146 - Lucinda

1040 Palavras

Lucinda Narrando Cheguei no Alvorada ainda com o céu meio cinza, aquele horário em que o morro não dormiu, só cochilou. Desci da moto e fui direto pra boca. Sem rodeio. Sem olhar pros lados. Quando eu passo, o caminho se abre sozinho. Não por medo apenas, é respeito. Isso eu sinto no jeito que os olhos baixam, no silêncio que se forma. Os vapores do plantão já estavam todos nos seus postos. Cada um no lugar certo, rádio chiando baixo, arma no corpo, atenção ligada. Parei no meio deles, braços cruzados, postura firme. Ali não era hora de suavidade. Um dos vapores deu um passo à frente. Moleque novo. Eu já reconheci pelo jeito de engolir seco antes de falar. — Chefe, deu ruïm r**m. Meu maxilar travou. —Qué pasó? (O que aconteceu?) — perguntei, seca. — A mercadoria, foi interceptada

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