Yolanda Narrando O medo não chegou devagar. Ele invadiu tudo de uma vez, rasgando a madrugada como os primeiros tiros que ecoaram pelo morro. Eu estava no quarto com a Isabel e a Lucinda quando o chão pareceu tremer. O som vinha de todos os lados, rajadas longas, tiros secos, gritos distantes misturados com ordens que eu não conseguia entender. Meu corpo inteiro gelou. Levei a mão na barriga no mesmo instante, como se aquele gesto simples pudesse proteger meu bebê de todo o caos lá fora. Lucinda não disse nada. Ela sentou no canto do quarto, encostada na parede, os joelhos puxados contra o peito, os braços envolvendo as pernas. Os olhos dela estavam atentos demais para alguém tão nova. Ela escutava tudo, cada tiro, cada explosão, como se estivesse contando o tempo pelo barulho. Isabel f

