Pré-visualização gratuita CAPÍTULO 1
Ouço o barulho de um aparelho. Não sei onde estou. Sinto meu corpo doer, e meus ossos protestarem. Meus olhos estão com dificuldade enorme de abrir.
— Como ele está Dr? Ouço a voz da minha mãe perguntando. Ela pega em minha mão e sinto o calor da mesma.
— Está respondendo bem ao tratamento. Só temos que aguardar ele sair do coma. A voz de um homem chega aos meus ouvidos, porém o que mais me preocupa é o fato dele dizer que eu estou em coma. Como assim eu estou em coma? O que houve comigo?
— Já tem três anos que ele está assim. Três anos? Que Merda aconteceu comigo? Cadê minha esposa e meus filhos? Quero ver Alexia. Eu preciso vê-la. Tento abrir meus olhos, porém estão pesados.
— Mas não vamos perder a esperança. Ele tem respondido bem. As vezes até pegamos ele com o rosto mais feliz, mas tranquilo.
— Eu não quero perder meu filho. Justin e Ryan estão desolados, se culpam pelo ocorrido com o irmão. Mamãe diz parecendo chorar.
— E não vai. Ele só tem que responder mais ao tratamento e acordar desse coma. Depois tudo estará resolvido. O que houve comigo? Porque meus irmãos se culpam? Eu não consigo me lembrar de nada a não ser a festa que Alexia estava fazendo para nossas filhas.
— Quem é que vai estar com ele durante a tarde? Ouço o suspiro da minha mãe.
— a Dra Foster. Foster? Eu conheci três Foster. Alice Foster que casou com Justin, Alessia Foster casada com Ryan e Alexia Foster, no qual é casada comigo. E eu não me lembro da minha mulher ser médica. Mas sim se formar em arquitetura, e nenhuma das minhas cunhadas são médicas. O que está havendo aqui?
— Que ótimo, ela cuida bem dele. Ela me disse que tem conversado com ele esses três anos. Eu não estou entendendo nada. Ela é a minha esposa e tem que conversar comigo. Porém, o que não estou entendendo é Alexia ser médica. A não ser que não seja ela.
— Ela é um amor com todos. Sempre foi. Agora temos que sair. Vamos deixá-lo descansar.
— Tudo bem. Stefano virá mais tarde.
— Ok. Não ouço mais nada, eu só queria que alguém me explicasse o que houve comigo, e principalmente o que houve com a minha família. Eu salvei Alexia, eu me casei com ela e nós dois tivemos três filhos lindos. Eu não posso acreditar que isso se apagou do nada da memória das pessoas em minha volta.
Tento novamente forçar meus olhos para abrirem, porém é sem sucesso. Eu preciso acordar desse pesadelo. Eu tenho que saber o que houve nesses três anos comigo.
Foram os três anos de casados mais felizes da minha vida, mesmo que sofremos com Alexia não podendo ter filhos, mas a vinda de Théo foi uma surpresa linda, um milagre, como dizia ela.
Lutamos demais para ter a nossa família e eu não posso ter perdido isso em nenhum momento. Eu a amo muito e nada e nem ninguém pode tirar ela é meia filhos de mim. Com esse pensamento acabo dormindo novamente.
— E aí meu paciente bonito? Não vai acordar mais não? Chega de dormir. Sua família já está com saudades. Essa voz, sim, é ela. Minha mulher. Alexia, que bom, tão bom escutar a sua voz. Eu preciso sair desse coma, eu preciso vê-la. Sentir seus braços em volta do meu corpo. Ter seu carinho e ainda saber o que houve comigo. Então, estou vendo que você está bem. Espero que volte logo para falar com a gente.
— Alexia, vamos tomar café? Um homem pede.
— Claro. Acabei de chegar e nada que um café para me fazer aguentar o dia todo. Que p***a é essa? Minha mulher indo tomar café com um outro homem? Quando foi que permitir isso? Droga, se estou três anos em coma, devo ter perdido minha família. Não, isso não. Ela é minha, meus filhos são meus. Eu preciso sair desse estado para reaver minha família.
Não ouço mais nada a não ser esse barulho chato do aparelho. Tudo está confuso na minha mente.
Eu lembro da minha vida toda com Alexia, lembro de cada detalhe nosso juntos.
Lembro de quando adotamos as gêmeas, lembro de quando meu garotão nasceu. Minha felicidade era enorme, e hoje nem sei o que houve comigo, e pior o que houve com a mulher que eu amo e meus filhos.
Será que ela deu outro pai a eles? Será que ela se apaixonou por outro homem?
