Não demorou muito para que o marquês reivindicasse sua dança, ele chegou perto da condessa gentilmente e fez uma curta mensura. Aquele era o aniversário dela, mas por algum motivo - que ele pretendia descobrir - ela não parecia estar muito confortável.
- A senhora me concede a honra? .- Perguntou estendendo a mão para ela.
Valentina retribuiu o fraco sorriso e assentiu.
- Certamente, milorde.
Henrique a conduziu até o meio da pista. Ela já havia dançado com pelo menos metade dos homens ali presentes, era a homenageada da noite e todos queriam bajular seu marido, mas por algum motivo, aquele homem parecia diferente dos demais, ele não parecia ter interesse nenhum em bajular o conde e somente isso já o diferenciava dos outros.
- Permita-me perguntar. - Ele iniciou uma conversa amistosa enquanto gentilmente posicionava suas enormes mãos na esguia cintura de Valentina. - Quantos anos a senhora está fazendo?
Ela arqueou o cenho, não era gentil perguntar a idade de uma dama. Mais um ponto positivo para o marquês, ele também não desejava bajula-la.
- É indiscreto, milorde. - Respondeu com um sorrisinho desafiador.
- Eu sei. - Disse de forma relaxada. - Mas estou mesmo curioso.
- Vinte e cinco. E o senhor? Não mais do que vinte e seis, eu julgo. - Respondeu com um olhar pensativo.
Henrique sorriu satisfeito.
- Vinte e oito. Julgou m*l.
Ela torceu os lábios em resposta, não gostava de não ter razão, ainda mais quando o marquês parecia ser um homem cheio dela.
- A senhora não gosta de aniversário, ou da festa somente?
Valentina o olhou surpresa.
- Não desgosto de nada, milorde.
- Certamente desgosta, condessa. É nítido em seu olhar. - Disse sem rodeios a deixando ainda mais desnorteada. Sempre fora excelente em colocar uma máscara no rosto, sempre soubera disfarçar todo e qualquer sentimento que não desejava que vissem.
- É apenas uma impressão sua, milorde. - Ela se afastou alguns centímetros com o fim da música, fez uma cursa mensura e murmurou um baixo '' com sua licença ''. Os pais haviam chegado e precisava ir até eles, aquela era a desculpa perfeita, no momento perfeito para fugir da resposta que não poderia dar.
Sempre amara festas, e sempre gostara muito de comemorar o próprio aniversário, mas isso havia mudado desde que se convertera em esposa de Marcos, afinal, era somente o que ela era. A esposa do conde.