Nas horas que se passaram, desespero era pouco pra situação. Shawn só faltou fazer um buraco no chão, andando pra lá e pra cá. Louis fumou uma carteira de cigarros quase inteira, revezando com café (Até Aaliyah tomar o cigarro e rebocar ele pra dentro). Karen fora a capela, rezar. Niall esperava, apreensivo, com uma Clair adormecida no colo. Sophia e Madison tinham o olhar distante, as mãos dadas.
Madison: Eu tinha acabado de conseguir o passaporte quando deu o plantão na TV. - Disse, angustiada. Madison era mãe - era a que mais sabia o quanto Camila estava perdendo ali - Se eu tivesse tido mais uma hora...
Shawn: Não ia mudar nada. Eu iria atrás dela, nem que fosse no inferno. - Disse, andando de um lado pro outro.
Louis: Eu preciso de um cigarro. - Disse, se levantando, e Aaliyah passou as pernas por cima do colo dele.
Aaliyah: Chega. - Disse, determinada, e puxou a cabeça dele pro colo dela.
Niall: Isso não acaba nunca. Demorou mais que o de Clair. - Disse, atordoado. Já faziam horas.
Sophia: A gravidez de Clair foi um sonho comparado ao dessa criança. - Lembrou.
Então Liam apareceu, e todos levantaram. Louis, na pressa, levou Aaliyah no colo. A recepção toda aguardava. O caso de Camila se tornada bastante famoso no hospital - os funcionários torciam, assim como os pacientes há muito tempo ali e seus acompanhantes. Viram o estado em que chegara, às vezes em que quase abortara, Shawn forçando-a a se movimentar todos esses meses, e torciam.
Liam: Não sei se cheguei a dizer... Mas é um menino. - Disse, sorrindo em seguida. Shawn quase desmaiou. - 3 kilos, espantosamente saudável, e bastante cabeludo. - Brincou. Shawn cambaleou, sentando no sofá ao mesmo tempo em que duas lagrimas grossas caíam pelo rosto.
Shawn: E Camila? - Perguntou, rouco. Liam balançou com a cabeça.
Liam: Quase na mesma, um pouco pior. O parto exigiu demais dela. - Houve um gemido geral - É delicado pra mulheres no normal, mas no caso dela... Enfim. Vão trazê-la de volta pro quarto daqui a pouco.
Shawn: Eu posso vê-lo? - Perguntou, ansioso.
O berçário não estava de todo cheio. Haviam 5 crianças só, e dezenas de lugares vazios. 3 eram meninas, havia um menino no braço da enfermeira... E um bebê na incubadora, de fralda descartável, no oxigênio e sendo monitorizado. Liam tinha razão: Era cabeludinho. Tinha os cabelos feito os do pai quando criança. No braço havia uma pulseira azul escrito "Camila e Shawn Mendes".
Liam: A propósito, qual é o nome dele? - Perguntou, enquanto Shawn sorria, tocando a incubadora.
Shawn: Não sei. - Percebeu, com um riso bobo - Vou decidir. Logo. Não agora. - Disse, olhando o bebê como se fosse um milagre. Sentia o coração batendo no peito, descompassado, mas não de um jeito r**m. Era novo.
Liam: Nunca soube desse seu desejo por ser pai. - Disse, sorrindo de canto, vendo a adoração com que Shawn olhava o bebê.
Shawn: Na minha cabeça eu não podia ser. Mas isso... É diferente de tudo o que eu já senti. - Disse, dando de ombros.
Liam: Certo, vai afogar o bebê com a sua baba. Vamos. - Shawn o olhou, ultrajado - Você não pode ficar aqui, já viu ele. - Shawn ergueu a sobrancelha - Camila já está no quarto. - Avisou. A feição do outro mudou.
Camila estava de volta a sua cama, apagada, mais branca e mais frágil que nunca. Agora tinha uma mascara de oxigênio, ao invés de só os tubinhos. A barriga enorme sumira. Ele se aproximou, os olhos sem a alegria anterior. Camila parecia de papel, parecia que ia quebrar a qualquer instante.
Shawn (e os Mendes) foram rebocados por Liam de madrugada, sendo forçados a sair sobre a evidencia obvia de que o bebê não ia precisar deles, e a probabilidade de Camila acordar aquela noite era mínima. Shawn, ao chegar em casa, foi direto pro banho. Fora um dia exaustivo. Ele sorriu, se secando, lembrando do filho. Queria poder carregá-lo, queria que abrisse os olhos. E ele precisava de um nome.
