Luna
Eu realmente desejava aprender magia e descobrir muito mais sobre mim. Contudo, eu não achava que aquela era a hora certa.
Quando fui para a cabana, eu queria ficar sozinha, fazer tudo sozinha. Mas consigo compreender que é impossível aprender algumas coisas sem ajuda.
Quando a Heloise apareceu, eu fiquei bastante irritada. Aquelas mulheres simplesmente criaram uma vida para mim, que eu não escolhi. Ir ao passado revisitar as lembranças dolorosas de Heloise me fez entender um pouco o sacrifício que elas fizeram.
E com base em tudo que vi, parece que o carma que precede a nossa família, pulou de geração em geração. Isso acabaria comigo.
Pois, sendo a feiticeira, eu teria que derrotar a bruxa primordial, libertando a cidade e todas as criaturas, bruxas e lobos. ·Eles estariam em paz para sempre.
Eu tinha apenas 17 anos. Como exatamente seguirei o meu caminho e aprender mais sobre mim, sendo que tenho todas as dificuldades e barreiras da adolescência?
O colégio, esconder dos meus pais que sou uma feiticeira que tem que quebrar uma maldição criada por uma bruxa da minha família. Além disso, tenho o Adrian.
Ele estava sendo usado para me atingir. Como se não bastasse, uma bruxa que não fazia parte da minha família, estava atrás de mim. Então, tudo isso estava me causando uma grande dor de cabeça. E a princípio, eu precisava proteger Adrian para proteger a mim.
Sei que, quando ouvi a palavra levitação, o meu coração acelerou e fiquei empolgada. Mas, antes de mais nada, eu tinha que resolver este problema. Poderia deixar os treinamentos de magia para depois. Então, eu virei para a Heloísa, mais calma e compreensiva e falei:
- Eu adoraria aprender todos esses truques, mas - Ela cruzou os braços, me olhando f**o, quase me dando uma bronca. - Preciso de um feitiço de p******o. - A mulher tinha uma personalidade forte, assim como eu, e ela parecia estar apressada para me ensinar, quanto antes, a usar o caos. - Não dá para ser a salvadora, se tiver um lobo furioso, influenciado por uma bruxa do m*l, atrás de mim.
Ela mordeu seus dentes e descruzou os braços, parecendo entender o meu dilema.
- Tudo bem. - Aceitou. - Se o lobinho estiver sendo usado contra você, o plano pode dar errado.
- Falando nisso, por que preciso do Adrian? - Franzi o cenho. - É só porque ele é um descendente do lobo original?
Ela riu, debochada.
- É, e você precisa de p******o. - Explicou. - Além disso, vai precisar do sangue dele, ou seja...
- Espera, não vou sacrificá-lo. - Fiquei horrorizada.
- Não é nada disso, sua boba. É uma ligação de sangue, mas... aprenderemos o básico.
- A p******o. - Lembrei.
***
Eu estava muito empolgada. Heloise me ensinou como encantar um objeto para proteger alguém. Foi a primeira vez que usei magia e queria usar magia.
Das outras vezes foram intencionalmente, ou com raiva, ou para me proteger. Eu estava muito empolgada para continuar aprendendo. Mas antes, eu tive que procurar Adrian.
Quando mandei mensagem, ele de novo respondeu. Fiquei muito furiosa, mas não era uma novidade. Aquele garoto vivia para me provocar e chatear.
Ele só me atendeu quando eu disse que iria até a sua casa. E eu sabia que ele não queria que eu fizesse isso. Por isso, resolvi me encontrar no local onde marquei.
Passei alguns minutos andando em volta, esperando por ele. Aquele dia estava nem frio, nem muito quente. O suor caía sobre o meu pescoço. E eu não sabia se isso era uma reação de ansiedade ou nervosismo.
Quando ele se aproximou, estava com aquela expressão de sempre. Chateado e fingindo que me odiava. Estava na hora de nós dois se dar bem.
Afinal, ligados um ao outro, não sairíamos desta cidade antes que eu quebrasse a maldição. Resolvi o tratar da melhor forma possível, apesar de que a maioria foi uma ironia e deboche.
Adrian se aproximou lentamente, parecendo desejar prolongar a nossa distância. Revirei os olhos, sorri e fui até onde ele estava.
- Você deveria estar feliz, é um dia maravilhoso.
- Sua animação me preocupa mais do que aquela bruxa me usar. - Ele cerrou os olhos, me encarando. - Por que você é tão irritante?
