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O último desejo do meu pai

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Sinopse

No dia em que enterraram meu pai, eu descobri que ele havia decidido com quem eu me casaria.

Christopher morreu deixando para Lupita bilhões, um império e segredos que destruiriam tudo o que ela acreditava saber sobre sua família.

Dois irmãos que nunca conheceu.

Dois maridos que nunca escolheu.

Uma fortuna capaz de transformar qualquer pessoa em inimiga.

Dante e Leonardo receberam uma missão antes mesmo de Lupita saber seus nomes:

proteger a filha de Christopher, custe o que custar.

Mas a maior ameaça não está no testamento.

Está na mulher que perdeu tudo para Lupita e está disposta a destruir sua própria família para recuperar o poder.

Porque Christopher morreu...

mas deixou uma guerra pronta para começar.

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capítulo _ Funeral
O céu estava coberto por nuvens cinzentas quando Lupita Rosalar chegou ao funeral de seu pai. O portão da propriedade estava cercado por carros de luxo, seguranças particulares e homens vestidos de preto. Desde a entrada, era possível perceber que aquele não era um funeral comum. Era o funeral de Christopher Rosalar. Um dos homens mais ricos e influentes do país. Magnata dos negócios, dono de empresas espalhadas por diferentes continentes e respeitado — ou temido — por homens que jamais costumavam baixar a cabeça para ninguém. Naquela manhã, empresários, banqueiros, políticos, investidores e outras figuras poderosas haviam deixado suas agendas de lado para prestar as últimas homenagens ao homem que, durante décadas, construíra um império. Mas Lupita não estava pensando no império. Ela só conseguia pensar no pai. O carro preto parou diante da entrada principal. Imediatamente, dois seguranças se aproximaram. A porta traseira foi aberta. Lupita desceu. Vestia um vestido preto, elegante e discreto, que terminava abaixo dos joelhos. Os cabelos pretos e lisos estavam presos em um coque impecável. As luvas brancas cobriam suas mãos, os óculos escuros escondiam parcialmente seus olhos e os sapatos de salto baixo revelavam que, naquele dia, ela não estava ali para chamar atenção. Ela estava ali para se despedir. Quatro seguranças a cercavam. Dois à frente. Dois atrás. E outros homens permaneciam espalhados pelo terreno, atentos a cada movimento. Lupita havia acabado de chegar do México. Tinha atravessado horas de viagem para conseguir chegar antes que seu pai fosse enterrado. E, por mais que todos ao redor enxergassem uma mulher rica, protegida e impecável, ninguém ali sabia o que existia por trás daquela expressão controlada. Christopher era seu pai. Não apenas no papel. Ele a havia adotado quando ela tinha cinco anos. Naquele dia, ele não tinha visto uma criança sem sangue Rosalar correndo pelos corredores de um orfanato. Ele tinha visto sua filha. E, durante todos aqueles anos, fez questão de que ela nunca se esquecesse disso. Lupita era sua única filha. Christopher nunca tivera filhos biológicos. E, mesmo assim, jamais fizera questão de procurar alguém que carregasse seu sangue. Para ele, Lupita era suficiente. Sua princesinha. Sua menina. Seu maior orgulho. Ela respirou fundo antes de começar a caminhar. Assim que entrou no espaço reservado ao funeral, dezenas de olhares se voltaram para ela. — Senhorita Rosalar... — Lupita... — Meus sentimentos. — Seu pai era um grande homem. Alguns empresários se aproximaram. Um deles tentou abraçá-la. Um segurança imediatamente deu um passo à frente. Lupita levantou uma das mãos. — Tudo bem. O homem recuou. Ela apenas inclinou a cabeça, recebendo os cumprimentos sem dizer muito. — Obrigada. Outro homem apertou sua mão. — Seu pai falava muito de você. Lupita engoliu em seco. — Ele também falava muito de vocês. O homem abaixou a cabeça, respeitosamente. Ela continuou andando. Então sentiu. Um olhar. Lupita diminuiu discretamente o passo. Do outro lado do salão, entre vários homens vestidos