Não, isso não é possível. Nos amamos tanto, nos queríamos tanto, e não pode ser que perdemos isso assim do nada. Eu a quero de volta, e não vou desistir até ter a ela e meus filhos do meu lado. Sinto alguém chegar perto de mim e tocar meu braço.
— Oi mano, quando é que você vai sair desse estado? Precisamos de você. Sentimos sua falta. Justin pede parecendo chorar.
— Não aguento mais a dor de ter deixado você se machucar. Eu me condeno todos os dias, por não prever o perigo, por ter deixado você cair em uma armadilha. Agora é a vez de Ryan que parece chorar do mesmo jeito que Justin. Armadilha? Mas que p***a de armadilha é essa? Do que ambos estão falando? Droga, porque eu não consigo abrir esses olhos que pesam como uma rocha?
— Volta para nós, irmão. Temos tentado todos os dias te trazer pra vida, tentando fazer com que você saia dessa. Precisamos de você, e sentimos muito tudo que aconteceu. Eu só queria saber o que houve com Alexia e meus filhos, o resto não me importa.
— Pai conversou com o médico? Ouço Ryan questionar ao meu pai.
— Sim. A Dra Alexia, está cuidando dele nesse plantão. Ela disse que ele está bem. Seus sinais vitais estão respondendo perfeitamente. Papai está triste. E essa de Dra Alexia? Como Alexia virou médica em pouco tempo? E meu pai fala como se não a conhecesse.
— E porque ele não acorda? Estou tão cansado disso tudo. pai. Estou cansado de vir ao hospital e vê-lo assim. Justin pega na minha e aperta. Tento fazer o mesmo, porém parece que sou travado.
— Calma, filho. Seu irmão vai sair dessa. Temos que esperar o tempo dele. Papai parece que chora mais. O que há com essa família? Eu não estou morto.
— Pai, temos que mandar mais segurança para cá. Não confio em deixar só esses dois na porta. Podem saber que ele ainda está vivo e acabarem vindo aqui para terminar o serviço.
— Não precisam se preocupar. Ele está bem vigiado. Esse quarto é isolado do resto hospital. Papai diz e agora fiquei mais intrigado ainda. Quem é que tentou me matar? E porquê? Será que aqueles que sequestraram Alexia, não morreram todos? Merda, mil vezes Merda. E Alexia e meus filhos correm perigo.
— Vamos embora. Amanhã voltamos para mais uma vista. Espero mesmo que ele saia desse coma.
— Pai, porque nunca pensamos em levá-lo para casa? Sei lá, contratar uma enfermeira, uns médicos que pudessem focar somente nele. Ryan indaga e eu fiz isso com Alexia, porque não fazer isso comigo, já que estou correndo risco aqui?
— Tirar seu irmão daqui é trazer a mídia para cá e todos saberem que ele está vivo e não morto, como as pessoas pensam. As pessoas pensam que estou morto porque? Eu quero entender o que houve comigo. Quero poder gritar que estou ouvindo cada conversa. Mas não consigo. Nada em mim responde.
Eu não sei quanto tempo estou aqui preso nessa cama, com esse peso nos olhos. A cada momento escuto a minha família dizer algo, mas nada de revelar o que houve comigo.
Minha esposa tem me visitado sempre, porém nada, nem um beijo, nada de um carinho no rosto. Parecemos dois estranhos. Ela é muito amável quando conversa comigo, porém eu quero mais que isso.
Ela não fala como está, não fala dos nossos filhos. Minha família toda chora sentindo minha falta, mas ela não, parece que eu não sou ninguém para ela. Preciso sair desse estado para saber o houve.
Tento abrir meus olhos mais uma vez e o peso parece menor. Vou me acostumando em abrir devagar e não sinto eles tão pesado mais. Minhas vistas estão embaçadas, passo uma das minhas mãos nos olhos para começar a ver. O quarto está escuro.
Não vejo ninguém ao olhar para os lados. O aparelho ligado ao meu corpo está fazendo um barulho chato. Uma intravenosa está ligada o meu braço direito.
Tento me mover na cama para apertar o botão para chamar por alguém, mas não tem possibilidade, pois minhas pernas não respondem e nem me corpo. Bufo, pois me sinto frustrado de não poder fazer nada.
Eu estou com a garganta seca, não posso gritar. Será que alguém virá aqui me ver? Não me lembro de hoje ter passado alguém, então tenho que esperar.
Estou agoniado, pois horas se passam e nada de alguém vim aqui. Eu preciso saber o que houve comigo, ainda saber o porquê Alexia está tão fria, a ponto de não falar de nós, dos nossos filhos.
A porta se abre e uma luz fraca é acesa. Vejo um homem todo de branco, deduzo ser o médico. Ele ainda não percebeu meu olhar sobre ele, pois pegou a prancheta primeiro.
— D... Tento dizer com uma certa dificuldade. Ele não conseguiu me ouvir. Está concentrado na prancheta a sua frente. Levanto o meu braço e bato na cama com toda força que meu corpo não tem. Ele me olha assustado.
— Sr COLEMAN? Que maravilha o Sr acordado. Ele diz.
— A... Faço movimento pedindo água com a boca para ver se ele me entendeu.
— Claro. Água. Vou te dar e quero que beba em pequenos goles. Depois vou checar seus batimentos e ver se está tudo bem. Apenas assinto e ele pega água pra mim. Me dá um copo cheio e eu começo a tomar conforme ele me pediu. Ele fica me olhando, talvez analisando se realmente estou acordado. Termino e peço mais. Ele me dar e diz que será só esses dois por enquanto. Ele precisa fazer exames em mim.
Tomo tudo e ele começa a me examinar. Olha os olhos, pressão, batimento cardíaco, ouvidos e garganta.
— Parece que o Sr está novo em folha. Consegue falar?
— N. A. O. Falo soletrando a palavra.
— É normal. o Sr ficou muito tempo em coma. Sua fala vai voltar com tempo, seus membros inferiores podem não responder de imediato, terá que fazer fisioterapia. Porém de qualquer forma vamos fazer uns exames para ver se não tem nada de anormal por dentro. Ele fala e eu apenas assinto. Vou avisar sua família. Eles vão gostar de saber da notícia.
— M. I. N. H. A. E. S. P. O. S. A. Cada palavra era um arranhão na minha garganta. Ele me olha parecendo o intrigado com que eu disse.
— Sua Esposa? Ele pede para confirmar o que ouviu. Eu assinto, mas sua cara é de confusão. Ele sai sem dizer mais nada. Será que houve algo com ela? E meus filhos? Cadê?
Fixo meu olhar na porta esperando que alguém apareça. Eu quero notícias de Alexia e meus filhos. Isso está afligindo por dentro e eu não vou me acalmar enquanto não souber o que houve com eles, principalmente com minha esposa que não me dar a mínima. Ela não pode ter apagado tudo que vivemos. Ainda mais dando outro pai para meus filhos. Jamais aceitaria isso.
A porta se rompe e vejo quatro pessoas de branco passarem para ela. Atrás vem uma outra equipe cheia dos aparelhos.
— Sr COLEMAN, vamos fazer uns exames mais detalhados em você. Só para termos certeza que tudo está bem. Eu não digo nada.
Eles começam a fazer raio-X, exames neurológicos. Não sei quanto tempo se passou e eu já estava cansado de tudo ali. Tudo que eu queria saber era de Alexia e meus filhos. Nada mais que isso. Eles terminam e ficam conversando entre eles, não presto atenção, pois só quero que eles me liberem logo para eu ir atrás da minha família.
— Sr COLEMAN não achamos nada errado com o Sr. Está ótimo. Sua família está aí, vamos deixá-los entrar. Estou louco para vê-los e principalmente Alexia e meus filhos. Eles saem e logo depois meus pais e meus irmãos entram chorando e se jogando em cima de mim.
— Meu filho, como eu pedi por esse momento. Já não aguentava mais essa angústia de não te ter e te ver. Mamãe diz chorando muito.
— Nos perdoa irmão. Nos perdoa, foi culpa nossa. Não devíamos tê-lo deixado sozinho, mesmo sabendo o perigo que você corria. Eu não sei do que Justin fala.
— N. A. O S. E. I. D. O. Q. U. E. V. O. C. Ê. E. S. T. A. O. F. A. L. A. N. D. O. Indago, e eles me olham e se olham. O. Q. U. E. H. O. U. V. E. C. O. M. I. G. O? Peço querendo saber.
— Você não se lembra o que houve? Meu pai pede surpreso.
— N. A. O.
— Você sofreu um atentado. Você estava investigando um caso de tráfico humano, junto com algumas pessoas em Londres, porém isso acabou afetando você demais. Pois você estava muito envolvido. A cada prova descoberta você se sentia responsável por aquelas mulheres. Chegou até resgatar algumas, mas não foi o suficiente para parar a quadrilha. Quem pode ter saindo da cadeia que Richard colocou? Ou pior, quem foi que restou desse bando?
— P. A. P. E. L. E. C. A. N. E. T. A. Soletro, pois tenho várias perguntas. Ryan sai do quarto e vai pegar.
— É muito bom ter você de volta. Você não sabe como foram esses três anos. Choramos muito por você a cada dia meu filho. Mamãe sentou do meu lado. Espero que você fique bem agora. Ryan abre a porta e já me entrega o papel com a caneta. Começo a fazer algumas perguntas no papel como:
" Se alguém conseguiu fugir do cativeiro que Richard os levou"?
— De que cativeiro você está falando? Justin questiona intrigado.
" Eu havia mandado Richard levar Max e seu bando para esse cativeiro. Tínhamos certeza que todos haviam morrido. Não tínhamos conseguido levar todos no primeiro momento, porém pegamos Ronald, Lily e Amélia, e levamos para o mesmo cativeiro, sem falar do médico. Pegamos todos e levamos para esse cativeiro, e lá eles morreram. Não tive dúvidas que nenhum deles sobraram. Não fiquei sabendo que tinham mais pessoas". Entrego o papel para eles.
— Michael, não sabemos do que você está falando. Max Simmons é um promotor que está ajudando-nos nesse caso. Ronald Gonzales, é um policial de Londres que te encontrou quase morto. Lily e Amélia não sei quem são. Que Merda é essa? Eu estou ficando louco? Volto a escrever desnorteado.
" Como assim Max promotor? Gonzales policial? Max trabalhava na minha empresa, fingia ser meu amigo e não é. Gonzales é um fotógrafo que recrutava mulheres para o tráfico humano e prostituição. Amélia e Lily são parentes de Max. Amélia mãe de Max e Lily irmã. Eles estavam aliados a mais pessoas." Eu não sonhei isso, não é possível.
— Michael você está enganado. Não sabemos do que você está falando. Não é possível. Escrevo tentando entender o que houve.
" Cada minha esposa e meus filhos"? Só assim saberei que não estou louco. Eles me olham surpreso, parece que não entenderam a minha pergunta.
— Filho, você não é casado. Você não tem filhos. Começo a ficar desesperado. Faço sinal de negação com a cabeça várias vezes. Tento me levantar, mas sou interrompido pelo meu pai.
— Calma Michael. Você está muito agitado.
— A. l. E.X.I. A? C. A. D. Ê. A. L.E.X.I. A? Peço nervoso.
— Alexia? Alexia é uma médica aqui. Cuidou de você por todo o tempo que você esteve em coma. Mentira. Não. Balanço a cabeça em negação. Pego novamente o papel.
" Eu a salvei do tráfico humano. Ela estava perdida. Alessia e Alice achavam que a irmã estava morta. Então nós a resgatamos, Justin e eu. Trouxemos ela de Londres. Me casei com ela e tivemos três filhos. Sophia, Amber e Théo. Eu quero vê-los. É a minha família." Não é possível tudo isso.
— Michael você nunca se casou. Alice e Alessia não tem outra irmã. Você deve ter ficado com seu caso em mente e acabou confundindo as coisas. Não. Eu amei, eu a tive nos meus braços. Mamãe fala e eu não acredito nisso.
— Irmão, você está confuso. Foram muitas coisas para você. Fique calmo. Eu tenho certeza que estou casado com Alexia Foster. Não pode ser coisa da minha mente.
Eu me lembro de cada palavra de amor. Cada toque dela, cada briga que tivemos por causa do médico. Alguém a tinha comprado. Estava atrás dela. Não, isso não pode ser coisa da minha mente. Eu tive sonhos bem vividos com ela, sonhos que me levaram a ela, sonhos que me fizeram apaixonar por ela.
Eu achei que minha mulher precisava de um mimo. Tem tempos que não dou nada para minha linda mulher, e ela tem me dado tanto, principalmente três filhos maravilhosos.
— Você não sabe o quanto eu sou feliz com você, você não sabe que desde meus sonhos, minhas visões com você eu a amei, e faria tudo de novo para que pudéssemos estar aqui. Viver com você, te salvar, te ver ali perdida, foi somente nosso destino, destino que nos levou até aqui, que nos levou a ter três filhos que são para nós a maior das recompensas. Eu não espero mais nada além de sermos um só, além de nós amarmos e saber amarmos mais ainda nossos filhos. Nos beijamos com tanto amor.
Isso foi real. Foi mais que real para mim. Ela foi minha desde os sonhos, desde a visões. E agora eu não tenho nada. Meus filhos, minha mulher passaram de uma fantasia, de visões deturpadas da minha mente. Eu não consigo entender nem aceitar que hoje estou vazio por dentro, coisa que não estava nos três anos de casado com o amor da minha vida. Tenho vontade de gritar, de dizer que eu vive uma vida com alguém que não era minha de verdade. Choro desesperado.