Shawn vagou pela casa, e não chegava a uma conclusão. Eram dezenas de nomes. Sua primeira intenção foi de colocar "Manuel", em homenagem ao pai, mas lembrando do rosto do filho... Não combinava. Ele foi ao quarto de Camila, frio, vazio, buscando que a lembrança dela o ajudasse. Foi então que viu, saindo de dentro de uma fronha de um dos travesseiros, um livrinho preto. O diário dela. Ele foi pra sala, se sentando. A lembrança dela ali era vivida: A imagem do piano vazio gritava a ausência dela. Ele balançou a cabeça, abrindo na primeira folha.
Fechou a cara. Camila arrasava com a vida dele em cada pagina. Em algumas ele ria dos disparates dela, balançando a cabeça. A caligrafia dela ali era a prova de que ela esteve lá, acordada, a mão quente traçando aquelas palavras. Estranho, mas reconfortante, apesar de que ela falava m*l dele o tempo todo. Levou dias lendo aquilo. Eram os últimos meses do casamento dos dois pelo ponto de vista dela. Haviam varias paginas falando da morte do pai, da dor que sentia, da falta de esperança e do ódio por ele, Shawn, não tê-la deixado ir ver o pai. Algumas folhas seguintes e algo que o fez franzir a testa. Ela estava com raiva. Segundo ela, testara alguma coisa, e percebera que apesar do ódio que sentia por Shawn, não conseguia ficar com outro homem - o pavor a tomava imediatamente. Ele franziu o cenho, olhando pra frente. Como ela testara?
Karen: Querido, o almoço está servido. - Chamou, e ele ergueu a cabeça. Era domingo, e todos estavam almoçando com Karen. Shawn, depois de ir ver Camila e o filho, se rendera - O que você tanto lê?
Shawn: Nada demais, só uns registros. - Dispensou, se levantando.
O almoço foi tranquilo. Apesar do estado de Camila, que não evoluía, Liam estava animado com a melhora do bebê. Logo surgiu o assunto de que a criança não tinha nome, e depois do almoço haviam grupos de debate sobre o assunto. Shawn voltou a sua leitura. Algumas paginas depois ela começou a dar indícios de que o mata-mata dos dois começara. Era engraçado o modo como ela via as coisas. Vale ressaltar que era tudo subentendido: Camila era inteligente o suficiente pra não escrever nada ali que pudesse incriminá-la. Depois a desistência... Uma entrada em que ela dizia que Shawn tinha um trunfo pra se livrar dela (ele bem que teria gostado na época, mas que trunfo, gente?), mas que ela não ia deixar barato (provavelmente o dia da ultima transa dos dois)...
Então a ultima folha. Ele ignorou o debate em volta, lendo as ultimas frases.
"Se fosse uma possibilidade, é claro, se Shawn além de me humilhar não tivesse esmagado tudo, eu gostaria que fosse um menino, se pudesse escolher. Mesmo Shawn sendo conturbado como é, sei que o amaria quando visse. Ele pode ser um filho da p**a de marca maior, mas vejo como se porta com Clair e com Gregory - Maltratar criancinhas ainda não está no cardápio dele. Gostaria que fosse um menino, mas se fosse menina seria maravilhoso também. Tenho pavor de gêmeos - pelo amor de Deus. Pra meninas existe uma infinidade de nomes, eu nem consigo listar, mas se fosse menino, se chamaria Nathaniel. É um nome forte, bonito, e assim como Greg, ele seria Nate quando pequeno. É, quando criança seria Nate, e depois, quando fosse dono de si, seria "Nathaniel Mendes". Bonito, forte. Queria pensar que existe esperança, mas sei que não há. Pensando bem, seria c***l trazer uma criança a esse relacionamento conturbado que nós temos... Ok, estou só devaneando. Garotas podem sonhar, não é?"
Shawn revistou as ultimas paginas, mas estavam em branco. As memórias dela acabavam ai. Ele fechou o livro, pensativo. A discussão continuava.
Sophia: Dave é um nome bonito. - Considerou.
Niall: Não, fraco demais. Tipo "John", "Paul" ou "George". Precisa ser um nome forte. - Descartou.
