*Capítulo 23 — Betinho Nilo bateu o dedo do meio na minha cara e desceu o morro. Só olhei ele sumindo na curva, cantando pneu. “Vai atrás da loirinha de novo.” Não precisava ser vidente pra saber. Desde que essa DJ apareceu, o homem tá desgovernado. Ele finge que não, mas eu vejo. Eu sempre vejo. Voltei pro barraco que a gente usa de QG. Rádio chiando no canto, cheiro de mato queimado misturado com gasolina, luz amarela piscando. Dois moleques jogando baralho, três no celular, um vapor contando dinheiro. Rotina. — E aí? — bati na mesa. — Como tá o movimento? — Fraco ainda, Betinho — o mais novo respondeu. — Mas o pessoal já tá subindo. Assenti. Peguei o caderno de anotações. Contas não fecham sozinhas. Tava riscando o terceiro nome da lista quando ouvi o salto. Só podia ser ela

