Luna
Confesso que passei muito tempo presa nas lembranças dos momentos em que adentrei este colégio, hoje pela manhã. Parece que minha vida estava virando de ponta a cabeça e eu não tinha controle nenhum sobre ela. Eu estava chateada com tudo, com os meus pais e comigo mesma. Então, do nada, Adrian esbarra em mim e eu esqueço de tudo ao nosso redor.
Tive vergonha de mim mesma quando percebi que estava discutindo com o nosso garotinho preferido do colégio, na frente de todo mundo.
Ainda mais daquela forma, daquele jeito e sentindo aquelas coisas que eu jamais senti. Aquela emoção. Minha vida era rodeada de coisas fúteis. De momentos nos quais eu não fazia ideia que iria guardar na memória, de tão banais que eram.
Então, Adrian apareceu em minha frente e tudo simplesmente acabou como mágica. Quando pisquei os olhos, eu estava no meio do colégio, discutindo com ele. E quando fui embora, eu queria voltar para aquele momento.
Era louco. Eu m*l prestei atenção nas aulas de química, mesmo que eu amasse a matéria e adorasse a professora. Depois, quando tudo terminou, me senti m*l por não ter prestado atenção e esquecido de entregar um dos deveres no qual fiquei faltando.
Assim que terminei, subi as escadas e fui em direção à sala da professora. Eu não estava muito empolgada, com os meus fones de ouvido, eu simplesmente caminhei até a sala dela. E, de alguma forma, me passou despercebido bater na porta. Assim que girei a maçaneta, eu a abri e, quando iria falar alguma coisa, eu peguei a cena mais horripilante e surpreendente de toda a minha vida.
Parecia que, naquele momento, o tempo havia diminuído. Meus olhos estavam arregalados, a boca aberta, e a música que tocava no meu ouvido, era uma trilha sonora perfeita daquele momento.
A professora estava em cima da mesa, praticamente sem a blusa, e Adrian estava no meio das pernas dela, a beijando e tirando a sua roupa.
Os dois me fitaram com surpresa. Adrian, por sua vez, ficou surpreso e depois se transformou em raiva. Quando voltei para a professora, ela estava desesperada.
Seu rosto ardia de tão vermelho. Fiquei desnorteada. Esqueci até de entregar o papel. Saí dali, batendo a porta, andando rápido, como se fosse possível algum deles correr atrás de mim.
Desci as escadas tão rápido que poderia tropeçar em meus pés e cair. Bem, seria perfeito se livrar de mim para que ninguém descobrisse aquele segredo sórdido.
Então, eu cheguei no meu armário, peguei as minhas coisas e pensei em sair do colégio. Eu estava tão nervosa que parecia que era comigo. Eu não tinha feito nada de errado. Apenas peguei a professora se pegando com um dos seus alunos.
Isso era justa causa. E para Adrian, bem, com o dinheiro que os pais dele investem neste local, acho que nada afetava aquele i****a. Porém, quando achei que iria sair daquele castelo enorme que guardava segredos inóspitos, senti meu braço sendo puxado para um encanto.
Onde não havia ninguém. Era uma salinha pequena, onde guardava alguns objetos de limpeza.
Quando fitei o rosto da pessoa que me prendeu ali, engoli em seco, pois estava frente a frente com os olhos mais escuros e furioso que já vi. Adrian parecia mais do que furioso, acho que ele desejava me enforcar naquele lugar, onde ninguém iria me achar.
- Você é surpreendente, sabia? – Sua voz invadiu meus ouvidos, lembrando-me de quem sou. – Parece me perseguir.
Balancei a cabeça, libertando-me do transe e lembrando que não baixo a cabeça para um i****a, p********o, como ele.
- Perseguir você? – Questionei, irônica. – Me poupe, tenho mais o que fazer.
Tentei passar por ele, alcançando a porta, contudo, o homem, que tinha quase o dobro do meu tamanho, me impediu.
- Sabe, Luna, você é mais do que só irritante. – Contrário ao meu desejo, Adrian se aproximou ainda mais de mim. – O que viu, foi apenas um engano seu.
Sorri, ironicamente.
- Veio defender a sua namoradinha? – Acredito que toda a emoção que sinto é por saber que sabemos nos provocar. Nunca encontrei ninguém que batesse de frente comigo, como Adrian, e o bônus, mesmo eu odiando admitir é: o desgraçado tem seu charme, é bonito e me faz sentir viva, quando duelamos. – Não precisa.
- Olha aqui garota – Ele me empurrou, colocando contra a parede. Não me machucou, na verdade, deixou-me ainda mais presa naquele momento. Sentir sua respiração tão perto, e o calor do seu corpo, me deixava tonta. Não faço ideia do que esse b****a tem de tão diferente, que me deixa assim. – Sabe com quem está mexendo?
- Com um b****a, que acha que o mundo gira entorno dele. – Respondi, mas não consegui evitar de fitar seus belos lábios. Eu podia até sentir o meu coração batendo no peito. Adrian estava me sufocando, mas não literalmente. Era mais uma sensação, que prendia o ar e evitava que me libertasse daquele lugar.
Então, ele sorriu. Um belo sorriso sexy que tirou o meu folego.
- Sei o que você quer. – Franzi o cenho, sem entender. Adrian se afastou, minimamente, e começou a abrir os botões da sua camisa branca. – Está tão excitada que não consegue evitar, não é.
- O que está fazendo? – Fiquei nervosa, vendo aquela cena, e supondo o que ele faria. Peguei em sua mão, evitando que ele continuasse, porém, foi um erro, pois senti, duas vezes mais, o desejo crescer, ao sentir seu peito. Ele tinha razão, não posso evitar, contudo, posso me controlar. – Esse é o seu suborno?
- Eu poderia pagar, mas sei que sua família é tão rica quanto a minha. – Ironizou.
- É assim que esconde seus erros. – Continuei, dessa vez, olhando em seus olhos. – Prefiro morrer, ao t*****r com você.
A gargalhada quase foi alta o suficiente, para que alguém, no corredor, ouvisse.
- Se eu colocar a mão, entre as suas pernas, agora, vou sentir o quanto está excitada. Não vou? – Arregalei os olhos. Foi a primeira vez que ele me deixou sem graça. – Sabe? – Sussurrou perto dos meus lábios. – Acho que vou acabar gostando do nosso joguinho.
- Me deixe sair. – Exigi, nervosa. – Agora!
- Se abrir o bico...
- Não quero nem lembrar do que vi, seu i****a. – O interrompi. – Apenas me deixe sair, e nunca mais....
- Admita que você gosta disso. – Também me interrompeu, deixando-me muda. – Ouço seu coração batendo. Sua respiração falhando, o suor, sutil, que denuncia o quanto você fica excitada com essa nossa relação.
- Não sei de onde está tirando todas essas suposições.
- Suposição? – Se afastou. – Vamos ser honestos, um com o outro. – Juro que desejo m***r esse garoto. – Eu gosto disso, você também. Não é vergonha admitir que... – ele me olhou dos pés à cabeça, causando um arrepio na minha espinha. – Estamos excitados agora.
- Há, por favor – Fiquei nervosa. – Tenho mais o que fazer. – O afastei da minha frente, finalmente, alcançando a maçaneta. – Fique a uma boa distância de mim. Nunca mais vamos tocar nesse assunto.
Deixei a salinha, sentindo que perdi essa batalha. Ele sabia que mexia comigo, e nem consegui desfaçar. Com vergonha de mim mesma, sai da escola. O carro já me esperava. Entrei e me afundei no estofado, chateada.