ancestrais

1528 Palavras
Luna não fazia ideia do que estava fazendo, indo, sozinha, para a cabana. Ela não queria a intromissão dos espíritos das suas antepassadas, contudo, ela imaginava que era o único lugar onde poderia praticar, ou tentar, a magia. Ela não sabe, também, como invocar o caos. Nem mesmo aprendeu bruxaria, nem encantos, como faria tudo isso sozinha, tendo que cuidar de si mesma e de Adrian, que estava sendo usado para a atingir. Ao chegar, ela encarou a cabana, maltratada pelo tempo e a falta de cuidado e não sabia por onde começar. O que diria? Tentaria invocar alguma coisa daquele livro? Mas como? Tudo o que tem ali é pura magia de bruxa, e a única coisa diferente é a parte onde as suas ancestrais invocaram o caos. Não havia um manual de como usar, como pronunciar. Nem tinha uma professora. Luna, então, caminhou até as escadas, onde sentou em um dos degraus, tirou o livro e o abriu, olhando para a página onde havia um desenho. Era uma mulher que flutuava no ar. Seus cabelos ondulados e longos, voavam assim como o desenho da silhueta. A mulher vestia uma calça colada ao corpo, uma blusa, com calda e uma tiara, desenhada em sua testa, onde no centro, uma pedra vermelha chamava a atenção. Luna não fazia ideia se era ela. Apesar das características, parecia mais velha. Ela encarou a pintura, curiosa, passando seus dedos sobre os detalhes. Runas, no qual ela ainda não conseguia ler, estava desenhada ao redor. Ela parecia hipnotizada. O clima mudou, um vento atingiu o lugar e a garota não havia percebido. As folhas dançavam a sua frente, enquanto ela ainda estava presa no desenho. De repente, ela sentiu uma energia atravessar seu corpo, a deixando ligada. Ao olhar, novamente, para o livro, pode entender o que significava. Cada uma significava algo. Salvadora. Governante. Realidade. Caos. Ao perceber, Luna se impressionou. Como fez aquilo? A garota se levantou, ainda com o livro nas mãos, olhando para o redor, pensando, confusa. Como eu consegui ler isso? Bem, ela não sabia. Empolgada com a descoberta, ela passou as páginas, leu o feitiço e o entendeu. - O que está acontecendo? - Perguntou a si mesma. - Como, do nada, consigo ler isso? Aquela não foi a única coisa surpreendente que aconteceu. Uma mulher, uma das inúmeras ancestrais, estava ali, no plano físico. Não em matéria, mas sim um astral. - Parabéns. - Zombou a mulher. Luna fechou o livro com rapidez e o escondeu em seu corpo. Ela não tinha a reconhecido. A desconhecida tinha pele escura, cabelos cacheados, usava uma roupa fora de moda. Algo medieval. - Jura? - Levantou uma das sobrancelhas. Luna, ainda com os olhos arregalados e assustada, recuou, vendo a mulher se aproximar. - É uma ofensa não reconhecer uma das suas ancestrais. - Espera - Se tocou, franzindo o cenho. - Estou no outro plano? - Olhou ao redor. Bem, era fácil saber onde estava. Pelo menos, foi assim das duas últimas vezes. Ela sentia a energia. Parecia estar no passado, e não era isso que acontecia, no momento. - Eu quem veio atrás de você. - Explicou. - Vejo que está descobrindo os truques. - Que truques? - Continuou desconfiada. - E como está aqui? Achei que não podiam fazer isso. A mulher, no qual não tinha se apresentado ainda, revirou os olhos. - O colar que está usando. - Explicou, fazendo Luna olhar para o pingente que sua mãe lhe deu. - Posso usá-lo como ponte. - Certo, mas você não deveria estar aqui. - Resolveu descer. O barulho das folhas secas, partindo-se, cada vez que andava, ecoou. - Além disso, estou furiosa com vocês. A gargalhada debochada da nova amiga, a fez franzir o cenho. A mulher, então, ironicamente, se curva e diz: - Heloise, sua mentora. - Luna cruzou os braços, chateada. - A garotinha mimada ficou com raiva? - Não preciso de uma mentora. - Ela ficou irritada. Esse novo espirito estava a deixando furiosa. - Posso fazer isso sozinha. - É, eu vi todo o seu drama. - As duas estavam frente a frente. Luna era muito teimosa, e não gostou da outra garota, que parecia ter em torno de vinte e poucos anos. - Olha, você precisa de nós, querendo ou não. - Já me ajudaram bastante, quando me deram um poder que não sei controlar. - O poder do caos é incontrolável. - Explicou. - Ótimo. - Sem treinamento. - Adicionou. - Você deve aprender a se controlar, antes de tentar controlá-lo. - Não sei se reparou, mas... não tenho muito