— Quando volta, doutor?
— Não sei. Quando precisar diminuir o estresse. Mantenha os exames em dia, a cada quinze dias, sempre vamos usar o preservatiivo, mas prefiro assim..
— Mantenho. E não vou me deitar com outro cliente também, até mesmo em casa, uso preservatiivo, e não faço s£xo or@l nele, porque não nos damos muito bem nada cama.
Ignácio já ia saindo.
— Como?
— Sou casada.
— Se o seu marido descobrir, vai mattar você, India..
— Ele sabe. Ele sabe e vou dar parte do dinheiro que ganhar com os outros trabalhos que fizer aqui... senhor.
— Não tem um homem em casa, Índia não tem. Que tipo de homem aceita uma merd@ dessa?
— O meu, doutor. Ele não gosta muito de trabalhar e nem é bom de cama, como o senhor.
— Deixa a sua filha com um homem assim?
Ignácio quis saber.
— Ele é um bom pai. Por isso ainda estou com ele. Protege e vigia a nossa menina em todos os lugares.
— Certeza que ele não é pedófillo?
— Certeza. Tenho câmeras em casa porque antes eu pagava uma babá, então tenho certeza. Ao menos como pai, posso dizer que ele faz a parte dele. Essa é a qualidade dele.
Ignácio ficou quase sem acreditar. Que tipo de homem permitia que sua mulher fizesse programa?
Entrou no carro e foi para casa.. mais um banho e se sentou computador.. A sua vida era era o trabalho. Não tinha mais nada para fazer.
Não era um santo. Tinha saído do âmbito judicial e era aliado de Barder, o líder do cartel Estrelita. Ele e Barder estavam preparando o próximo governador local. Com o governador ao lado deles, seria ainda mais fácil fazer seu trabalho.
Ignácio não era um idealista. Sabia muito bem que a criminalidade nunca iria acabar, mas ele tinha o dever de ao menos defender quem era inocente, e condenar quem machucava crianças, cometia £stupros e violência contra mulher, ao menos esse papel ele fazia bem... Além disso, tinha algumas gangues que precisava acabar, porque estavam ligadas ao tráffico de mulheres e ao tráffico infantil.
Podia ser dual.. era um juiz e estava se aliando a um cartel, mas o cartel estrelita tinha as suas qualidades, não trafficam pessoas, não importava a idade, se aliava aos menos piores.
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Alondra
Alondra entregou o buquê de flores para a cliente.
— Obrigada, senhorita.
— Por nada.
__ Volte sempre.
Olhava para a porta, Maria balançou a cabeça.
— Ela não é para você, entende? Devia deixar, Renato. Alondra, ele não é para você.
— Está enganada. Ele só é jovem, Maria. Só isso. Namoramos desde a escola e vamos no casar em seis meses.
— Como se casa Alondra? Ele não tem casa, não tem trabalho. Agora vendeu carro, a única coisa que ele tinha garota..
— Mas ele vai encontrar trabalho, sim, e alugar uma boa casa. Ele me prometeu.
— Sabe que gosto de você, mas sua avó devia ter preparado você para a vida. Deixou você ingênua desse jeito e agora o Renato se aproveita. Você é uma mulher bonita. Podia encontrar um bom partido, alguém com dinheiro e que vai cuidar de você.
— Quero me casar por amor, Maria, não por dinheiro.
— Mas amor, Alondra, não enche barriga. Amor não paga carro, escola de filhos, plano de saúde e medicamentos. Se ele fosse pobre e trabalhador, eu ainda entendia. Mas Renato é um jogador.
— Ele não joga mais
Qualquer hora teria que arrastar Alondra até os bares e mostrar onde Renato ficava para ela acordar.
Maria sentia pena daquela menina ingênua que acreditava no namorado.
— Jura Alondra. Jura que não trans@r com o Renato.
— Juro. Não vou mesmo. Só depois do casamento...
— Jura para mim, pela memória da sua avó, Alondra.
Maria pediu..
— Eu juro.
Maria tinha medo de Alondra se entregar para Renato, ficar grávida e ser abandonada com muita facilidade.
Abraçou a amiga.
— Tenha cuidado e desconfie do Renato para tudo. Ele não vale a pena.
— Eu sei. Eu sei que é minha amiga, mas você vai ver que ele vai mudar.
Maria tinha certeza de que não.
Acabou dividindo o almoço com Alondra, porque Renato só apareceu mesmo no fim do dia para levar Alondra para casa, a pequena pousada onde ela morava depois de ficar órfã.
Era uma pousada pequena, e a parte que ela morava contava com quarto e cozinha e a dona já conhecia Renato , porque ele sempre aparecia com aquele sorriso fácil.
Alondra preparou o jantar para os dois, jantaram juntos, e ela foi para o banho, trancou a porta para não ser pega nua por ele, ela nunca tinha o deixado ver nada do seu corpo.Quando saiu ele disse.
__ Acho que vamos ter que adiar o casamento, Alondra..
__ Mas você prometeu, você prometeu.
— Eu sei, meu amor. Eu sei que prometi, mas as coisas só deram certo. Você merece uma vida boa. Quero dar uma casa boa para você.
— Só preciso de uma casa organizada, não precisa ser chique..
__ Não , Alondra, não.. Vou a casa de Roma e Robson? É muito boa e não quero oferecer menos..
Alondra ficou olhando para Renato.. Robson era amigo dele..
— Mas o Robson disse que não tinha dinheiro, Renato..
— Não tinha, mas Roma deu uma prova de amor enorme.
— Prova do quê?
— Ela vendeu a virgiindade dela e com o dinheiro comprou uma casa e um carro. Ainda sobrou um dinheiro para um negócio.
Alondra ficou em choque.
— Que horror, Renato. Isso é h******l. Vender a virgind@de...
— Mas agora ela está tranquila, se casaram no civil e estão na casa deles.. Foi por amor.. Querida..
— Não. Isso não é prova de amor. Nunca faria uma coisa assim. Nunca.
Alondra era tão ingênua que percebeu a insinuação.
— Posso ficar para dormir, Alondra?
— Não. Comeu a sua comida e tem que ir.
Ele foi beijá-la.
— Quero uma casa para nós dois. Vou ver algum negócio.
— Não precisa ser grande.Eu vou continuar trabalhando, Renato, para ajudar.
— Eu sei, mas essas coisas não andam fáceis.
__ Podemos vender o lote que tem ou fazer trocar por uma casa em um bairro mais simples..
Mas ele não tinha mais lote, nem o dinheiro que haviam guardado junto. O jogo tinha levado tudo.
Ele deu mais alguns beijos nela.
— Chega, Renato.
— A gente podia fazer algumas coisas e ainda continua virgem.
— Não. Chega. Só depois do casamento. Se insistir, não deixo entrar mais. Vemo-nos só na porta.
__ As outras mulheres da sua idade já estão fazendo s£xo.
— Mas disse que me amava justamente porque não sou como as outras..
__ É verdade, meu amor.
Ele partiu.
Ela abriu a caixa como vestido de noiva. Sabia que tinha muitos problemas, mas tinha sonhado tanto com aquele casamento que achava impossível mudar de ideia..