127 - Lucinda

1245 Palavras

Lucinda Narrando Comecei a visitar o Beni todos os dias. Sem exceção. Entrava na UTI com o coração apertado, sentava ao lado da cama e falava com ele como se estivesse apenas dormindo. Contava coisas bobas, lembrava momentos nossos, pedia, implorava, exigia que ele voltasse. Eu sentia minha alma caminhando na escuridão, como se parte de mim estivesse presa ali, naquele quarto gelado. Cada vez que eu saía do hospital, era como se um pedaço do meu coração ficasse para trás, ligado a ele por fios invisíveis. E assim os dias passaram. Um depois do outro. Iguais. Doloridos. Conversei com meu cunhado, e pouco tempo depois começamos a treinar. Eu saía de casa às cinco da manhã, ainda com o céu escuro, e encontrava Hades. Treinávamos até às sete. Duas horas inteiras. Corrida pesada, resistênci

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