Pré-visualização gratuita UMA SEGUNDA FEIRA DIFERENTE.
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Sabe aqueles dias que você não quer sair da cama? Então, hoje é um dia daqueles.
Não sei o que certo o que me deixou assim, lenta. Na verdade, sei! Hoje além de ser uma segunda-feira. É o dia 2 de setembro de 2021. Essa data. Hoje faz 11 anos que minha mãe nos abandonou.
Quem deixa uma adolescente de 15 anos com uma criança menor de 6 anos? Até hoje tento evitar lembrar do que passamos, se não fosse a Olivia.
Viro-me na cama ao ouvir o barulho do despertador. Maldito som que me tira do sonho com o Cris Evans. Me descubro e encaro Orlando no pé da cama. Não sei por que adotamos um coelho, poderíamos adotar qualquer coisa menos um coelho.
Bom, a ideia era adotar dois mas, acabamos com apenas um. Assim não teria como apenas um reproduzir. Porém, descobri que quando criado só, o Coelho adquiri certa dependência de você. Pois, bem Orlando é minha cola onde eu tô, ele está. Não importa muito, pois eu o amo. Não posso reclamar desse coelhinho lindo de despertador.
Levantou e tomo um banho rápido. Quase durmo novamente enquanto penteio o cabelo. Sou desperta pelos gritos da Cristina. Sim! Agora sim, é uma manhã de segunda-feira.
Bocejo e grito de volta para ela calar a boca. Não quero acordar o Nicolas antes da hora. Coitado, ficou até tarde tentando dormir. Mas, finalmente conseguiu dormir no seu quartinho, sem mim. Meu neném está crescendo, não importa ele será para sempre o meu bebê.
Me visto e já ouço meu celular tocar. São (6:40) hora de acorda o Felipe, meu Deus me ajude.
— Você me empresta um brinco? — Cristina grita, com as mãos na cintura. Ando até ela e tiro seus fones de ouvidos.
— Você tá gritando! E não, não pega nada meu em. Você sempre perde. — Digo entrando no seu quarto.
Que está uma bagunça! Respiro fundo fechando os punhos, não vou brigar com ela. Não no dia de hoje. Mas, parece que Cristina parece que faz de propósito.
Ando tão preocupada com ela, minha irmã está na fase mais difícil, a adolescência. E infelizmente eu não tenho experiência na área para aconselhá-la. Não curti minha adolescência, não tive nem tempo de ser rebelde ou coisa e tal.
Eu tinha uma criança de seis anos para cuidar. Tive que me virar e lutar para amadurecer logo. E depois com vinte e um, tive um filho com um homem que espero nunca mais ver na minha frente. Nicolas tem cinco anos e meu presente dos céus. Espero que ele nunca conheça o pai, Anthony foi o meu pior pesadelo. Pensando nele, hora de acordá-lo.
— Mas, eu não quero ir para escola! Tem cheiro de cola, e os outros garotos não gostam de brincar comigo. — Disse entregando as mãozinhas nos olhos, e voz fina.
Derreto-me por dentro completamente quando ele faz biquinho implorando para ficar.
— Querido, eu sei ser difícil. Mas, pelo menos tem o Edgar e a professora. Ela adora você. Vamos já estamos no meio do ano e já sabe como é.
Isso me dói, saber que os coleguinhas dele não brincam com ele. Não sei o que faço, ele é muito retraído e tímido. Cristina também era assim. Fora o fato deles estudarem em uma escola de elite nova-iorquina que puxa muito deles. Cortesia da minha chefe. Às vezes me pergunto se Olivia é uma chefe ou um anjo.
Passado o tempo vamos logo para o carro, não quero me atrasar.
Já no carro não paro de balançar minhas pernas, estou nervosa com não sei oque. Viro meu rosto para Cristina que está sentada ao meu lado.
— Oque está ouvindo? — Pergunto para Cristina que encara a janela do carro e segura sua bolsa firme em seu colo.
Ela fica em silêncio, também acho que nem ouviu. Seus fones de ouvidos estão no volume mais alto possível.
— Você tá me ouvindo Cris? — Franzo o cenho e paro ao ver o sinal vermelho. Levo minha mão aos fones dela, tirando os mesmo.
Ela revira os olhos. — O que foi?
