Quando o Mary chegou, Luna desceu as pedras rapidamente. Luna não queria parar para conversar com sua mãe na internet sobre aqueles assuntos. Mas foi impossível escapar do seu pai, que abriu a porta e deu de cara com Mary, que sorriu nervosamente.
Quando ela chegou no fim da escada, viu seu pai conversando com a nova ameiga. Ela apressou os passos e os alcançou.
- Pai – O chamou, fazendo-o virar e encara-la. Luna não estava com roupas exageradas, não era seu estilo. Ela amava a cor preta, então estava com um vestido, que ia até sua coxa, um casaco da mesma cor, e um tênis que combinava com o conjunto. Nervosa, Luna colocou uma das mechas de seu cabelo, atrás da orelha. – Essa é a minha amiga, Mary.
No fundo, a amiga ficou orgulhosa. Essa era a primeira vez que ouvia Luna a chamando assim. Lorenzo, por outro lado, ficou surpreso com a novidade de que sua única filha, que antes, declarava seu desgosto por festas, agora, estava indo a uma.
- Acabo de saber que está indo a uma festa. – Comentou. – Achei que não era seu estilo.
- Bem, devo confessar que é minha culpa. – Mary Ann se pronunciou, fazendo Lorenzo a olhar, novamente. – Eu praticamente implorei que ela fosse comigo. – Explicou, nervosa.
A garota achou o pai da amiga, um homem muito lindo, e seu olhar a deixava vermelha de vergonha. Luna percebeu isso, algo que não gostou, mas seu pai não pareceu perceber.
- Certo – Voltou a encarar a filha. – Volte...
- Pai, eu ainda sou a Luna, sei que não posso voltar tarde, e é algo que também não quero. – Disse, ao passar por ele. – Não vou beber, não gosto de fumar, e sou chata demais para cometer alguma infração.
- Fico feliz.
Sendo assim, ela sai, puxando a amiga, ainda boba com o pai da amiga, no qual Luna murmura, em um tom ameaçador.
- Se não parar de olhar para o meu pai assim, vou furar seus olhos.
Mary engoliu em seco, se sentindo como uma i****a.
- Desculpa, eu não queria...
- É, então, vamos logo.
As duas entram no carro, que parte para a casa, onde a festa estava acontecendo.
Do outro lado, Adrian estava enfrentando uma situação parecida, só que, seu pai, era bem mais exigente do que o de Luna.
- Eu já disse que odeio essas festas. – Nathan, preocupado, andava pelo escritório, enquanto o filho o observava. Adrian não queria ir, mas seus colegas insistiram, e Luna estaria lá. Ele não sabia qual a importância disso, mas era um incentivo para ir. Além do mais, ele queria se sentir comum. – Você é diferente dos demais.
- Mas meus amigos não sabem disso. – Apontou. – Só quero me sentir um adolescente, pelo menos um pouco.
O pai sabia o que era isso, mas parecia que Adrian não entendia os porquês de tanta preocupação.
- Adrian, você é um Lobo em transformação.
- Hoje não é lua cheia. – Apontou. – Ainda consigo me controlar.
- Não consegue, e mesmo que não seja lua cheia, corre o risco de....
- Eu não vou. – O interrompeu. – O que de r**m poderia acontecer?
- Você beber, ficar irritado e machucar alguém.
- Sabe que álcool não nos afeta, como os humanos.
- Adrian...
- Pai, por favor. – Melissa já tinha conversado com Nathan sobre pegar leve com o filho. Ele não fazia por m*l. Só temia que algo r**m acontecesse. Ele amava seu filho e odiaria ter que mexer os pauzinhos para o proteger de alguma coisa.
- Certo – Cedeu, deixando Adrian feliz. – Mas j**k vai com você. – Não era uma surpresa que seu pai enviaria um dos seus para o espionar. – Nada de bebida, não se meta em brigas e...
- Eu sei de tudo isso. – O interrompeu. – Agora, tenho que ir. – Adrian saiu de casa, antes que seu pai, mudasse de ideia.
***
A casa estava cheia de adolescentes, música alta, o que desagradava os ouvidos de Luna, que não estavam adaptados para isso. Mas ela fingiu sorrir e adentrou o lugar, onde muitos ficaram até impressionados com a presença dela.
