Curto adeus

2384 Palavras
 O dia foi proveitoso, assim que o jardim botânico anunciou o fim do expediente, a turma de visitantes se dirigiu para a porta de saída. Fabíola e Jung, agora mais próximos, caminhavam juntos com as mãos entrelaçadas; enquanto que Adrielly, Ana e Yun conversavam sobre o que haviam visto por todo o lugar. – Aposto que minha mãe, e avó conhecem todas as ervas medicinais desse lugar. – Do-yun riu. – A minha também! – Disse a ruiva. Aquela altura, todos estavam a gargalhar. – No Brasil, a maioria dos mais velhos sabe sobre remédios. É cada coisa que a gente vê. – Ana Luiza estava mais próxima do garoto. – Do-yun, onde você estuda? – Fabíola tentou puxar assunto. – Oh, na Sejong, é perto da minha casa. – O ensino médio aqui é diferente, né? – Continuou ela. – Bom, em comparação ao americano, sim. Estou no ensino médio sênior. – Respondeu. – Pessoal, vamos ir para casa? Ou em outro lugar? – Adrielly perguntou, se aproximando do carro no estacionamento. – Se quiserem, posso levar vocês em algum lugar, mas tenho que ir embora depois. – Hoseok deu sua primeira palavra. – Não se preocupe, Jung. O dia foi muito divertido, e isso vale por muitos outros. – A mais nova sorriu, e o confortou. – Posso ficar com vocês, se quiserem. Não tenho muito o que fazer amanhã, então não será um problema. – Do-yun levantou a proposta. – Esse Yun oppa é mais divertido que o de antes. – Luiza apertou as bochechas do garoto. – Ahyu! Nunca tinha visto seus amigos, como não iria ficar tímido? – Yun queixou-se. – Você não foi nem um pouco tímido quando me conheceu, ainda me chamou de andarilha! – A mais baixa cruzou os braços. – Isso não vem ao caso. São situações diferentes! – Eles parecem fofos juntos. – Adrielly cochichou no ouvido de Fabíola. A outra respondeu balançando a cabeça sorrindo. – Também tive amigos assim... – Hoseok sorriu e falou baixo. Jung Hoseok entrou no carro, e os outros entraram em seguida. Ao invés de continuarem a saideira da noite, o g***o decidiu seguir para casa, já estava muito tarde, e o mais velho da turma tinha compromisso. Na entrada do prédio das garotas, Fabíola se despedia do coreano, enquanto os resto seguiu para o conforto e aconchego do apartamento. Os flocos de neve caiam sobre os dois, na medida que se olhavam e relutavam em se despedir. – Foi muito diverto, obrigada por hoje. – A cacheada respondeu cabisbaixa, nenhum carro passava pelas redondezas, eram quase nove da noite. – Concordo. Há muito tempo que não me divirto assim. Meus amigos ficariam com inveja. – O garoto riu. – Então – Fez uma pausa. – Nos encontraremos mais vezes, soldado? – Não sei ao certo. Tenho que voltar ao trabalho, é muito difícil que consiga usar o celular lá. Você sabe, militares são rígidos. – Tentou explicar, estava ansioso. – Sem problemas, Jung. Foi um grande prazer conhecê-lo. – Fabíola sorriu, um pouco chateada. – Para min também. – O asiático não sabia o que dizer. O silêncio reinou por alguns instantes. – Olha. – A cacheada olhava para o garoto, com extrema insegurança. – Não costumo ser muito próxima no primeiro encontro, e não sei como os homens coreanos lidam com isso, ainda mais você que já viajou o mundo. – Respirou fundo. – Oh, não. Eu não pretendia, e não queria fazer isso agora. Não se preocupe, Fabíola. – Hoseok respondeu, um pouco sem graça. Não queria dar aquela impressão. – Talvez, se nos encontrarmos novamente, podemos conversar mais. – Ele continuou a falar. – É uma boa ideia. Acho que estraguei o resto da noite dizendo isso. – A garota riu fraco. – Você é sincera, queria poder conhecer mais pessoas assim. Coreanos costumam guardar para si, de primeiro momento. Na próxima, tentarei trazer meus amigos. – Acompanhou o sorriso sem jeito da outra. – Vai ser divertido. Como eles são? – Perguntou, curiosa. – Kim seokjin e Min Yoongi, entramos juntos. Acho que foi o pior erro da minha vida, ter de aguentar os dois. – Levou a mão a testa. – Wo, farei questão de querer show particular! Sinto muito a falta das vozes de vocês. – Também sentimos, mas é como eu te disse antes, uma nova aventura é bom as vezes. O celular do mais velho vibrou. Hoseok o retirou do bolso e checou a tela. – Preciso ir embora, ainda tenho algumas coisas para fazer antes de voltar ao trabalho. – Disse guardando o aparelho novamente. – Não sei como me despedir. – Fabíola riu, tristonha. – Também não. Esses momentos são os piores. – Respondeu cabisbaixo. Fabíola estendeu a