Sorriu amigavelmente. — Nada, só perguntei o que está ouvindo? — Volto a dirigir.
— Shaw Mendes.
— Legal, legal. — Entorto a boca.
Ela rir. — Legal? Você provavelmente nem sabe quem é Shawn Mendes.
Eu rio segurando no volante. — Claro que sei, aquela cara que foi preso.
— Ela solta outra gargalhada. Olho ao redor. — Aí é claro que sei, usava uma franjinha e tudo.
— Aquele era o Justin Bieber.
Abro minha boca. — Aí meu Deus é mesmo. Tem razão não conheço esse Shawn Mendes. Ela se encosta mais na cadeira e volta os olhos para mim.
— Quer ouvir? Posso colocar no modo alto.
— Claro! Pode por.
Ela põe a música e é surpreendo. Até que é super ouvível. Ok, estou ficando velha. Que fala assim?
Chego na escola e entrego os dois. Logo pego na mão de Felipe para fazer o que fazermos sempre.
— Promete que vem na hora marcada?
— Claro. Nem uma hora a menos.— Sorriu largo.
Ele me abraça forte, eu o amo tanto. Ele coloca as mãozinhas em meu rosto e faz um carinho. Olhou para as mãos e arregala os olhos e gruta desesperado.
— Mamãe, esquecemos da pulseira da invisibilidade. — Ele grita.
Meu Deus! Ok sem pânico. Isso foi algo que eu inventei para ele e deu super certo. Ele é louco por Harry Potter então criei a nossa "capa da invisibilidade" Por que aí ele se sente muito bem, se sente importa até ele me disse. Penso rápido em dar algo para substituir.
— Toma a echarpe da mamãe.
— Ela também tem poderes especiais? — Ele enrola no pescoço e fica olhando o pano.
— Claro que tem. É vai te proteger por hoje.
— Eba. Da até para fazer de capa — Meu neném sorrir feliz e é isso que importa.
O sinal toca e eu me despeço dele. Quem dera pudesse ficar no berço para sempre? Sou mãe coruja ok?
Chego em meu trabalho uma hora antes. Trabalho para Olivia paxton. Uma Das maiores agentes de famosos. Tudo que Olivia toca vira sucesso. Eu a conheci no que de acordo com ela foi o pior dia de sua vida. Eu estava trabalhando de garçonete em uma festa chique. Ela se engasgou com um um prato e eu salvei sua vida desde daquele dia ela diz que tem uma dívida eterna comigo.
— Vinte minutos adiantados! O que tenho que fazer para você não ser a funcionária do mês novamente? Já estão supondo que é favoritismo.
Ela rir e bebe de seu suco detox olhando os prédios em sua grande sala de vidro.
— Só faço meu trabalho! — Sorriu me aproximando da mesa, ela me olha e se afasta indo acender um cigarro na janela.
— Pois é, mas você trabalha demais. A quanto tempo faz que você não tira férias? Sai com as amigas? Se diverte ou sei lá... Beijar na boca. — Ela levanta uma sobrancelha. Eu respiro fundo e começo a organização da minha mesa.
— Cristina e Felipe tem me dado trabalho. Precisam de mim. — Coço atrás da orelha. Ela se inclina para janela e sopra a fumaça.
— Você se anulou. Sabe, você é minha amiga. É triste ver sua vida passar e não te ver fazendo nada. De casa para trabalho do trabalho para casa.
— Eu não sei nem o que dizer, Olivia. Não sei mais socializar, e amizades? — Bufo.
— Não tenho tempo para sair com amigas. Thaís até que me cobra bastante, e ter alguém? Nem me fale isso...
Depois do Anthony não consigo ter mais nada com ninguém. Julgo que está para nascer um homem que me faça querer algo novamente. Mas Olivia não está errada. Sim, eu me anulei, eu precisei pelo meu filho, pela criação da Cristina. Por eles sou a melhor funcionária que posso.
— Eu preciso que marque uma reunião para mim, por favor.... Mas, não pense que se livro dessa conve...
Vejo ela por a mão no peito e se inclinar. Vejo ela fica pálida, me desespero e vou para junto dela.
— O que está sentindo?
Ela franzi o rosto e a apoia a mão esquerda na mesa.