tempo. - Resolveu andar para longe. - Tenho que aprender a usar. Preciso de um feitiço de p******o, ou uma bruxa maléfica usará o Lobisomem que, aparentemente, é ligado a mim, contra mim mesma. - Claro, o lobinho. - Olha - Virou-se repentinamente, furiosa. - Se não veio me ajudar, vai embora! - Sou a pessoa que mais sabe como funciona o poder do caos. Fui eu quem começou com toda essa m***a, ou seja, eu fui a pessoa que idealizou esse plano, então, acalma-se. - Não é você quem deve controlar algo que não sabe nem usar, que tem inúmeras responsabilidade, que não pediu, nas costas, uma bruxa perseguidora e ainda tem que esconder de todo mundo, o que é. - Que bom que não vive na época medieval, docinho, ou seria difícil esconder. Seria condenada e queimada viva, por algo que, não escolheu. - Heloise tinha a mesma personalidade, forte, que Luna. Talvez fosse por isso que elas não estivessem se dando bem. - Acho que você vai gostar de uma viagem. - Falou, indo até Luna, tocando em sua cabeça, e a transportando para um passado doloroso da própria Heloise. - O que...? - Luna foi emburrada para um tempo onde tudo era mais sombrio. Ouviu pessoas vindo, e ao olhar para a cabana, ela não existia. Ela arregalou os olhos e viu Heloise, dessa vez, viva. - Que m***a é essa. Heloise andava rápido, vestindo um longo vestido, típico da época. Combinava com sua pele. Era sensual. Ela parecia andar depressa, correndo de alguém. A mulher segurava algumas coisas em sua mão. Um frasco, galhos secos, e outras coisas que Luna não conseguiu identificar. Como não conseguia se comunicar com a mentora, ela decidiu a seguir. Vendo Heloise entrar em sua casa, fechar a porta, respirar fundo e, com magia, mover algumas coisas do lugar. No centro da pequena sala, havia velas acesas. Desenho de pentagrama no chão, onde ela se sentou no meio, distribuindo o que havia pegado. Luna não fazia ideia do que estava acontecendo, nem como sair dali. Heloise pronunciava um feitiço. Aos poucos, o vento começou a bater forte na janela, as velas ameaçavam apagar, os olhos da morena ficaram brancos, enquanto seu corpo levitava. Luna arregalou os olhos, ela parecia entender. Era uma invocação. De repente, a luz da lua cheia apareceu, no centro. Heloise então, começou a dizer coisas, em latim, tornando o vento ainda mais forte. A invocação do caos. Heloise sabia que não conseguiria fazer isso sozinha. Não se brincava com o caos, e isso chamaria a atenção de todos. Quando acabou, a mulher estava, novamente no chão. A única coisa que restou foram as velas, pois até o pentagrama havia desaparecido. Porém, a noite não estava acabada para ela, pois em pouco tempo, homens invadiram a sua casa, pegando Heloise pelos braços, no qual não resistiu. Curiosamente, a mulher pareceu enxergar Luna, que saiu da casa, seguindo os homens. A garota viu Heloise sendo levada para o vilarejo, onde todos que moravam ali, se reuniam. Ela foi colocada em um grande troco, cercado por lenha, onde foi presa e Luna sabia o que iria acontecer. Pediu para ir embora. Ela não queria ver, mas foi impossível. Quando os gritos da mulher começaram, Luna fechou os olhos e derramou algumas lagrimas. Quando abriu os olhos novamente, estava de volta a sua realidade. - Todas nós nos sacrificamos para criar você. - Heloise disse. - Fomos perseguidas, mortas, queimadas. - Por que se sacrificar tanto? - Luna ainda estava abalada. - Estávamos presas. - Revelou. - Quando moremos, vamos para aquele lugar. Revivemos nossas mortes todos os dias. Os lobisomens, nos persegue, e... mesmo mortos, ainda sentimos dor. - Espera, por quê? - A maldição criada. - Explicou. - A bruxa primordial prendeu todos os seus descendentes, os lobos. E continua usando a nossa ligação para fazer m*l aos que estão vivos. - Como? - Ligação de sangue, você ainda vai aprender. - Não quero aprender isso - Pelo amor de Deus. - Revirou os olhos. - Não! - Foi enfática. - Vocês me deram o poder do caos. - Invocamos o caos. - Corrigiu. - Você foi criada. Ele tomou forma. Para usá-lo, terá que se conectar a essa energia. Mas saiba que é muito perigoso. - Eu já li. - Informou. - Acha mesmo que as informações que lê, por aí, vai ajudá-la a entender o caos? - Pelo menos sei de algo. - Então vamos começar com: levitação. - Levitação? - Levantou uma das sobrancelhas.
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