Aaliyah: Você tem algum problema com os Beatles? - Perguntou, erguendo a sobrancelha. Niall piscou, percebendo o que dissera, e riu.
Perrie: Devia ser Elijah. - Disse, convencida. Os outros pareceram gostar. Se calaram, pensando - Gosto de Elijah.
Madison: Não gosto de quem a sugestão veio, principalmente pro filho de Camila, mas Elijah é um bom nome. Eu gosto de como soa. - Concordou.
Louis: É bonito. - Concordou.
Liam: Combina com o sobrenome. - Acrescentou.
Perrie: Elijah, então? - Perguntou, radiante com a vitoria. Ela daria nome ao filho de Camila, que continuava feito um dois de paus na cama. Entretanto...
Shawn: Não. - Disse, e os outros se viraram pra ele - Ele se chamará Nathaniel. - Disse, sem dar mais explicações. Devia isso a Camila.
Niall: Nathaniel? - Confirmou.
Karen: Gosto desse nome. - Disse, satisfeita, chegando na sala.
Shawn: A mãe dele escolheu. - Explicou, balançando o diário entre os dedos - O nome dele é Nathaniel. Nate. - Completou, decidido.
Os outros pareceram gostar, exceto Perrie, que parecia ter levado uma bolacha - Vou ao cartório amanhã de manhã, registrá-lo. - Ele se virou - Liam, há algum modo de comprovar que Camila está em coma, pra que poder registrá-lo com o sobrenome dela também?
Liam: Vou providenciar um atestado. É só levar. - Disse, simples, Shawn assentiu.
Camila podia estar em coma, perdendo a maioria das coisas, mas pelo menos isso não perdera. Seu filho teria o nome que ela escolheu. Perrie ficou calada o resto da noite, irritada, mas ninguém deu bola. Agora, oficialmente, a família Mendes ganhara mais um m****o, e era só no que todos queriam pensar.
**
As semanas seguintes foram relativamente calmas. O bebê fora registrado imediatamente, se chamava Nathaniel Mendes, como foi a vontade da mãe. A mãe continuava em coma, sem nenhum avanço, nenhuma melhora. Nate, por outro lado, era um bebê saudável. Ganhou peso como era esperado, passou a respirar sozinho e saíra da incubadora. Abriu os olhos no quarto dia de vida, e era o dono de lindos olhos azuis, bem clarinhos, lembrando absurdamente os da mãe. Ainda assim, não foi levado pra casa. Precisava de Camila, e ela precisava dele. Ele precisava mamar, se alimentar e ganhar força, e mesmo em coma os s***s dela estavam pesados de leite.
Madison: Essa é a cena mais triste que eu já assisti na minha vida. - Disse, mortificada, em um dos vários dias em que ia ao hospital.
Camila continuava apagada. Os enfermeiros subiram a cabeceira da cama dela, deixando-a quase sentada, e colocaram o menino pra mamar. Um dos enfermeiros segurava o braço dela em torno do bebê, mantendo-o ali. Madison sabia que amamentar criava um vinculo insubstituível entre mãe e filho, e Camila estava perdendo isso também.
Liam: Escute. - Shawn, que observava, olhou - Vou dar alta ao garoto. - Avisou, e Shawn sorriu, maravilhado.
Shawn: Mas e... - Ele gesticulou, mostrando o menino mamar.
Liam: Vamos extrair o leite de Camila com uma maquina, assim você poderá levá-lo pra casa. Vou receitar um suplemento pra bebês também, deve ajudar. Não tem porque ele continuar no hospital se é perfeitamente saudável. - Disse, dando de ombros.
Madison: Eu ainda tenho leite. Clair está largando aos poucos, já tem 2 anos, mas ainda me sobra. Posso ajudar. - Disse, quieta. Liam assentiu, animado.
Liam: Então está feito. - Disse, satisfeito.
O menino terminou de mamar e o enfermeiro o tirou dali, pondo-o pra golfar, enquanto uma enfermeira recompunha Camila. Essa continuava apagada, pálida, inconsciente de tudo a sua volta. Nate foi no colo de Shawn pra casa. Esse dispensou toda e qualquer ajuda: Depois de tanto tempo, queria um pouco de privacidade com o filho. O menino estava acordado quando chegaram lá.