- Por que está se esforçando tanto para me odiar? - O garoto era bem maior do que eu, me forçando a levantar a cabeça para o encarar. Ele não respondeu. Senti como se tivesse ganhado a briga, pois ele resolveu desviar seus belos olhos castanhos escuros, de mim. - Deveria me agradecer, já que - Estendi o pingente em sua frente. Adrian franziu o cenho ao encará-lo. - Criei uma p******o para você.
- Você... - Abri o fecho do colar, passando a peça pelo seu pescoço, mas para isso tive que me esticar, ficando na ponta dos pés, o que me fez ficar ainda mais perto do seu rosto, o fechando. Quando percebi, estava encarando seus olhos e seus belos lábios, que pareciam ímãs, chamando os meus. - O que está fazendo?
Foi aí que notei o qual tola estava sendo. O que pensei em fazer?
Voltei a minha posição anterior, pigarreando, tentando disfarçar o constrangimento.
- Como eu disse, um feitiço de p******o. Agora, a bruxa não vai mais usar você. Contudo, não pode tirar.
O silêncio foi constrangedor. O que faço agora? Saiu correndo?
Não! Eu nem queria que ele fosse embora. Nós nunca paramos para conversar de verdade. Sempre estávamos nos encontrando em situações de perigo, ou nos provocando. Realmente me sinto cansada.
- Ok - Disse pegando o pingente, que era verde, em uma corrente dourada, que era parte de um colar meu. Sei que é bem feminino, mas era a única coisa que eu tinha. - Então...
- Sabe - O interrompi, sentindo que ele diria para irmos embora. - Acho que preciso saber como as coisas funcionam para vocês. - Adrian franziu o cenho, confuso. - Como vocês vivem, já que estão presos aqui?
- Quer saber sobre nós? - Duvidou. Fiz que sim, com a cabeça. - Por quê?
- Adrian - uma dose de adrenalina me atingiu, fazendo com que eu me sentisse tudo acelerado. - Estou cansada de forçar uma inimizade com você.
- Forçar? - Levantou uma das suas sobrancelhas. - Achei que era supernatural.
Era um claro deboche.
- É natural me irritar com as suas provocações, com o deboche, mas eu não quero ficar brigando e... - Eu diria, arranjando motivos para nos encontrar. - Podemos ser amigos. Pelo menos até quebrar essa maldição.
- Amizade? - Pensou. - Acho melhor ficarmos como estamos.
- Inimigos que se ajudam? - Cerrei os olhos.
- Isso. - Foi duro.
Está vendo! Do que adiante ser boazinha se ele é um grosso. Não está nem aí para você. Tenho certeza que só me protege por causa da maldição e dessa ligação i****a.
- Então está bem. - Resolvo aceitar, chateada. - Tenha um bom dia. - Falo, antes de me virar e andar para longe dele.
Sua boba i****a. O que deu em você?
- Luna - o ouço falar. Não sei o porquê, mas paro. Evito me virar, pois ele notaria o quanto fiquei chateada com isso. - Nossas famílias se odeiam a gerações. - Revelou. É, isso eu sabia. - Não sei o porquê isso está acontecendo conosco, mas... - senti um tom de decepção. O que isso significa? - É melhor continuarmos assim.
- Assim? - Virei-me, irritada.
- Se meu pai descobrir sobre você, e de quem descende - Fez uma pausa, para respirar fundo. - Ele iria odiar saber que estamos nos vendo. Odiará saber que somos amigos. Porque... para ele, e todos os outros, vocês são nossos inimigos mortais.
- Adrian - Penso sobre o que ele falou. Nossas famílias estão conectadas, tudo por causa de uma traição. Uma maldição e uma mulher louca. Mas nenhum de nós tem culpa pelo que ela fez. - Nosso passado não nos molda. E não é porque seu pai, ou antepassados, me odeiam, que odeio você. - Ele franziu o cenho, pensando no que falei. - Odeio o que faz. Odeio quando me provoca, mas não odeio você.
- Eu não odeio você, também. - Ficamos um tempo nos encarando. Eu não sabia o que isso significava, pois ele havia dito que não queria a minha amizade. E nem eu sabia o porquê queria a sua. - Você vai ao encontro?
Droga! Ainda tem isso.
- Bem, eu queria dizer que não. - Ri, pensando. - Mas...
- Então te vejo a noite.
Fui surpreendida, devo confessar. O que isso significa?
Adrian era uma icônica para mim. Aposto que ele adora me deixar confusa.