O ômega que ela queria

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As mãos dele tocaram o rosto dela com adoração, depois todo o corpo dele estremeceu e ele tirou a mão como se estivesse profanando algo puro, algo que ele nunca deveria tocar. Lívia o encarou com certo desespero no olhar, os olhos castanhos dele que ela tanto amava estavam cheios de lágrimas, os cabelos loiros desgrenhados, as roupas simples não escondiam o corpo musculoso. Lívia levanta o queixo, seus lábios tremem por alguns segundos até seu rosto ser tomado pela determinação e teimosia que todos conheciam bem, ela, Lívia Draven, a única herdeira da matilha Céu Dourado, uma das mais ricas do mundo, estava acostumada a ter o que queria e, naquele momento, ela queria Caio. Ela então segura as mãos dele e, por mais que ele tente afastá-la, ela diz: “Eu te amo, Caio, sempre amei, vai mesmo me rejeitar?” Caio a encara como se estivesse sentindo dor física, e diz: “Lívia, eu também te amo, sempre amei, mas sou um ômega, e você uma alfa, e se isso não bastasse é a única herdeira de um dos alfas mais renomados do mundo, como eu, um ômega, um e*****o do seu pai, me atreveria a ficar com você?” Caio faz um gesto que abrange ela toda, a diferença era gritante, ela vestia roupas de grife, seus cabelos loiros caíam em cascatas soltos pelos ombros, os olhos verdes e determinados tinham um ar de rebeldia de quem não estava acostumada a ouvir um não. Embora baixa, o corpo esguio e curvilíneo não escondia a força de uma alfa. Depois, ele apontou para si mesmo com desprezo. Mas Lívia não se importa com o status dele, o que importava para ela era que ele a amava e, agora que ele finalmente tinha admitido seus sentimentos, ela seria capaz de enfrentar o mundo para ficar com ele, e, para demonstrar isso, ela ficou na ponta dos pés, seus braços envolvendo o pescoço dele, e então ela o beijou. Caio, em um primeiro momento, tenta afastá-la, tenta resistir, mas então, com um gemido rouco, ele cede, suas mãos envolvem a cintura dela, colocando mais aquele corpo que ele sempre desejou ao seu. Lívia geme exultante, abrindo a boca e sentindo a língua de Caio explorar a dela em uma carícia que fez seus joelhos tremerem. Caio então a pressiona contra a parede, deixando que sua ereção mostre a ela o quanto ele a deseja, o quanto a quer. Uma de suas mãos sobe hesitante pela lateral do corpo dela, que estremece. Lívia queria mais, queria se entregar para Caio ali mesmo no celeiro onde ele trabalhava cuidando dos cavalos de raça do pai, queria se deitar com ele no feno e gemer o nome dele e depois gritar ao mundo que ele era dela e ela dele. É então que a porta se abre com um estrondo e Alfa Mauro, acompanhado de seu beta, entra para mostrar sua nova aquisição, um garanhão que ele tinha certeza ganharia as próximas corridas sem dificuldade, mas todo o bom humor dele some ao ver a cena à sua frente, sua filha, seu bem mais precioso, agarrada a um ômega, se deixando tocar e beijar como uma qualquer. “Lívia Draven, o que diabos está fazendo?” A voz dele ecoou pelo celeiro. Lívia se preparou para proteger Caio da fúria do pai, mas, para surpresa dela, ele a escondeu com o próprio corpo e diz: “Alfa Mauro, a culpa é toda minha, eu que ousei me apaixonar por Lívia, eu que mereço ser punido, mas não a culpe.” Naquele momento, Lívia, que já estava apaixonada por Caio há tempos, sentiu seu coração transbordar de amor, e em seu coração ela decide que seguiria Caio até o inferno, se necessário, mas ninguém, nem mesmo o pai, a impediria de ficar com ele. Um rosnado furioso encheu o celeiro e, antes que ela pudesse fazer algo, Caio é chutado para longe por seu pai, e antes que ela possa correr para ajudá-lo, seu pai agarra seu braço e grita: “O que pensa que está fazendo? Você é uma alfa, a herdeira da matilha Céu Dourado, como ousa se comportar assim, como ousa se deixar tocar por alguém que sequer é seu companheiro e, ainda por cima, um ômega?” Lívia, então, com os olhos queimando de fúria determinada, diz: “Eu o amo, não me importo que ele seja um ômega, nem mesmo que não seja meu companheiro, se ele quiser ficar comigo, eu o assumirei como meu companheiro escolhido e ele me ajudará com a matilha no futuro.” Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, sentiu um t**a violento de seu pai em seu rosto, e por um segundo a coragem dela fraquejou. Seu pai nunca a havia batido, nunca havia repreendido com fúria. Seus olhos se encheram de mágoa, e Alfa Mauro suspira e diz: “Você é cega? Ele não ama você, ele ama o que você significa, e como vai ser quando seu companheiro aparecer? Esse amor todo que diz sentir por ele vai desaparecer. Ninguém luta contra o vínculo e vence, Lívia.” Lívia, porém, não recua e diz: “Eu lutarei e rejeitarei seja lá quem for no momento que o vir. Eu amo Caio e somente ele pode ficar ao meu lado.” Alfa Mauro sente vontade de esbofetear a filha mais uma vez, porém se controla e diz: “E se a companheira de Caio aparecer…” Mas antes que ele termine a frase, Caio, que se levantava com dificuldade, pois era um ômega e ser atingido por alguém tão poderoso como Alfa Mauro não era algo simples, mas mesmo assim ele diz: “Eu amo de verdade a Lívia e duvido que um dia amarei outra mulher como a amo. Mesmo que ela não seja minha companheira destinada, em meu coração só há lugar para ela.” Alfa Mauro solta um rosnado furioso e diz: “Quero ver até onde esse seu amor resiste.” “O que você vai fazer, papai? Não culpe Caio, fui eu que o persegui”, diz Lívia, com medo do que o pai poderia fazer, mas Alfa Mauro a ignora e diz a seu beta: “Traga o chicote, quero ver até onde vai a ousadia desse ômega.”
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