mão. – Um aperto de mão? – A garota o olhava nos olhos. Jung correspondeu. As duas mãos balançaram. Juntamente a isso, a mais nova o reverenciou, e soltou sua mãos aos poucos. Hoseok não queria que aquela situação acabasse daquela maneira, sentia que ainda faltava algo. Precisava de algo para não se esquecer dos sentimentos que criara pela morena. Antes que a garota se distanciasse mais do homem, o asiático estendeu a mão, na expectativa de pará-la. Segurou seu braço, e a puxou para mais perto, a envolvendo em um abraço apertado. – Hoseok, está tudo bem? – Disse Fabíola, espantada. Seu rosto estava sobre o peito do mais velho. – Pode prometer que não vai me esquecer? – Respondeu baixo. Dirigindo pela avenida principal, Hoseok parou em frente a um grande condomínio no centro de Seul. Deu suas chaves para a recepção, e seguiu para o elevador. Dentro da locomoção, checou seu relógio, estava um pouco atrasado. Assim que as portas se abriram, Jung saiu e começou a caminhar por um moderno corredor. As paredes e o chão branco faziam parte do mais inovador designer entre as melhores estéticas coreanas. A porta se abriu antes mesmo que o homem a tocasse. – Jung Hoseok! Há quanto tempo! – Uma mulher o recebeu, sorridente. – Haram, você continua como sempre, nunca envelhece. – O recém chegado brincou. – Entre! – Deu espaço. O visitante se sentou em uma das poltronas da sala, enquanto Haram o olhava do outro lado. – Quando o Hiroki me disse que você estava na cidade, fiquei muito animada. – Imagino. Vocês saíram da base, sem ao menos avisar. – Hoseok pegou uma bebida oferecida pela mulher. – Foi uma boa promoção. É confortável estar na cidade, as vezes a base era cansativa. – Deu um gole, junto ao amigo. – E o que estão fazendo aqui? Percebi que o pagamento deve ser alto. – Olha – Se aproximou. A mulher vestia um pijama confortável. – Preciso contar isso a alguém, ou ficarei louca. Promete não contar para ninguém? – Aish, esqueceu de quem guardava seus segredos sobre os sentimentos pelo palerma? – Não fale assim dele, Jung! – Ele demorou quase um ano para perceber o que estava óbvio. – Resmungou. – Enfim, se lembra da morte dos soldados? E da filha do Wonsu? – Ouvi os rumores, cheguei um tempo depois disso; mas muitos soldados sumiram naquela época. – O homem ouvia com atenção. – O general pediu para que nós, liderássemos uma equipe de estudos sobre essas mortes. E é isso que estamos fazendo aqui em Seul, mas – segundo o Duck-Young – Há planos maiores para as pesquisas. – E quais planos são esses? – Lutar contra a Coreia do Norte. Ele não me falou muito depois, apenas sigo as diretrizes; mas é algo que apenas o exército sabe. – Haram! Você está maluca? Isso pode sobrar para você! – Jung não acreditava no que estava ouvindo. – Você sabe que se discordasse, perderia meu cargo. E sou boa no que faço. Não se preocupe, Hobi. – Tentarei, o Hiro está no banho? – Perguntou ao ouvir o barulho da água cair. – Sim, ele me ajudou com os relatórios a tarde toda. E depois saímos para comer. – Haram dizia, animada. – Está tudo bem entre vocês? – Hoseok tentou parecer o mais normal possível. – Acho que sim, apesar do trabalho. É cansativo, a pior parte é a dele. – O que ele faz? – Supervisiona os pesquisadores. São dois grupos, um com três, e outro com duas pessoas. – O que estão falando sobre min? – Hiroki apareceu com o cabelo recém lavado. Amanheceu, e mais uma vez, as três intercambistas pareciam dispostas para o dia de pesquisa. A caminhada até a universidade fora a única alternativa encontrada para perder o cansaço da noite passada. Ana, junto as outras, andava observando o céu. Parecia que o tempo frio estava passando. – O dia está muito bonito! – Adrielly esticou os braços. – Realmente, parece que a temporada de inverno está passando. – Disse Ana. – Podemos ir ao karaokê depois da aula hoje, o que acham? – Fabíola sugeriu. As outras balançaram a cabeça positivamente. – Vai ser bom, uma recompensa por ter de aturar o Moogang. – A ruiva brincou. Assim que passaram pelo bairro, a mais nova se lembrou que precisava fazer algo antes de ir à universidade. – Meninas, preciso entrar o casaco do Do-yun. – Parou em frente as meninas. – Nalu, por quê não entregou ontem? – Disse Adrielly. – Acabei me esquecendo. Prometo que será rápido. – A Fabíola e eu iremos na frente. Te esperamos na sala. Não se atrase! – Pode deixar! – Saiu correndo as pressas. A mais nova caminhou apressadamente, por meio da grande