— Não é nada já vai passar! — Ela consegue se inclinar e dá passos curtos até sua cadeira, se encostou e ajeitou a manga do vestido. — O que? Não me olhe com essa cara. Não vou para o hospital.
— Já é a quarta vez essa semana. E não pense que não sei que trocou o Uísque pelo suco detox por que não está se sentindo bem.
Ela revira os olhos e quero dar o ultimado de forma firme.
— Não falo como sua assistente e sim como sua amiga... Ou vamos no médico agora, ou trago o médico até aqui. — Gesticulo com as mãos.
Estou nervosa. Olivia nunca se cuidou, fuma desde de que a conheço e a conheço desde dos meus 18 anos.
Ela respira fundo, e abaixa a cabeça. — Está bem. Mas só por que amo você. — Ela sorrir de lado e levanta devagar, pegando seu casaco que estava sobre a cadeira.
Entramos no hospital e Olivia foi atendida rapidamente. Mas, o médico pediu uma bateria de exames que me deixou preocupada, bato meus pés enquanto a espero. Ela me mandou ir embora umas mil vezes, e sei que me xingou mentalmente várias vezes por ter feito perde um dia de trabalho.
— Você é a acompanhante da Olivia Paxton ? — Uma voz grossa me desperta dos meus pensamentos.
Levanto a cabeça e olho para o homem em minha frente, fico zonza de tanta beleza. Aqueles olhos azuis pareciam o oceano me encarando, e uma boca rosada Até o canto dos olhos dele são lindos. Sorriu admirando-o, estou sem ar.
— Você é acompanhante? — Ele ressalta e vira a cabeça de lado franzindo o cenho.
Minha nossa Valentina! Acorda.
— Sim! Sim, sou eu.
— Bom, infelizmente terei que ser direto. A Paciente me disse que você é mais do que uma assistente. Então, serei direito. A Olivia nunca vem acompanhada para as consultas, logo é bom que esteja aqui.
Espera? A Olivia tem vindo para consultas? Ela odeia hospitais.
— A Olivia está com câncer. Bastante avançado e o que ela sentiu hoje foi resultado do remédios.
O que? Câncer? Olivia? Me sinto confusa. Por que ela não me contou isso? Minhas mãos tremem. É h******l o que estou sentindo. Medo, medo de perder minha amiga. Deus por favor cuide da minha amiga. Essa doença é terrível, aí sinto minhas pernas tremerem.
— Meu Deus! — Arregalo meu olhos e coloco o cabelo em meu rosto para trás da orelha. Encaro o médico e peço todas as informações.
Entramos na sala dele e ele me conta tudo. Olivia já vem fazendo tratamento escondido por um tempo, e não vem surtindo efeito. Ele foi muito esclarecedor, mesmo assim não entendi muito bem. Ele foi sensível ao me dizer que não era bom ela está sozinha nas quimos.
Ele juntou as mãos com o cotovelo apoiados na mesa. — Eu acredito que amor, também faz parte do tratamento. Se não for pedir muito, apoie a Olivia. Ela tem algum familiar? Sempre que pergunto ela desconversa. — Ele estreitou os olhos. — Me desculpe, mas é que me preocupo quando vejo meus paciente sozinhos.
Pronto, além da beleza ele é lindo por dentro. Pelo menos o jeito que falou tão preocupado com a paciente. E é impressão minha ou ele não tira os olhos de mim? Nossa, ele com esse jaleco. Meu Deus Valentina! Controle-se. Foque.
— Ela tem uma filha, mais é complicado. Porém, eu vou estar aqui e todos do escritório. Somos a família dela.
Ele assente com a cabeça e eu saio dali. Não me sinto bem, quando saio da sala vejo Olivia vir até mim.
Franziu a testa. — Ele te contou não foi? — Ela junta as mãos em minha frente abaixa a cabeça.
Ao vê-la meus olhos enchem de lágrimas. Independente de ser turrona, independente de me ajudar. Olivia era alguém que eu amava, uma amiga de longa data e eu não queria perde-la. Meu coração se acelerou.
— Como... Como pode esconder isso de mim? Você não e-está sozinha.
Digo entre soluços, meus olhos estão inundados de lágrimas. Ela se aproxima de mim e me abraça.
— Desculpe, querida. — Ela ajeita o meu cabelo, saindo do meu abraço. E me encara subindo as sobrancelhas. — Precisamos conversar.