CAP. 5

1005 Palavras
— O que está fazendo sozinha aqui? - Pieter perguntou ao ver a irmã sem companhia na sala. — Sem nenhum pretendente quer dizer? - Ela retrucou com ironia e sem nenhum pingo de paciência.  Ele se sentou ao seu lado e com cautela segurou firme uma de suas mãos enluvadas. — Sabe que o fazemos para o seu bem Kate, não seja tão dura conosco. Apenas estamos cuidado de você.  — Vocês precisam verdadeiramente me deixar crescer Pit, por Deus. Eu quero ter minha família e me casar um dia, mas desse jeito eu nunca vou conseguir.  — Mas... - Ela o interrompeu.  — Não tem mas. Vou tomar um ar. Kate levantou-se sem dar a ele uma chance de se explicar, já havia ouvido milhões de vezes todas as desculpas esfarrapadas que os irmãos tinham para dizer e sabia bem que não compensava debater, não tinha a mínima vontade de ouvir todas elas novamente. Quando os três colocavam algo na cabeça era mais fácil arrancar fora a cabeça do que a ideia. Ela seguiu até o imenso jardim que havia ali, ele tinha sido cultivado por sua mãe quando ainda era viva e seu pai fazia questão de mantê-lo como ela o tinha deixado. Era o lugar de paz de Kate, era como se pudesse sentir a presença acalentadora de sua mãe ali.  Para sua surpresa, de longe ela avistou uma alvoroçada cabeleira n***a. A pele do pescoço morena a mostra era inconfundível. Kate tentou dar meia volta, mas foi surpreendida por uma voz grave atrás dela. Maldisse em pensamento.  — Senhorita Greenwoodg. Por que me parece que a senhorita está sempre com pressa? .- Benedict perguntou enquanto sorria.  Ela revirou os olhos antes de olhá-lo. — Porque de fato estou, vossa graça. Não vejo um porquê de andar tão devagar se quero ir a algum lugar rapidamente e o lugar que quero ir no momento é para o mais longe possível de vossa presença. - Sua voz estava carregada por ironia e demonstrava a falta de paciência em que se encontrava.  — E por que tenho a impressão de que a senhorita está sempre de m*l humor? .- Ele retrucou.  — Porque eu de fato estou sempre de m*l humor. - Ela deu um sorriso mórbido. — Sempre que estou em sua presença.  — Quando a vi pela primeira vez era mais educada. - Ele disse zombeteiro. Kate estreitou o olhar para o Duque enquanto caminhava pelo jardim ao seu lado. — Não me lembro de tê-lo visto antes. Ele riu de canto, um sorriso carregado de ironia. — Oh, claro. Era um bebê, não falava. Kate riu sem humor. Como podia, um homem tão belo ser tão desagradável? Devia ser considerado um crime grave ou um grande pecado.  — Por Deus, Duque, ainda pior que sua falta de senso é o senhor tentando ser engraçado. Benedict colocou a mão sobre o peito e fez uma careta de dor diante da alfinetada de Kate.  — Não sei se deveria me sentir tão ofendido diante de um insulto de uma garota de ... dezoito anos? - Ele disse em tom de pergunta. — Quase dezessete. - Ela sorriu vitoriosa. O Duque a fitou e por ora se permitiu observá-la, a dama era robusta demais para apenas dezesseis anos. Ainda era uma criança, mas de fato era uma bela mulher. Ele desconjurou-se pelos pensamentos que surgiram em sua mente, além de jovem demais ela era irmã de seu melhor amigo. Kate se sentiu incomodada com o olhar que lhe fora dirigido. Ela trocou o peso de uma perna para outra tentando disfarçar o incômodo.  — E o senhor, já se aproxima dos quarenta? - Ela perguntou para irritá-lo, era evidente que o Duque sequer havia chegado aos trinta anos.  Ele revirou os olhos enquanto pensava quão petulante era a garota ao seu lado. — Vinte e quatro, senhorita. - Responde sem olhar para ela.  — Oh. - Ela fingiu surpresa. — Creio que o senhor já tenha passado da hora de se casar. Ele a olhou surpreso. Kate sempre tinha as respostas na ponta da língua, ela não pensava antes de alfineta-lo, e tampouco se importava em ser gentil mesmo que já estivesse ciente de seu título e de sua amizade com o marquês e seus irmãos.  — Por mim, sequer o faria. Ela o olhou curiosa. — Para os homens isso não é tão grave. - Kate riu sem humor. — Deixe-me pronunciar algo do tipo em voz alta e irão querer me apedrejar. Que mulher em pleno século que vivemos não iria querer se casar, ter seus filhos e uma vida mágica a dois?  — A senhorita não almeja um bom casamento? A conversa entre eles havia começado a fluir sem que mil farpas fossem trocadas, e eles sequer haviam se dado conta disso. Kate o olhou de lado enquanto mexia com um fiapo de cabelo solto do coque que usava.  — Quero, mas duvido que o terei. Com os irmãos que tenho, creio que morrerei solteira, então estou tentando me acostumar com a ideia. Talvez assim seja menos doloroso.  Benedict riu enquanto chutava uma pedra no chão. — Não pode ser tão r**m. — É terrivelmente r**m, vossa graça. Ela riu e ele pode perceber que seus lábios eram largos, e quando ela ria eles ocupavam grande parte do seu rosto. Não eram harmônicos com o seu rosto delicado, mas eram atrativos e grossos, Kate tinha lábios incríveis e quando sorria ficavam ainda mais bonitos. Benedict se culpou, havia visto beleza na irmã de seu amigo e filha do homem que o havia inspirado por toda a vida. Não podia olhá-la com outros olhos, ainda que fosse quase impossível. Tudo em Kate lhe era atrativo, o olhar penetrante, as respostas na ponta da língua e seu cheiro incomparável de Álisso, ela carregava uma leve fragrância doce, algo parecido com o mel e a cada um de seus movimentos o cheiro adentrava nas narinas do Duque fazendo-o se perder em pensamentos impróprios.
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