Até a própria Luna estava surpresa, se não fosse pelo seu plano de encontrar Adrian em seu habitat natural, ela não estaria ali, e não importava o quanto sua melhor amiga naquele momento insistisse.
Luna ficou desconfortável com os olhares de alguns, mas passou por eles, indo para um canto, observando tudo e todos. Ela ainda não sabia como os pais daqueles adolescentes permitiam que eles fizessem uma festa assim, tão inapropriada para sua idade.
Havia bebidas, pessoas se pegando e quase fazendo coisas a mais, bem na sala. Ela revirou os olhos e passou para o lado de fora, onde tinha uma piscina e mais bebidas. Luna então cruzou os braços, enquanto Mary Ann olhava ao redor.
Era a primeira vez que a garota estava ali, e tentava se informar. Era algo pessoal para Mary Ann, porque ela precisava se sentir no meio da sociedade adolescente do seu colégio, diferente de Luna que não estava nem aí.
Então, os olhos da garota curiosa enxergaram o seu alvo. Adrian tinha acabado de chegar. Trazia com ele um cara mais velho, talvez uns 10 anos mais velho do que ele, que não adentrou muito a festa, apenas ficando no canto, o observando.
Adrian estava com seus alertas ligados, e parecendo adivinhar, olhou em direção a Luna, que o massacrava com seus olhos. Ele odiava aquela garota, odiava mesmo, como ela conseguia ser tão odiável aos seus olhos.
Bem, não sabia. Tudo que Adrian sabia era que aquela garota tinha algo diferente, algo que o fazia odiar, ao mesmo tempo que tentava a proteger de alguma coisa. Era como um instinto, mesmo ele não fazendo ideia do porquê.
- Eles vivem a vida muito intensa. – Comentou Mary. – É estranho.
- São imaturos – Luna se pronunciou. – Não sabem que podem pega doenças, virarem alcoólatras e viciados, se continuarem fazendo o que estão fazendo.
- Acho que não se importam.
Obvio que não. Impressionando as duas, Um dos garotos, que com certeza estava bêbado, puxou Mary para dançar, no qual ela deu uma olhada para trás, vendo a amiga, e dizendo só com o olhar: "o que devo fazer?"
Luna não sabia da resposta e quando viu outro colega se aproximando, levantou a mão, em negação. Ela não estava ali por diversão.
Saindo dali, ela disfarçou, indo em direção a Adrian, que desviou dela, saindo e conversando com outro colega.
Luna mordeu os dentes, furiosa. Ele estava a evitando. Ela tentou umas duas vezes, e irritada, Luna decidiu ir direto ao ponto, indo em direção onde estava j**k, para a surpresa de Adrian.
- Você é o amigo de Adrian, que vi no outro dia. – Ela foi direta. j**k franziu o cenho, confuso. Nunca tinha visto a garota. – Está aqui para monitora-lo?
- O que? – Franziu o cenho.
Do outro lado da festa, Adrian arregalou os olhos. Aquela garota era louca. Foi direta, na noite passada, o assustando. Se tinha coragem de dizer aquilo a ele, o que diria a j**k?
- Faz parte da seita? – Correndo até onde estavam, Adrian tentava evitar que ela abrisse o bico. Ninguém tentava falar sobre lobos, se não fizesse parte da alcateia. Seu pai era bem exigente, e desde o último ataque de caçadores, ele deu a ordens para evitar que esse segredo viesse à tona.
- Seita? – j**k já estava em alerta. Adrian prévio que ele iria ser mais incisivo, porém, chegou a tempo.
- Luna – A abraçou por trás, a puxando para longe de j**k. –Deixa ela comigo. – Riu.
- Ela queria saber sobre a seita. – j**k não era bobo e não iria esquecer.
Adrian apertava tanto o corpo de Luna, que a impressionava. Ela estava prestes a pisar em seu pé, para que ele a soltasse.
- Ela bebeu demais. – Explicou. – Luna fala muita besteira, quando bebe.
- Eu sou fraca para bebidas. – Deu um sorriso nervoso, quando viu uma certa preocupação no rosto de Adrian.
Ele a arrastou dali, e os que estavam em volta, até se impressionaram. Estavam de mãos dadas, algo que Luna nunca imaginou fazer. Contudo, achou que tinha conseguido chamar a sua atenção.
continua...