Pov
Luna estava em frente ao espelho, terminando de se arrumar para o encontro em pares. Ela não estava nem um pouco animada para sair de casa, muito menos para um encontro. Suspirou, ajustando a alça fina do vestido preto de bolinhas. Trocar a roupa duas vezes não ajudou em nada; acabou aceitando o que vestia agora. Por cima, vestiu uma jaqueta preta, e calçou suas botas de sempre. Estava ansiosa e nervosa, mas não pelo encontro com o colega de escola. Adrian estaria lá. Mesmo depois da revelação decepcionante de mais cedo, uma parte dela ainda tinha esperanças e desejava vê-lo.
Luna passava a mão pelo cabelo, tentando controlar os fios teimosos. "Por que ele tinha que ser tão complicado?"pensava. Adrian era um mistério que ela não conseguia decifrar. Cada tentativa dele de afastá-la só aumentava seu interesse. Disse a si mesma que não importava o que acontecesse, iria descobrir o que realmente se passava por trás daquela fachada.
Seus pais ainda não voltaram de Londres. Deixaria um recado com a governanta, dizendo que iria sair com alguns amigos e voltaria cedo. Respirou fundo, deu uma última olhada no espelho e saiu do quarto. "Vai ficar tudo bem," murmurou para si mesma, embora não estivesse convencida. A noite prometia mais do que apenas um encontro.
Adrian estava no quarto, olhando-se no espelho e ajustando a gola da camisa. Ele estava nervoso, e isso o irritava profundamente. "Por que esses sentimentos ficam tão perturbados quando a Luna está por perto?", ele se perguntava. Tentava afastá-la, dizendo aquelas coisas cruéis, mesmo sem querer.
Ele havia se colocado naquela situação e não sabia como sair. O ciúme o consumia ao pensar nela sozinha com seu colega, e foi isso que o levou a se intrometer no encontro que deveria ser apenas entre os dois.
A presença de Luna na cidade havia virado sua vida de cabeça para baixo. Ela não era apenas uma garota irritante e desconhecida; ela era uma ameaça.
As ancestrais dela haviam transformado a vida da família dele em um inferno, e a simples ideia de seu pai descobrir que uma descendente da bruxa primordial estava por perto o aterrorizava.
Afastar Luna era uma forma de p******o, não só para ele, mas para todos ao seu redor. Qualquer suspeita poderia atrair os caçadores e trazer consequências terríveis.
Enquanto ele tentava controlar a ansiedade, sua mãe entrou no quarto e o encontrou naquele estado. Ela nunca viu seu filho tão nervoso, especialmente se preparando para um encontro. Ele tentou disfarçar, mas sabia que sua mãe o conhecia bem demais para ser enganada.
- Adrian, o que está acontecendo? - ela perguntou, com uma preocupação evidente no olhar.
Ele suspirou, tentando encontrar as palavras certas.
- Nada, mãe. Só... é só um encontro, nada de mais.
Ela arqueou uma sobrancelha, incrédula.
- Não me venha com essa, Adrian. Nunca vi você assim. É sobre essa garota, Luna, não é?
Adrian desviou o olhar, incapaz de esconder a verdade.
- Eu só... não sei o que pensar dela. Ela me deixa confuso, e é irritante.
Sua mãe se aproximou, colocando uma mão gentilmente em seu ombro.
- Isso é uma forma de dizer: estou com ciúmes.
- Mãe! - A repreendeu. - Só vou acompanhar um amigo.
- Então me diga, por que aceitou ir em um encontro do seu amigo?
- Vou acabar me atrasando. - Tentou fugir. - Não vou chegar tarde. - Beijou sua testa.
Luna empurrou a porta da pista de boliche, sentindo o aroma familiar de óleo de pista e batatas fritas. Mary Ann, ao seu lado, sorria de orelha a orelha, ansiosa pelo encontro duplo que ela mesma havia marcado.
Luna, por outro lado, sentia uma mistura de revolta e curiosidade. Detestava encontros, especialmente quando envolviam Adrian. Ainda assim, a pista de boliche tinha algo de interessante e, sendo ela tão competitiva, talvez a noite tivesse um lado bom.
O ambiente era casual, com luzes suaves refletindo nas pistas perfeitamente polidas. Grupos de amigos e casais jovens ocupavam algumas mesas, enquanto crianças corriam ao redor de seus pais, carregando bolas coloridas.
Ao fundo, uma jukebox tocava músicas dos anos 80, dando um toque nostálgico ao lugar. O bar ao lado servia lanches simples e milkshakes, e Luna podia ver um casal compartilhando um enorme sorvete. Era um ambiente acolhedor, perfeito para uma noite tranquila.
Luna apertou a jaqueta contra o corpo, sentindo o friozinho do ar-condicionado. Mary Ann, com os braços entrelaçados aos dela, caminhava em direção às mesas.
Ao longe, um rapaz acenou. Luna não se lembrava do nome dele, mas ele estava com Adrian. E era Adrian que prendia toda a sua atenção.
Adrian levantou-se, a jaqueta preta contrastando com a camisa da mesma cor. Estava casual, mas cada detalhe nele parecia meticulosamente pensado.
Seus cabelos negros caíam levemente sobre a testa, dando-lhe um ar despretensioso e, ao mesmo tempo, cativante. Ele não parecia exatamente feliz, mas havia algo em sua expressão - um misto de ciúme e admiração - que fez o coração de Luna bater mais rápido.