de preto, havia quatro homens. Quatro. E os quatro estavam olhando diretamente para ela. Não pareciam curiosos como os outros. Não havia pena. Não havia surpresa. Era diferente. O olhar deles era firme. Calculado. Silencioso. Lupita franziu levemente a testa. Não se lembrava deles. Talvez tivesse visto algum deles em algum evento do pai anos atrás. Talvez não. Ela desviou os olhos. Não estava ali para descobrir quem eram homens misteriosos. Estava ali pelo pai. Continuou caminhando. Os quatro permaneceram imóveis. Apenas observando. Lupita chegou finalmente à parte mais reservada do funeral. E então viu a madrasta. Ela estava vestida de preto, sentada próxima ao caixão, cercada por algumas mulheres da alta sociedade. Parecia devastada. Ou, pelo menos, parecia saber muito bem como representar uma mulher devastada. Lupita parou diante dela. Por alguns segundos, nenhuma das duas falou. A madrasta levantou os olhos. Quando viu Lupita, começou a chorar. — Lupita... Ela se levantou rapidamente e abriu os braços. — Minha filha... Lupita ficou parada. A mulher a abraçou. Por fora, parecia um gesto de carinho. Por dentro, porém, Lupita sentiu o corpo ficar rígido. E então ouviu a voz baixa junto ao seu ouvido. — Você não deveria estar aqui. Lupita ficou imóvel. A frase atravessou sua mente como uma lâmina. Ela afastou o rosto lentamente. Olhou para a madrasta por alguns segundos. Então respondeu, em um tom baixo e frio: — Me expulsa, então. A madrasta arregalou os olhos. Lupita se afastou completamente. A mulher levou uma mão à boca. As lágrimas começaram a cair com ainda mais força. — Meu marido... Ela virou-se na direção do caixão. — Oh, meu marido! O choro aumentou. Algumas pessoas começaram a se aproximar. Lupita não disse nada. Simplesmente passou por ela. Não olhou para trás. Os seguranças a acompanharam. O salão pareceu ficar silencioso quando Lupita finalmente chegou diante do caixão. Ali estava ele. Christopher Rosalar. Seu pai. O homem que sempre segurara sua mão quando ela tinha medo. O homem que aparecia em seu quarto quando ela tinha pesadelos. O homem que dizia que nenhuma pessoa no mundo tinha o direito de fazê-la acreditar que ela era menos importante por não ter o sangue dele. Agora estava imóvel. Lupita tirou os óculos escuros. Pela primeira vez desde que havia chegado, seus olhos ficaram completamente expostos. Vermelhos. Cheios de lágrimas. Ela se aproximou. Colocou a mão enluvada sobre a borda do caixão. Os lábios tremeram. — Papai... Sua voz falhou. Ela respirou fundo. — Eu vim. Uma lágrima escapou. — Eu cheguei a tempo. Lupita passou a mão delicadamente sobre os cabelos dele. — Desculpa ter demorado. Outra lágrima caiu. — Eu estava longe quando me ligaram. Ela fechou os olhos por um instante. — Eu deveria ter atendido quando você me ligou naquela noite. O silêncio ao redor parecia esmagador. — Você sempre dizia que eu precisava parar de trabalhar tanto... Um sorriso pequeno e doloroso apareceu em seus lábios. — E agora eu daria qualquer coisa para ouvir você reclamar disso outra vez. Ela ficou alguns segundos em silêncio. Então se inclinou um pouco. — Eu não sei como vou fazer isso sem você. A voz saiu quase como um sussurro. — Mas eu vou tentar. Lupita apertou os dedos contra a borda do caixão. — Porque foi você quem me ensinou a ser forte. Atrás dela, os quatro homens continuavam observando. Nenhum deles dizia uma palavra. Mas, naquele momento, um dos homens desviou os olhos para Christopher. Depois voltou a olhar para Lupita. Como se soubesse alguma coisa que ela ainda não sabia. Lupita não percebeu. Estava olhando apenas para o homem que havia chamado de pai durante toda a sua vida. E, enquanto as pessoas ao redor choravam a morte de Christopher Rosalar, ela ainda não fazia ideia de que aquele funeral não era apenas uma despedida. Era o começo de tudo que seu pai havia escolhido para o futuro dela. E algumas escolhas estavam prestes a mudar completamente o caminho de sua vida.

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