multidão das ruas. Lembrava-se muito bem de onde o amigo morava, e rezava para que não chegasse tarde. Do-yun poderia ser punido por entrar sem o uniforme no colégio. Assim que chegou na porta da casa, bateu ofegante na porta, que se abriu com a ajuda do conhecido garoto. – Ana? O que está fazendo aqui a essa hora? – Perguntou, preocupado. – Aqui. – Colocou o casaco na mão do outro. – Esqueci de entregá-lo, ontem. – Oh, não se preocupe. Eu tenho dois. – Riu. Yun era o tipo de garoto brincalhão e sorridente comum, com suas roupas sempre escuras, esbanjava requinte e um certo estilo. O cabelo em corte cogumelo, o deixava extremamente fofo, seus olhinhos puxados traziam o padrão coreano a tona. – Sem problemas. Já vou indo, preciso chegar a universidade. – Fez reverência. – Espere, vou pegar minha mochila e te levo. – Estou meio atrasada, e vai atrasá-lo também. – Se desculpou. – Não vamos andando. Moto é mais rápido. O garoto saiu de casa em instantes. Pegou sua moto, entregou o capacete, e montou no veículo. Ana, um pouco receosa, subiu e segurou firme na cintura de Do-yun. O mais velho acelerou o máximo que pode. E sorriu ao ser apertado mais ainda pela garota com medo. Na universidade, Hiroki estava esperando a garota. Fabíola e Adrielly, pediram a ele que a ajudasse, já que precisavam seguir urgentemente para a sala. Um pouco relutante, o homem aceitou, não estava ali para trabalhar e nem estudar naquela manhã. A moto de Do-yun parou em frente ao portal, Ana desceu e entregou o capacete ao garoto. – Obrigada, Do! – O reverenciou. Hiroki observava tudo de longe, com a cara fechada. Ela entrou e começou a apertar o passo, o outro homem seguiu em sua direção. – Oh, Hiro. – Se assustou. – As meninas me pediram para que te levasse até a sala. – Respondeu, sério. – Certo, vamos lá. – consentiu com um aceno. Na sala, Moongang já havia começado a aula. A garota atrasada pediu licença e se sentou ao lado das amigas. – Bom dia, Ana! Espero que não tenha dormido demais. – O homem riu. – Bom dia, professor. – Disse, um pouco tímida. – Estamos debatendo o terceiro resultado da amostragem sanguínea. – Moongang segurava a folha nas mãos. O projetor mostrava detalhadamente uma planilha com relações entre compostos diferentes. – Encontramos bioacumulação de alguns compostos no nosso falecido amigo. – Quero que prestem muita atenção nesses componentes, porque a partir deles que vocês apresentarão as possíveis criminosas no caso. Após muitos debates e apresentações de resultados, o professor universitário deu fim a aula. Já eram quase sete horas, quando as três meninas chegaram a avenida principal. – O GPS está indicando que é por ali, meninas. – Fabíola olhava o celular, na esperança de encontrar um karaokê. – Estou vendo. Vamos. – Disse Adrielly. A sala apesar de pequena, era aconchegante. Em volta, grande poltronas macias traziam o conforto aos clientes; no centro, uma mesa estava preenchida com várias guloseimas e bebidas; e por fim, em frente a tudo, a grande tela esperava o começo da cantoria. – Vamos cantar alguma musica antiga? – Ana estava com o controle. – Escolhe a playlist antiga, Ana. – Fabíola deu um gole na bebida de limão. – Certo. Pronto, pessoal. As rodadas eram improvisadas, seguidas de pausas entre as garotas. – Fabíola, como foi a despedida ontem? – Perguntou a mais nova. – r**m, como todo adeus. Ele não sabe se vai conseguir me responder por causa das restrições. – Militares são bem rígidos. Não rolou nenhum beijo? – Luiza se virou para a amiga. – Claro que não! Acabei de conhecê-lo, Lu. – Oh, saquei. – Apesar que queria muito. Por quê tenho que ser tão certinha? – Resmungou. – Depois vai se arrepender por não ter uma chance assim. – Adrielly estava deitada no sofá, checando suas mensagens. – Larga esse celular. – Ana jogou uma almofada na outra. – Estou respondendo o Nozomu. Ele quer sair comigo essa semana. – Sorria olhando o aparelho. – Adrielly Joana vai desencalhar? – A cacheada brincou. – Ele é um cara legal, e não vou ficar com ele. Pelo menos, eu acho. – Se ficar, me deve um soju. – Luiza apostou. – Trato feito. – E você e o Do-yun, Ana? – Fabíola perguntou. – Não comecem, não resolvi as coisas com o Hiroki, ainda. – Mordiscou um dos doces. – Oh, então você gosta dele? – A ruiva estava curiosa. – Não sei, queria poder conhecê-lo melhor. – Oportunidade não falta. E o outro garoto? – Vocês são muito apressadas!
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