Shawn: Bom, essa é sua casa. - O bebê continuou quieto, olhando-o - Grande demais por agora, mas com o tempo você a conhece. - Disse, ajeitando a bolsa de bebê no braço, segurando o menino cuidadosamente - E esse é o seu quarto.
Ele acendeu a luz do quarto, agora totalmente pronto, mas o menino fez pouco caso. Parecia ter sono. Shawn sorriu, largando a bolsa de bebê em uma poltrona e ninando o menino por minutos, até que ele caiu num sono tranquilo, fofinho em seu macacãozinho azul, os dedinhos fechados. Shawn sorriu mais ainda vendo-o adormecido, e foi até o berço. O menino criou caso a inicio, mas estava cansado da viagem, e por fim aceitou o berço.
Shawn: Shhh. - Disse, ninando o bebê. - Vai ser difícil sem ela, Nate. - Disse, pesaroso - Mas vamos dar um jeito. - Prometeu, olhando o filho dormir. - Estou aqui, ok? - Ele se abaixou, dando um beijinho no topo da cabeça do filho, que dormia profundamente, e fechou a cortina do berço, respirando fundo.
Ele sabia que seria difícil. Sabia que m*l começar. Aquele filho mudaria tudo: Toda sua rotina, suas manias, seus gostos. Ele precisava saber tanta coisa e sentia que não sabia nada. Era responsável por aquela vida, e se sentia totalmente perdido... Mas daria um jeito. Erguera um império partindo de quase nada, então conseguiria ser o pai que seu filho precisava. Amava aquele bebê com uma força desmedida, algo que ele nunca sentira antes. Sua prioridade mudou totalmente: A numero um era Nate, independente de todo o resto. Seu mundo girava em torno daquilo... Ele ia conseguir. Ia fazer isso, não importa o preço, e quando Camila acordasse, era isso que ela ia encontrar: O filho dos dois, feliz, saudável, protegido e amado.
**
Shawn sabia que seria difícil... Mas nem tanto. A verdade é que já é trabalhoso pros 2 pais ter um filho - pro pai sozinho então, é quase impossível. As semanas passavam, e ele não dormia direto, não tinha tempo pra nada. Não sobrava tempo pra ele trabalhar, pra visitar Camila, pra respirar, pra nada. Estava exausto. Como era possível que uma criatura tão pequena fizesse tanto barulho?
Shawn: Certo, isso não está cheirando bem. - Nate o olhava, totalmente tranquilo - GAIL! - Chamou, em voz alta, e o menino sobressaltou - Não, shhh, mentira, brincadeira, pronto. - Ele passou a mão no rosto. Onde d***o estava Gail?
Mas a governanta não estava em lugar algo. Nate começou a chorar. Shawn parou na sala, a testa colada na vidraça, respirando fundo, e voltou pro quarto.
Shawn: Tudo bem, meu filho. Gail abandonou o navio. - Disse, debochado, apanhando o menino e levando-o até o trocador - Porque você não deixa pra dormir agora de noite? - Perguntou, abrindo a fralda. Nate m*l se importava. - Papai precisa dorm... Jesus Cristo. - Disse, levando o punho a boca.
As próximas meia hora foram dedicadas as tentativas falhas de Shawn trocar o garoto. Depois de limpar a sujeira e seguir as instruções direitinho, não conseguia fechar a fralda. O menino o encarava, e parecia avaliá-lo. No fim conseguiu e ergueu o bebê nos braços, como um troféu.
Shawn: AHÁ! - Disse, orgulhoso - Foi fácil. - Disse, deslavado. O menino o encarava, quieto - Não me olhe desse jeito, foi sim. - Disse, erguendo a sobrancelha - Ok, você lembra absurdamente sua mãe quando me olha assim, vamos ver se você dorme. - Disse, deitando o menino.
Cada dia era uma batalha. Nate dormia o dia quase todo, o que significava que de noite estava a toda. Típico de bebê, invertera os horários. Shawn estava sendo forçado a inverter os seus também, mas estava cansado.
Niall: Precisamos saber se você um dia pretende voltar a trabalhar. - Disse, apanhando uma fralda de tecido do braço do sofá.
