Lucinda Narrando Disparei sem pensar duas vezes. O estampido cortou a mata e o Coiote correu, se jogando entre as árvores como rato acuado. Não fui atrás no impulso, não. Respirei fundo, puxei o rádio com a mão firme e falei claro, do jeito que precisava ser ouvido. — Me atacó el coyote. ( Fui atacada pelo Coiote.) — Corrió hacia el bosque. ( Ele fugiu pra mata.) — Acabo de matar a un vapor traidor. O rádio chiou um segundo que pareceu uma eternidade. Meu coração batia forte, mas minha cabeça tava fria. Não vou perder o controle agora. A resposta do Beni veio na hora, carregada de preocupação e ódio. — Lucinda, onde você tá? — Fica onde tá, tô chegando. Antes mesmo de terminar de ouvir, senti a movimentação. Galho quebrando, passos apressados. Eles estavam avançando. Não pensei,

