Kate estava presente nas últimas notícias da movimentada Londres. Ela bufou quando leu a última palavra " coitadinha ", era assim que todos se referiam a ela após ter saído ensopada do baile em sua fracassada estreia.
— Maldito Duque. - Disse para si mesma sem saber que tinha companhia.
Ele pigarreou. Em suas mãos haviam lírios.
— Creio que eu estava presente em seus pensamentos, senhorita Greenwoodg. - Disse brincalhão, mas vendo o semblante nervoso de Kate se fechou.
Ela abanou o jornal e o lançou sobre o peito do Duque. Sequer havia visto os lírios que ele tinha em mãos. Benedict riu irônico enquanto lia o enunciado fazendo a raiva crescer dentro de Kate mais uma vez.
— Seu ... - Silabou.
— Não diga nada que vá se arrepender mocinha. - Ele a interrompeu enquanto mantinha as sobrancelhas arqueadas. — São para a senhorita, creio que a devo um imenso pedido de desculpa. E esteja certa de que é sincero.
Kate esticou as mãos para os lados mostrando a sala vazia, sem nenhum pretendente.
— Não se sinta culpado, isso o daria muita importância. A culpa maior é toda dos meus irmãos. - Kate pegou os lírios da mãos do Duque e cheirou. Amava lírios, talvez pelo cheiro incrível que emanava, ou simplesmente pelo sentimento que surgia ao tocar uma das pétalas macias da flor. — A propósito, obrigada, são lindas. - Disse com desânimo.
Ela lançou o corpo sobre o majestoso divã que havia ali de maneira nada feminina e bufou, estava farta. Antes de debutar seu pai havia permitido que participasse de alguns bailes, e já a muito tempo seus irmãos a sufocavam com tanto ciúme. O duque sentou-se ao seu lado em uma distância respeitosa, não queria ser alvo da ira de três irmãos malucos.
— Pelo que conheço Henry não é fácil de lidar. Mas dentre todos o Caster parece ser o pior. - Ele riu e por algum motivo distinto se sentiu feliz em arrancar uma risada do belo rosto carrancudo a sua frente. Admirou enquanto observava a mandíbula dela relaxar.
— Caster é de longe o pior. E Pieter tem sido um ótimo aprendiz, em breve será abominável.
O duque abriu a boca para dizer algo, mas Kate não soube o que era. Foram interrompidos pela voz desconfiada de Henry.
— Benedict? .- Disse num tom de pergunta.
O senhor Dopfelth tinha um nome afinal, pensou Kate enquanto o olhava pelo canto dos olhos. Sua beleza era algo um tanto quando fora do normal, os ombros largos evidenciavam que o Duque realizada algum tipo de exercício. Seus olhos hora verde hora azuis estavam focados em Henry e seu corpo havia tomado uma posição desconfortável, os ombros haviam se tornado nitidamente rígidos. Ele se levantou rapidamente e abraçou o amigo de forma máscula, bateu nas costas de Henry e o olhou.
— Ouvi o conselho sobre os lírios. - Ele sussurrou enquanto o irmão de Kate o olhava desconfiado.
— Com sua licença, minha irmã.
Kate fez um sinal de pouco caso com a mão e voltou a encarar a parede, precisava desesperadamente encarar a parede ou sabia que não seria capaz de tirar os olhos de cima do Duque. Ela continuou sentada na mesma posição por horas enquanto batia o pé no velho carpete da sala tentando organizar os milhares de pensamento que a rodeavam. Pensamentos que poderiam ser chamados de impróprios.
— Sabe bem que minha irmã não é mulher para você, Dopfelth, não é?
Benedict pigarreou. Não tinha vontade alguma de se casar, por isso já adiava a tantos anos o matrimônio. Isso era um fato conhecido por todos, mas mesmo que contra sua vontade o Duque sabia que precisava e o faria, mesmo que a contragosto. De fato não com a irmã caçula e m*l educada de seu amigo, uma outra dama que fosse perfeitamente feminina e mais gentil que Kate lhe serviria bem. O daria prazeres na cama, submissão e um herdeiro, era tudo o que precisava. Ela apenas não podia ser suficientemente interessante, pois não pretendia se apaixonar nem mesmo por sua esposa. Diante de tudo que vira a antiga Duquesa, sua mãe passar havia constatado que o amor era uma grande ilusão da época, portanto, de forma alguma cairia na tal armadilha, não aceitaria tanto sofrimento como sua mãe. Benedict vira a mãe ser rechaçada e exilada em uma pequena mansão nos muros da cidade, ela o havia criado com toda luxúria que uma criança podia desejar as custas do antigo Duque. A duquesa o havia dado muito amor, diferente do pai, um monstro …
Benedict balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos, não gostava de se recordar da dolorosa infância.
— Nunca cheguei a cogitar tal situação, meu amigo. - Ele respondeu com seriedade.
— Ótimo. Assim ficamos mais entendidos. - Henry disse sorridente.
Benedict assentiu enquanto andava com uma postura incorrigível ao lado do amigo, logo viu Pietro surgir no corredor.
— Meu querido amigo, que prazer revê-lo. - Saudou Pietro.
O Duque abriu um largo sorriso ao senhor a sua frente. Lembrava-se de como Pietro o havia sido bom. Benedict havia estudado com Henry quando ainda era uma criança, e certa noite o amigo o convidara a sua casa, o Duque havia ficado encantado com o marquês e com o amor que tratava seus filhos. A partir daquele dia jurou para si mesmo que seria um pai como ele futuramente, não aceitaria se igualar ao maldito que o colocara no mundo. Naquela mesma noite, conhecera a irresistível marquesa e falecida esposa de seu amigo, era de longe a mulher mais estonteante que havia visto. Apesar de seus poucos oito anos, Benedict já pensava como um adulto naquela época e também havia decidido que não aceitaria uma esposa que não fosse como ela.
Após longos e bons minutos de conversa, Benedict se despediu de seus amigos e pegou o caminho do jardim até a saída.