Shawn: Estou de licença maternidade, não dá pra ver? - Perguntou, obvio, ninando o menino. Era noite. Nate comera, e como Shawn havia brincado com ele durante o dia, impedindo ele de dormir, tinha esperanças de fazê-lo dormir agora. Ninava o menino, que não parecia bem convencido. Louis piscou duas vezes e gargalhou gostosamente. Shawn se virou, os olhos arregalados, e Niall tapou a boca de Louis com a mão. Conseguia ouvir o choro as vezes, de madrugada. - Pronto, meu bem. - Disse, ninando o menino.
Louis: Desculpe - Disse, erguendo as mãos - A senhora pretende voltar algum dia?
Shawn: Meu filho precisa de mim. - Disse, absoluto.
Niall: Eu sei, mas as ações da empresa estão balançando de novo. No seu setor. - Apontou. Shawn revirou os olhos.
Shawn: Só me deixem me acostumar com isso. Encontrar um ritmo, um modo de fazer funcionar. - Disse, cansado - E Camila? - Perguntou, olhando Louis, que via Camila todos os dias.
Louis: Do mesmo jeito de ontem. - Respondeu, já sem o sorriso.
Camila continuou do mesmo jeito. As semanas se passavam, e ela não esboçava nenhum sinal de melhora ou piora, nenhum sinal de nada. Estagnara, deitada na cama, e a única evidencia de que o tempo estava passando era os cabelos, que cresciam.
Shawn ia vê-la sempre que podia, sempre que Karen ficava com Nate, mas Karen tinha Greg, então não podia ficar o tempo todo. É claro que isso não o detinha de fazer ligações de madrugada.
Shawn: Mãe? - Perguntou, no telefone, ninando um Nate que chorava a plenos pulmões - Nate não para de chorar. Não é fome, não é febre, não é a fralda, não é nada, pelo amor de Deus! -Disse, atordoado. - Cólica? - Perguntou, olhando o menino. O elevador apitou e Shawn meteu a cara no corredor, vendo Madison entrar - Não, não precisa. Madison está aqui.
Madison: Vem cá, meu príncipe. - Disse, apanhando-o do colo de Shawn. Ela tinha um hobby de seda preta amarrado e o cabelo preso em um r**o de cavalo. O menino chorava, inconsolável - Dá pra ouvir o choro lá debaixo. O que foi? - Perguntou, andando com ele pelo corredor, ninando-o.
Shawn: Minha mãe diz que é cólica. - Disse, acompanhando os dois, atrapalhado. Fora o fator de que era irritante, ouvir Nate chorar lhe dava um aperto horroroso no peito.
Madison: Tá doendo a barriguinha? - Perguntou, dando meia volta. Shawn a acompanhou - Quando ele tiver cólicas, você passa ferro em uma fralda de pano, pra esquentá-la, sabe? - Shawn assentiu - E coloca na barriguinha dele. É normal nos primeiros meses.
Dito e feito. Shawn esquentou a fralda e Madison a colocou na barriga do menino, com cuidado. Alguns minutos depois o choro parou. Shawn se largou na poltrona, exausto, e Madison cuidou do menino. Quando a fralda esfriou ela o carregou, ninando-o, e o bebê adormeceu.
Madison: Isso é novo. - Disse, olhando alguns porta retratos em cima da penteadeira. Shawn olhou. Haviam três: Uma foto dele, uma dele e de Camila no primeiro evento em que foram juntos e uma dela sozinha. As três fotos eram de b***o, e as três foram conseguidas com alguns telefonemas pra algumas revistas.
Shawn: Ele vai crescer, e vai precisar saber e reconhecer quem é a mãe dele. - Disse, dando de ombros. - Quando estiver maior vou levá-lo ao hospital pra vê-la periodicamente... Isso se ela não tiver acordado ainda. - Completou. Madison não disse nada, mas tinha uma expressão satisfeita.
Shawn agradeceu quando ela foi embora, infinitamente grato. Checou o menino, que dormia profundamente, e foi pro quarto. Se jogou na cama, abraçando um travesseiro. Nunca reparou como aquela cama era maravilhosa. Parecia uma nuvem, de tão boa.
Ele dormiu um sono pesado, exausto, apagou totalmente... Então, no que pareceu ser um piscar de olhos, o choro de Nate recomeçou.
Ele gemeu, tapando a cabeça com o travesseiro, mas o choro insistiu.
Shawn: Já vou, meu filho. - Disse, cansado, se levantando. Segundo o relógio de cabeceira tinha dormido quase duas horas, mas não era o que o corpo dele dizia.