noite sombria

1155 Palavras
A noite estava sombria, e Luna só queria respirar o ar fresco. Ela sentia que havia alguma coisa errada. Seus pensamentos estavam longe, em um garoto no qual ela dizia odiar, mas que por dentro ela sentia curiosidade e desejo. Não sabia quanto tempo ficou naquela janela, pensando em tudo o que aconteceu, na conversa que os dois tiveram em um determinado momento. Acreditou que Adrian estava ali, observando no meio dos arbustos e das árvores enormes. Com um calafrio, ela entrou, fechou a janela, sentou em sua cama e pensou no que iria fazer em seguida. Aquela cidade trouxe para ela muitas dúvidas e surpresas, na qual ela não sabia se era agradável ou não. Luna respirou fundo, decidiu que era hora de dormir. Se colocou entre as cobertas, desligou o abajur e fechou os olhos, mas o sono demorou a vir. Na verdade, quando ela finalmente conseguiu adormecer, foi sequestrada pelos seus sonhos, ou melhor dizendo, pesadelos, que a atormentavam a todo o momento. E dessa vez, parecia ainda mais real que das outras vezes. Ela sentia o frio, os galhos e as folhas secas entre os pés descalços. O pano que a cobria também estava no chão. Ela se levantou, olhou em volta. Tudo estava escuro, apenas iluminada pela lua que estava em seu ciclo, chegando a lua cheia. Faltava apenas um dia, e algo lhe dizia que a lua cheia iria trazer grandes problemas e descobertas. Luna então se levantou ainda naquele pesadelo, que parecia tão real que causava calafrios, assim como o vento que atravessou seu corpo, levando a sua camisola, que era consideravelmente longa. Ela odiava sentir seu corpo exposto. Olhou para os lados e não viu nada para se cobrir, além daquela manta que ela pegou do chão e colocou sobre seus ombros. Desconfiada, ela apenas continuou caminhando. Não sabia onde estava, o que fazia ali, nem como conseguiu parar naquele lugar. Luna então andou entre as enormes árvores. Os pinheiros tinham galhos enormes com um denso volume de folhas. Ela respirou fundo, tentando se acalmar, fechou os olhos e pediu: volta! Volta para a cama, volta para a realidade. Porém, ao abrir os olhos, ela ainda continuava ali. Então, ela escutou uma voz conhecida, chamando o seu nome, e quando se virou, encontrou a sua avó, da mesma forma que da última vez, antes da sua morte, com seus cabelos grisalhos, com um sorriso no rosto, estendendo a mão para ela. — Venha, querida —A garota achava que estava louca. Sua avó morreu a um bom tempo. De uma forma ainda sem explicação. Luna não engoliu aquela história de infarto. Seu sexto sentido, ou as vozes na sua cabeça, lhe dizia que outra coisa aconteceu, mas sua mãe, que fazia de tudo para esquecer do seu passado, não entrava no assunto. — Está na hora de saber da verdade. — Luna franziu o cenho. Que verdade? — Sei que você acha que está ficando maluca. — Riu a mulher. — Mas não está. — Vovó, a senhora morreu. — Explicou o óbvio. — E parece que estou presa em um pesadelo. — a garota, insatisfeita, fez uma careta, olhando para o chão. — Mesmo acordada, parece que estou presa. Como não ser louca? — Sua mãe não lhe ensinou nada. — Falou a mulher, desgostosa. — Ela tenta ignorar o óbvio. Dessa vez Luna se interessou. Deu passos até onde ela estava, a encarando. — Do que está falando? Ela lembra da conversa que ouviu. Sua mãe realmente está a escondendo algo. — Venha. — Chamou, virando-se para outra direção. — Está na hora de conhecer a sua origem. — Vovó! — A mulher andava para longe, forçando Luna a acompanhá-la. Foi o que ela fez. A curiosidade da menina, era maior que a razão. — A senhora vai me explicar o porquê estou sentindo que tudo isso é real? A velha, a sua frente, deu uma gargalhada e disse, assustando a neta. — Você está no mundo dos mortos, querida. — Luna arregalou os olhos. — Bem, é mais ou menos isso. — Eu morri? — Se preocupou. — Não! — Tentou acalma-la. — Bem, esse é um plano mágico. Os nossos ancestrais vêm para cá, quando morrem, é onde algumas criaturas mágicas vivem. Nosso poder se concentrar aqui. Por isso você está nesse lugar. Significa que está se conectando. — Não! — Falou Luna, recusando a acreditar. — Aposto que é um pesadelo. — Há, garota! — Se irritou virando-se e encontrando Luna, que ficou surpresa quando parou de andar. — Você é uma poderosa feiticeira. Tem sangue das bruxas primordiais. Não é louca. Luna se recusava a acreditar nisso. Era muito absurdo. — Criatura mágicas, plano sobrenatural, bruxas? — Riu. — É mais fácil acreditar que herdei a sua louca, do que... — Sua mãe achava que eu era maluca. — Repreendeu, a impedindo de continuar. — Mas no fundo, sabia que era verdade. O problema é que Elisa foi poupada. — Poupada do que? — Luna levantou uma de suas sobrancelhas. — Os ancestrais sabiam que ela não iria conseguir chegar ao seu potencial. Que não acreditaria em nós, então não a agraciou com os poderes. — Foi dura. — Bem, ela é uma vidente muito forte, contudo, recusa seus poderes. — Certo, e eu...? A velha sorriu, deu passos até onde ela estava, parada, e disse: — Você é uma profecia. — Luna arregalou os olhos. — A ancestral de uma bruxa poderosa, que lançou um feitiço de aprisionamento na cidade, irá se unir ao filho do quinquagésimo alfa, amaldiçoado. Assim, libertando eles e a nós. — Libertando do que? A pergunta veio antes do uivo que deixou as duas, assustadas. — A maldição uniu as nossas linhagens pela eternidade. — Explicou a ela. — Como eu disse, esse é o mundo dos mortos. Só que, não um comum. — Isso só está complicando. — Avisou, sentindo que iria cair em algum lugar. — Não temos tempo. — Avisou. — Você tem que achar a nossa casa. Fica no meio da floresta n***a. Tem que achar o livro. — Vovó... — Ouça, Luna. — A interrompeu. — Deve libertar a todos. Venha até mim. Irei a treinar. Deve aprender a usar seus poderes. O alfa não pode saber que você é nossa descendente. Ele não entende. Além disso, há uma bruxa na cidade. Ela está atrás de você. Tome cuidado. Não deu tempo para perguntas. Luna foi engolida pelas folhas secas, caindo na cama. Acordando. O alarme fazia um barulho ensurdecedor que a deixou com raiva. Ela estava com os cabelos todo bagunçados. Se apoiou nos braços e olhou para o objeto, desejando joga-lo contra a parede. E foi o que aconteceu. Só que ela não tocou nele. O objeto, simplesmente se chocou contra a parede, no mesmo instante que ela se imaginou fazendo isso. — m***a! — Arregalou os olhos.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR