Pré-visualização gratuita Prólogo.
O Pecado na Forma de Estella
Era sempre aos domingos, durante a missa das dez, que Joarez se via preso a um sentimento que o corroía por dentro. Estella entrava pela porta da igreja de São Vicente como uma brisa leve, silenciosa, mas havia algo nela que fazia o mundo de Joarez estremecer. Ela era simples, quase comum aos olhos dos outros, mas para ele, cada detalhe seu era um universo à parte. Aos 28 anos, carregava uma mistura de inocência e mistério, como se o tempo tivesse esquecido de marcá-la com as cicatrizes da vida. Para Joarez, ela era uma presença impossível de ignorar.
Estella sempre ocupava o mesmo banco próximo ao altar. Seu vestido discreto m4l podia esconder a aura que emanava dela. O cabelo castanho ondulado dançava ao vento que atravessava a igreja, uma dança hipnotizante que parecia guardar um segredo. Cada fio parecia chamá-lo, como se tivesse vida própria. Joarez sabia que deveria olhar para o altar, mas seus olhos sempre encontravam o caminho de volta para ela. Cada detalhe, cada movimento dela era como uma oração silenciosa que ele queria ouvir, mas que ao mesmo tempo o afastava do altar.
O perfume de Estella era quase um enigma. Não era marcante, mas havia algo naquele aroma suave de flores silvestres que mexia com ele de maneiras que ele não podia controlar. Era como se o perfume carregasse consigo a essência de tudo o que Joarez havia perdido e tudo o que desejava encontrar. Às vezes, ele fechava os olhos durante a missa, não para rezar, mas para absorver aquele perfume, permitindo-se um momento de fraqueza que sabia ser perigoso. No silêncio do templo, aquele aroma se tornava um lembrete constante de sua humanidade, de tudo o que ele tentava deixar para trás.
Após sua oração noturna o sono o abraçou. Estella estava lá, mas não como a mulher discreta que ele via todos os domingos. Estava diante dele, trajando um vestido de seda que parecia dançar com cada movimento. Os cabelos soltos caíam em ondas sobre seus ombros, os olhos fixos nos dele, e os lábios curvados em um sorriso que era tanto inocente quanto tentador.
“ Joarez”, ela sussurrou, sua voz doce como mel, mas carregada de um convite perigoso.
Ele tentou falar, mas sua voz não saiu. Ela se aproximou lentamente, e a cada passo, ele sentia sua respiração acelerar. Quando ela parou a centímetros dele, estendeu a mão, tocando suavemente o rosto dele. O calor daquele toque queimou sua pele, e ele fechou os olhos, tentando resistir. Mas era impossível.
Ele era apenas Joarez. Um homem. E ela, Estella, era a mulher que o fazia esquecer de tudo, até mesmo de quem ele era.
Ela o puxou para mais perto, os dedos traçando o contorno do rosto dele. “Você me deseja, não é?” A pergunta era tanto uma provocação quanto uma certeza. Ele não respondeu, mas seu corpo o traiu, ela passou a mão o sentindo rígido. Estella deslizou os dedos pelo peito dele, desabotoando lentamente a camisa que ele nem sabia estar vestindo.
Joarez tentou resistir, tentou se afastar, mas suas mãos a envolveram, segurando-a pela cintura como se ela fosse a única coisa que o ancorasse àquele sonho. Os lábios dela estavam a um sussurro de distância quando ele finalmente cedeu. O beijo foi suave no início, mas rapidamente se transformou em algo mais urgente, mais intenso.
Ele a segurou com força, o mundo ao redor deles desaparecendo. O cheiro de flores silvestres que ele sempre associava a ela agora o envolvia completamente. Estella soltou um suspiro enquanto suas mãos exploravam cada curva do corpo dele. Era como se ela estivesse marcada em sua pele, deixando rastros de calor onde quer que o tocasse.
“Você é meu”, ela sussurrou, os olhos fixos nos dele. E naquele momento, ele acreditou.
Ela o deitou lentamente no chão do que parecia ser a própria igreja. A luz das velas iluminava o rosto dela, os olhos brilhando com um desejo que ele nunca havia visto antes. Ele sabia que era errado. Sabia que estava pecando, mas o prazer que sentia superava qualquer culpa. No sonho, não havia restrições, apenas a entrega. E ele se entregou completamente.
Estella o olhou nos olhos , gosta assim Joarez? Descendo com beijos pelo corpo de Joarez que gemia suavemente.
Meu Deus não consigo resistir, não quero resistir, me ajuda!
Estella chegando encontrou a calça de Joarez, olhou para ele com um sorriso Sapeca. Posso?
Juarez fechou os olhos com uma lágrima dançando pelo seu rosto, uma luta interna o consumindo.
Estella tirou a calça de Joarez, que sorriu ao ver o corpo não resistindo aos toques dela.
Estella senta encaixando em joarez que a olha com um olhar de total entrega.
Estella se inclina para o beijar e sussurrando diz. Joar...
Joarez acordou, o suor escorria por sua testa, o corpo tenso, como se o pecado do sonho tivesse invadido a realidade. O quarto estava escuro, mas o cheiro de flores silvestres parecia ainda pairar no ar. Ele se sentou na cama, os pensamentos confusos, o coração acelerado. “Estella”, ele sussurrou, o nome escapando de seus lábios como uma prece e uma maldição.
Joarez passou as mãos pelo rosto, tentando apagar a sensação do sonho, mas ela estava em todo lugar. Ele sentia o toque dela em sua pele, o sabor do beijo ainda em seus lábios. A culpa era como um peso esmagador, mas junto dela vinha o desejo, incontrolável e devastador.
“Meu Deus”, ele murmurou, levantando-se da cama e caminhando até a janela. A escuridão da noite parecia refletir o estado de sua alma. Ele olhou para o céu, buscando forças para enfrentar o dia seguinte, para encará-la novamente na igreja sem que ela percebesse o que ele carregava dentro de si.
Por que ela?", ele pensava. "Por que você, Estella? Entre todas as pessoas que poderiam ter cruzado meu caminho, por que você carrega o poder de me derrubar com um simples olhar?" Ele sabia que era errado, mas quanto mais tentava resistir, mais ela invadia seus pensamentos. Não era apenas desejo, era algo mais profundo, algo que ele não conseguia nomear.
O sonho o havia desnudado, revelando o que ele mais temia: não era apenas um desejo passageiro. Era algo muito maior, algo que o puxava para um abismo do qual ele sabia que não poderia escapar. Estella não era apenas uma mulher. Ela era o pecado personificado, e ele, o homem condenado a desejá-la.
"Estella", ele pensava, "você é minha perdição. O desejo que me domina e o segredo que não quero enfrentar. Se eu pudesse tocá-la, apenas uma vez, o mundo desapareceria, e eu seria consumido por você. Você é o meu pecado. E eu estou perdendo a batalha."
Havia uma dualidade em Estella que o fascinava. Para os outros, ela era apenas uma jovem mulher, bonita, mas discreta. Para Joarez, ela era um mistério, uma tentação, e, de alguma forma, uma chave para algo que ele não compreendia completamente. Ele sentia que havia mais nela do que aparentava. Algo em sua postura, em seus gestos, o fazia pensar que ela também carregava segredos. Mas ele nunca ousou se aproximar para descobrir.
Ele se perguntava se algum dia ela olharia diretamente para ele. Se perceberia o impacto que tinha sobre ele. Mas, ao mesmo tempo, temia que isso acontecesse. Porque, se ela o olhasse, se percebesse o que ele sentia, tudo mudaria. Ele não sabia se conseguiria continuar fingindo, se conseguiria manter as aparências.
Os sonhos eram sua única liberdade. Neles, ele podia ser apenas um homem, sem a batina, sem o peso do passado, sem os segredos que o aprisionavam. Nos sonhos, ele era apenas Joarez, e Estella era sua. Mas a realidade sempre o chamava de volta, e ele sabia que nunca poderia ter o que desejava.
Havia algo em Estella que o fazia lembrar do que havia perdido. Ela era como uma janela para uma vida que ele nunca poderia ter, mas que ansiava desesperadamente. Cada vez que ela entrava na igreja, cada vez que ele a via, sentia-se mais perto de um abismo. E ele sabia que não poderia resistir para sempre.
Ainda assim, ele tentava. Cada domingo era uma nova batalha. Cada olhar, um novo teste. Joarez sabia que estava perdendo a luta, mas não sabia como parar. Estella era sua tentação, sua perdição, e ele não tinha forças para se afastar.
E, no fundo, ele sabia que ela não era apenas o objeto de seu desejo. Ela era mais. Talvez o elo que uniria seu passado ao presente. Ou talvez o gatilho que destruiria tudo o que ele construiu.
Enquanto a observava na missa, algo dentro dele sussurrava que ela não era apenas um desejo. Estella era mais. Talvez o elo que uniria seu passado ao presente.
E assim, a cada domingo, Joarez sentia que se aproximava do abismo, sem saber se deveria recuar ou se jogar de vez.