Cap. 3

958 Palavras
Assim como todos os aniversários de Valentina, esse também não passaria em branco. O Conde organizou um grande baile para comemorar aquela data. Ela estava se arrumando quando fora surpreendida pelo marido. Ele entrou silenciosamente no quarto e a abraçou por trás. Marcos a avaliou cautelosamente, pegou a mãe de sua esposa e a rodou. - Está linda, como sempre. - Ele selou seus lábios em um beijo rápido. - Tenho um presente para você. O Conde tirou do bolso do paletó uma caixa preta aveludada e estendeu a mesma em direção a Condessa que abriu um sorriso fraco. Aquele sempre fora o jeito do marido de desculpar-se pelos sumiços e traições, mas certamente não seria uma linda joia a apagar toda a dor e constrangimento que a situação toda já lhe causara. Nunca morrera de amores por seu marido, mas nenhuma mulher gostava de saber que não era a única a dividir o leito com o homem que estava casada. - Não precisava. - Murmurou enquanto passava seu longo e pesado cabelo para o outro lado. Quando Marcos abriu a pequena caixa, um imenso colar de esmeraldas reluziu. Era a coisa mais linda que os olhos de Valentina já haviam visto. - Por sorte ou não, combinará com seu vestido. Ela assentiu com um sorriso leve no rosto e murmurou um '' obrigada ''. Valentina só respirou aliviada quando o marido enfim se afastou dela, que Deus a perdoasse, mas sentia-se enjoada quando ele a tocava. Pensar que as mesmas mãos haviam estado em lugares que ela nem ousava pensar na noite passada a causava enjoo. Marcos estendeu o braço para ela, e como a boa esposa que fingia ser - isso porquê ninguém era capaz de ler seus pensamentos -, Deus, se lessem a achariam a pior, ela o cedeu a mão e saíram do quarto juntos, como se fossem o casal mais feliz de toda Londres. Quando desceram as escadas, todo o burburinho reduziu e a atenção de todos os convidados se voltou ao casal anfitrião da noite. Com a pele alva, cabelos negros e um vestido azul escuro, não havia quem não a olhasse. Valentina era a definição de beleza na terra, com seus traços delicados e olhar pacífico, podia facilmente ser comparada a um anjo. - Vossa Graça, é um prazer tê-lo em nossa casa. - Disse Marcos entusiasmado com o fato de o Duque ter comparecido ao primeiro baile em anos. Thomas assentiu com a cabeça e tomou a mão enluvada da Condessa. - Todas as felicitação à senhora. - Disse com um sorriso contido. - Permita-me apresenta-los o motivo de minha saída. Como bem sabem, não sou dado a festas, mas meu sobrinho veio a passeio da França e quando soube que haveria um baile, não me permitiu negar. - Ele riu, dessa vez espontaneamente. - Vossa Graça, sendo assim, devemos a ele um agradecimento em especial. - Respondeu Valentina. O Duque abriu um sorriso ainda maior que causou um pouco de ciume em Marcos, tinha uma bela esposa e sabia disso. Thomas manuseou a mão lentamente em direção ao Marquês que caminhou com graça e precisão na direção dos três. - Esse é o Marquês Henrique Bowman, alguns dizeres de que é parente direto de Henrique VIII. Henrique fez uma curta mensura enquanto tentava desviar os olhos da mulher mais bonita que já havia visto em toda sua vida. Ele abriu um sorriso presunçoso e Valentina não conseguiu deixar de reparar na beleza do homem. Ele não devia ter muito mais do que vinte e seis anos, possuía uma aparência jovial e um sorriso encantador. Os cabelos eram cor de mel e levemente caiam sobre a pele bronzeada da testa, o Marquês passava nitidamente e imagem da diversão, da descontração e da beleza. Valentina fixou os olhos negros nos olhos verdes do homem e constatou que nunca em toda sua vida vira alguém tão belo. - Maldito seja, se o homem tivesse assumido a mãe de alguém talvez eu estivesse na linha de sucessão. E que o Rei não me ouça. - Eles riram da piada de Henrique. - Vejo que ao menos seu nome ele permitiu manter. - Respondeu Marcos em tom de brincadeira. - Eu não me importaria em chamar Bastião milorde, se fosse o rei. Os três homens riram mais uma vez e Valentina deu uma risada disfarçada, mas uma risada que não dava a um bom tempo. O Marquês voltou sua atenção a bela mulher a sua frente e aguardou a devida apresentação. Por Deus, que ela não fosse a esposa daquele homem... Que não fosse a esposa... - Marquês .- Iniciou o Conde. - Permita-me apresenta-lo a homenageada da noite, minha esposa, Condessa Valentina. Ele murchou, mas manteve o sorriso nos lábios. Henrique tomou a mão enluvada da jovem e a olhou no fundo dos olhos. - Meus parabéns senhora. É um lindo baile, em uma linda noite. Espero até o fim dela te o prazer de tira-la para dançar. Se o senhor me permitir, é claro. - Ele voltou sua atenção ao Conde, que satisfeito por ter em sua casa o Duque e um parente do Duque assentiu mais do que depressa. - Será um prazer, milorde. - Ela respondeu sem levantar os olhos o suficiente para olha-lo, certamente estava rubra. Os cavalheiros cumprimentaram-se e logo, os dois homens deram de ombros. - Dá para acreditar que o Duque está aqui? Céus ... - Marcos disse antes de simplesmente sair andando e foi atrás dos homens deixando a esposa parada e sozinha em frente a imensa multidão que os olhava. Henrique todavia, não tirara os olhos de cima dela e vira um pequeno desapontamento aparecer, mas ela era boa em disfarces e logo desapareceu.
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