Ela sabia que ele estava impressionado, tanto quanto ela estava. O vestido que Luna escolhera, simples, mas elegante, parecia ter sido a escolha certa. Adrian olhava para ela como se fosse a única pessoa naquele lugar. A raiva que sentia por ele parecia dissipar-se ligeiramente ao perceber que, talvez, a noite pudesse ser interessante de um jeito que ela não esperava.
Anthony Miligan estava nervoso enquanto observava Luna e sua melhor amiga, Mary Ann, se aproximando da festa de boliche. Desde o primeiro momento em que pôs os olhos em Luna, ele se encantou por ela.
Sua beleza e carisma eram hipnotizantes, mas Miligan era tímido e reservado, o oposto de seu melhor amigo, Adrian. Adrian era o tipo de cara que conseguia tudo o que queria com facilidade, mas, curiosamente, não saía com nenhuma garota, o que deixava Miligan ainda mais confuso e chateado com a situação.
Quando Anthony se propôs a ir ao encontro com Luna, tudo ficou mais difícil. Ele sonhava em ter um momento a sós com ela, para conversar e conhecê-la melhor, mas aceitaria aquela situação como um início. Adrian, por outro lado, estava cheio de ódio.
Ele não entendia por que Luna o deixava tão perturbado, já que ela deveria ser apenas mais uma garota com quem ele tinha um acordo.
Mas quanto mais ele a conhecia, mais próximo ele se sentia, desenvolvendo um carinho inexplicável que o fazia agir e falar coisas que ele normalmente não diria.
Luna, por sua vez, rezava para a noite passar rápido. Tudo aquilo era culpa de Marianne, que aceitou o convite de Miligan sem a consultar. Quando finalmente chegaram perto dos dois meninos, Luna deu um sorriso tímido e os cumprimentou. Miligan, visivelmente nervoso, tropeçou nas palavras ao tentar responder.
Seu rosto ficou vermelho e ele desviou o olhar, tentando encontrar algum conforto no fato de estar finalmente ao lado da garota que tanto admirava.
- Você está linda. - conseguiu dizer.
Adrian revirou os olhos, com o comentário, mas só Luna conseguiu notar.
- Obrigada. - Respondeu. - Mary está deslumbrante, também. - Comentou, sentindo falta do elogio, contudo, a garota tinha intenção de desviar a atenção deles.
- Claro - Miligan sentiu que foi indelicado. - Você está muito linda.
Mary Ann ficou vermelha. Ela nunca foi elogiada dessa forma por um garoto.
Todos seguiram para a mesa, que os meninos escolheram. A tensão estava clara em cada um. Luna desejava fugir dali, Adrian queria poder mandá-la para casa, sem ter que dar explicações, Mary Ann desejava ser notada por algum dos dois, e Miligan queria ser um único ao lado de Luna.
Desconfortáveis, eles tomaram seus lugares. Luna e Mary Ann, uma ao lado da outra, Anthony e Adrian, na frente delas.
Luna estava achando curioso a mudança de Adrian. Mais cedo, ele pareceu feliz, em saber que ela iria ao encontro, contudo, agora, parecia está furioso com ela.
Luna desejava ser forte o suficiente para entrar na mente dele e descobrir alguma coisa, entretanto, isso não seria possível.
Para quebrar o gelo, Miligan resolveu começar uma conversa.
- Gosta de boliche? - Miligan pergunta, nervoso.
Ela não queria ter que conversar. Luna sempre foi mais retraída, momentos assim a deixavam desconfortáveis, porém, não o deixaria no vácuo, ela prometeu ser compreensiva.
- Gosto de competir. - Luna responde, prestando atenção em tudo, menos nele.
Se o encarasse, deixaria claro o seu desgosto.
- Por que gosta de ganhar? - Adrian interferiu, conseguindo sua atenção. Luna cerrou os olhos, ao fitá-lo.
Ali estava o que ela precisava naquele momento. Um desafio. Luna não queria ter que dizer que gostava disso, contudo, também achava que Adrian estava mudado.
O garoto sentia uma raiva incomum. Mesmo não querendo estar ali, não a deixaria sozinha com Anthony.
- Ganhar é sempre bom. - Respondeu. Adrian sorriu, sentindo a tensão entre eles.
Ele tinha que admitir estar com saudade das provocações.
- Não quando tenho competidor do mesmo nível. - Comentou, se gabando, deixando ela irritada.
- É um desafio? - Questionou-a. Sua amiga, ao seu lado, estava suando frio.
Anthony não estava gostando do rumo da conversa. Ele planejou uma noite divertida, não uma que acabaria em briga.
- Que tal pedirmos bebidas? - Anthony quis terminar com aquela discussão velada. Ele observava como aqueles dois estavam pegando fogo.
- É - Mary apoiou. - Seria ótimo.
Foi aí que Luna notou o qual ridícula deveria estar aparecendo. Então, desviou seus olhos dos dele.
- Então, vão pegar. - Adrian disse, fitando Luna.
Adrian só não estava contando com a insistência do amigo.
- Luna - Chamou Anthony, a fazendo olhá-lo. - Pode ir comigo?
- Claro. - Disse ao se levantar. Luna não pensou muito. Precisava se afastar dele. Seria ótimo achar uma desculpa para ir embora, mas não podia fazer isso tão cedo. Notando que