Até hoje, vocês três foram minhas melhores alunas. Estou muito satisfeito com o esforço que tiveram. – O professor comentou. – Nessa semana, vocês terão um tempo de descanso. Aproveitem ao máximo, os estudos sobre corpos estranhos se encerra aqui. – Moogang deu fim ao assunto. Assim que foram dispensadas, as meninas seguiram para campo de treino. Precisavam tomar um pouco de sol, e o inverno já havia passado. – O inverno passou, e não fiz um boneco de neve. – Ana estava decepcionada, sentada sobre a arquibancada, junto às amigas. – Já que temos essa semana livre, podemos visitar a Bae. O que acham? – Fabíola sugeriu. – É uma boa ideia. – Adrielly confirmou. – Ela e o Oliver, sumiram. – A mais nova se voltou para as meninas. – O Oliver voltou para os Estados Unidos. A bolsa dele fechava com o fim da formatura. – A ruiva deu um gole em sua garrafa de água. – Preciso de um dia inteiro de sono. – Fabíola se espreguiçou. Enquanto conversavam, outros estudantes passavam por ali. O campo de futebol estava vazio, sem movimento. Os jatos de água, agora ligados, umidificavam a grama, se certificando de deixá-las verdes. Adrielly se lembrava aos poucos sobre os dias que havia passado por ali. Conversando com os amigos, que agora faziam suas obrigações para sobreviver no mundo do trabalho. Os dias divertidos eram de extrema falta. Na lanchonete, Hiroki atendia a clientela, com cuidado. As pessoas, sentadas, ocupando a maioria das mesas, traziam movimento ao local. E a única coisa que o atendente queria, era sair dali. Ana entrou no comércio e seguiu para o caixa, enquanto checava as mensagens em seu celular. Se aproximou do atendente, e guardou o aparelho. – Em que posso ajudar? – Perguntou cabisbaixo, mantendo o olhar no registro do pedido. – Quero um boneco de neve. – Ela respondeu de prontidão. – Como? – Hiro levantou a cabeça. – Escolha. Será a última vez que tentarei conversar com você. – Ana apertava os punhos, em nervosimo. – Vou te esperar na biblioteca. – Enfim, a garota deu sua ultima palavra; e saiu. Ana Luiza se retirou da lanchonete, e correu para biblioteca. O local estava silencioso. Quase nenhum estudante estava presente, as mesas para estudos se mantinham vazias. Entre as prateleiras, cheias de livros, a recém chegada fitava os livros, na esperança de se distrair dos pensamentos. Hiroki apareceu uma hora depois, com sua calça esportiva, e um moletom laranja. Assim que a viu, não tirou seus olhos de seu encontro. Não parecia muito paciente. Enfim, se aproximou e começou a observar os livros, junto a garota. – Estamos no inverno. Não podemos fazer um boneco. – Disse, Hiroki. – Eu sei, mas acho que você entendeu o motivo que te chamei aqui. – Ela respondeu. – Não. Ana se virou para ele, com os braços abaixados. – Por que me evita? – Luiza manteve os olhos fixados no olhar do outro. – Não estou te evitando. – Respondeu em seco. Continuava olhando para os livros na prateleira. – Certo. – Ana olhou para baixo, talvez estivesse sendo precipitada. – Está muito ocupado, mesmo? – Sim. Preciso trabalhar para viver. – Se quiser, algum dia podemos sair. – Ana estava esperançosa. – Não sei quando será minha pausa. – Hiroki pegou um dos livros. – Então devo me afastar de você? Fingir que nunca aconteceu nada? E suas ações na festa? – Nunca tivemos nada. Você deve ter se confundido. – Finalmente a olhou nos olhos. – Por favor, não me atrapalhe mais. Tenho que trabalhar. – Hiroki engoliu em seco, e se retirou. Ana Luiza desabou no chão. Não sabia para onde olhar, e nem o que fazer. Aquele garoto acabara com todas as esperanças que possuía. O que seria um real amor, então? O que fez de errado? Após as ultimas horas antes do fim do expediente da tarde, a garota saiu da biblioteca. As luzes fracas dos potes de luz, avisavam que a noite havia chegado. Andando silenciosa pela rua, olhava para o chão; sem ao menos querer olhar o movimento pelas ruas. Apesar do dia cansativo, sabia que não tinha acabado, ainda precisava ajudar seu amigo com os estudos. No apartamento, Adrielly assistia algum programa na televisão, enquanto Fabíola estava deitada em seu quarto. Chegaram primeiro em casa, e resolveram descansar. A cacheada, após dormir a tarde toda. Sentou-se em sua escrivaninha e começou a criar cartões para mandar para casa. Sua família precisava saber o quão incrível era a Coreia. Adrielly bateu na porta, pedindo para entrar. Assim que conseguiu a permissão, deitou-se na cama. – A Luh deu notícias? – A ruiva perguntou. – Sim, disse que iria ajudar o Do-Yun no colégio. – Fabíola continuava focada. – Menos m*l. Estou entediada, não quero ver programas de culinária hoje. – Bufou. – Como estão você e o Hoseok? Ele mandou alguma mensagem? – Adrielly insistiu. – Não conversamos desde aquele dia, Adri. – Respondeu concentrada. – Ah, tá. E por que não conversaram? – Porque não temos nada um com outro. Não devo nada a ele, e ele não deve nada a min. – Se virou para a amiga. – Talvez ainda se encontrem de novo. Nada é impossível. – Será? – Deixou escapar. – Digo... não tem como.  
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