Luna
Adrian me carregou para dentro da casa barulhenta. Aquele som, quase alto demais, incomodou os meus ouvidos, assim como eu achei que também incomodou os dele.
Ainda com nossas mãos entrelaçadas, subimos sem perguntar se poderíamos fazer isso, pois a casa não era nem minha nem dele. Para o segundo andar, onde ele me colocou em um quarto e fechou a porta.
Quando voltou a me encarar, senti que estava com raiva. Claro, eu tinha provocado isso. Talvez assim ele parasse de me ignorar e fugir de mim. Até parecia que eu iria matá-lo.
Eu só queria conversar. Com certeza estou certa sobre minhas teorias e a única pessoa que poderia saber como estava me sentindo e qual a conclusão estava acontecendo naquela cidade era justamente a pessoa que eu mais odiava. Que irônico, não?
Eu estava completamente perdida e a pessoa que poderia me ajudar a me encontrar me odiava, assim como eu a ele. Eu confesso que, pouco a pouco, Adrian conseguia me fazer entendê-lo.
Afinal, se eu tivesse tantos segredos e tantas dificuldades como tenho agora, também começaria a ficar m*l-humorada e odiar todo mundo ao redor.
Curiosamente, eu senti a mesma coisa, só que desde que eu descobri que sou uma feiticeira, comecei a mentir demais, até para mim mesma. Eu cruzei os braços, ignorando a sua face irritada, que se aproximou de mim lentamente.
- Você não me assusta. – Cruzei os braços, levantando o nariz. – Era a unia forma de chamar a sua atenção.
- Faz ideia do perigo que passou, indo fazer perguntas para o j**k? – Ele pareceu agitado. Aposto que está exagerando.
- Eu não sou boba...
- Acho que é. Sabe o que ele faria? – Franzi o cenho, confusa. – Diria ao meu pai, que uma humana sabe do nosso segredo. Todos da matilha iriam atrás de você e da sua família, achando que são caçadores.
Bem, eu não pensava por esse lado. Afinal, não seria tão direta. A única pessoa que me sinto confortável em falar algo era o próprio Adrian.
- Não exagere. – Comecei a bater o pé no piso, nervosa. – Além disso, eu não precisaria, se não estivesse me evitando.
- Você é insuportável.
- Penso o mesmo de você. – Irritada, o encarai. Ele estava a centímetros de mim, possibilitando que eu sentisse seu calor. Ele era quente. Mais do que o normal. Seu porte atlético me deixava desconcertada. Era uma atração que não tinha explicação. Fiquei sufocada em saber que eu estava em um quarto, a sós, com Adrian Bolton. – Mas vamos superar isso.
Ele revirou os olhos para mim, resmungando, saindo de perto.
- Garota, fica longe de mim, e de boca calada. – Achei que ele sairia do quarto, fugindo, novamente, por isso, corri até a porta, o impedindo de passar.
- Olha aqui, eu estou desesperada por respostas.
- Você é louca.
- Com certeza eu estou ficando. – Apontei. – Eu não queria estar nessa cidade. Desde que pisei aqui, não consigo ser eu. Fui inundada por informações sobre meus antepassados, vejo aberrações, ouço vozes, falo com minha avó morta, onde descobri que sou uma feiticeira, que existem lobos, que devo desencantar uma cidade e libertar as criaturas sobrenaturais, pois, aparentemente, todos que descendem de mim e de você, continuam presos no plano astral.
Até fiquei sem ar, de tão rápido que falei. O b****a me encarou com o cenho franzido, incrédulo.
- Você é o que? – Ainda duvidava.
- Por Deus, Adrian, você é um lobo, não acredita que sou uma bruxa? – Aparentemente, ele acreditou. Tanto que ficou nervoso, passando a mão sobre seus cabelos. – Só posso falar isso com você. Há, claro. – Lembrei. – Meio que eu e você, estamos ligados.
Rapidamente, ele me encarou com estranheza.
- O que você disse?
- Minha avó, morte, disse que eu estou ligada ao filho do alfa, no qual deduzo que seja você. – Adrian, riu e eu não soube identificar se era sarcasmo ou nervoso – Temos que quebrar a maldição.
- Garota – Fechou a mão no ar. Acredito que ele se imaginava apertando a minha cabeça. Até entendo. Acredito que depositei muita informação na cabeça dele. – Eu nem consigo controlar a minha raiva. Posso me tornar um lobo, definitivamente, por conta disso. Agora você me diz que somos o destino, um do outro, e que vamos quebrar uma maldição?
- Exatamente isso. – Sorri. – Há, e não ache que estou gostando. Eu ainda odeio você. Eu também não sabia que era uma feiticeira, e não sei usar magia. Então, você não é o único que está em uma situação complicada.
- Você ouviu quando eu disse que posso me tornar um lobo por definitivo?
Cerrou os olhos e a mandíbula.
- Certo, é outro problema que temos que resolver.
Ele respirou fundo e disse:
- Eu sei como resolver. – Até fiquei animada, mas ele disse: - Não fala mais comigo.
Pôs a mão na maçaneta, contudo, eu me encostei a porta.
- Olha aqui, seu b****a, eu não sou enfrentar tudo isso sozinha. – Eu desejava dar um soco nele, porém, não acho que seria inteligente da minha parte. – Você tem problemas, eu também tenho. Tenho que aprender magia, você tem que aprender a se controlar. Então, vamos facilitar as coisas. Você e eu trabalhamos juntos e depois que a maldição for quebrada, nunca mais falamos um com o outro.
Na minha cabeça, isso fazia sentido.
Adrian ficou parado, olhando em meus olhos. Forcei, achando que poderia ler seus pensamentos, mas ele, ainda me impedia.
- Você quer parar de fazer isso?
- Fazer o que? – Fiquei confusa.
- Sei que quer entrar na minha mente. – Arregalei os olhos. Eu não sabia, se isso era, realmente, possível, contudo, aparentemente é. – Tudo bem.
- Serio? – Fiquei animada.
- Contanto que você suma da minha frente, depois disso, eu topo.
- Há, que bom. Eu também quero me livrar de você.
- Ótimo. Agora, sai da minha frente.
Peguei meu celular, e estendi para ele.
- Coloca seu número. – Ele franziu o cenho, encarando o aparelho. – Como vamos nos comunicar, se não tenho seu número.
- Sussurra e eu ouço. – Claro, ele tem a audição apurada.
- E se eu estiver em casa? – Lembre-o. apôs revirar os olhos, ele pega e finalmente coloca o número, me devolvendo. Sendo assim, saiu da sua frente e ele abre a porta.
- Vai para casa, agora!
É engraçado como ele acha que manda em mim.
- Desde quando eu obedeço a você?
- Desde de que aceitei ser seu ajudante. Agora, eu quero ir embora, mas não posso deixar você, por aí, com toda essa informação.
Depois de guardar o aparelho, cruzo os braços, fazendo uma careta.
- Querido, se você se ferrar, eu me ferro. Além do mais, quem vai acreditar em mim?
- Vai para casa! – Foi incisivo.
- Eu odeio festas mesmo. – Dei de ombros, também saindo dali.