Capítulo 8

1920 Palavras
Catarina Caminho calmamente pelo longo corredor, os capangas dele me acompanham em uma escolta, até o inferno o qual me aguarda através daquela porta. Assim que chegamos um deles dá uma leve batida, logo em seguida abre-a e empurra minhas costas para que eu entre. A porta se fecha atrás de mim, o quarto está completamente escuro, tirando por uma parte perto daquela maldita lareira. Ao me aproximar tive que piscar várias vezes para crer naquilo em que meus olhos alcançavam, eu imaginara muitas coisas que poderiam me esperar aqui, mas isso... isso me assustava ainda mais! Na mesa principal, a qual sempre que eu via com bebidas, garrafas viradas e vazias estava arrumada. Nela havia um jantar a dois servidos, juntamente com uma garrafa de vinho o qual estava servido em duas taças. — Que palhaçada é essa... — sussurro a mim mesma, com meu maxilar trancado de ódio daquela situação que eu vira. Aquele demônio estava brincando comigo, jogando e me testando, tenho certeza disso! Vicent sempre foi totalmente c***l, ele não se importou em me quebrar inúmeras vezes. E essa cena que vejo agora, parecia que ele surgiria de qualquer local desse quarto, começaria a me torturar, me abusar, e me violar como o louco que ele é! — Sente-se Catarina. — engulo em seco ao ouvir a voz dele, meus sentidos se alertam ainda mais quando sinto seu hálito em minha nuca. — O que é isso Vicent? — minha voz sai quase inaudível. — Você não é burra, então cale-se e sente-se! — percebo a raiva em sua voz, respiro fundo e logo caminho até o lugar, sentando-me sem olhá-lo. Ele se senta na cadeira em frente a minha, pegando a taça com vinho enquanto faz. Ergo meu olhar e confirmo como me observa, com aquele olhar predador. — Coma. — ordena friamente. — Não. — ele ergue uma sobrancelha, seu lábio se contorce revelando sua fúria — Não estou com fome. — Não perguntei se estava, apenas estou mandando que coma. — lanço um olhar raivoso em sua direção, minha vontade de pegar aquela faca próxima a minha mão era imensa. Mas, eu sabia que se assim fizesse ele me castigaria, e tanto minha mente, quanto meu corpo estava ao limite. Eu não aguentaria uma sessão de castigo, não conseguiria mais! — Coma p***a! — ele rosna, alcanço o talher e pego um pouco da comida, levando-a lentamente aos meus lábios. — Ótimo, não quero que fique doente. Amanhã será um grande dia! — forço meu corpo a engolir aquela quantidade de comida em minha boca, olhando-lhe totalmente confusa. — Amanhã? O que tem amanhã? Ele bebeu o vinho em sua taça, logo depois me lança um sorriso frio de canto. — Catarina, sua beleza se aflorou ainda mais... é difícil olhar para você sem sentir vontade de fode-la! — desvio meus olhos dele, sentindo uma raiva imensa em meu peito — Ficou ainda mais gostosa, e eu não tenho planos de me manter afastado de você por muito tempo. Respiro fundo sentindo os meus olhos queimarem, eu tentava controlar as lágrimas que querem cair porque sei que isso o alimenta, mas, toda maldita vez que eu estava sobre sua presença ele arruma um modo diferente de me atormentar. — Me escute com atenção, você me acompanhará amanhã em um local fora dessa mansão. — largo o talher no mesmo instante, não acreditando no que acabara de ouvir, justamente a manhã que finalmente a liberdade parece sondar, ele estava disposto a arruinar isso. — Eu... não posso, não estou me sentindo bem ultimamente! — volto a olhá-lo, apenas para confirmar como seu olhar escurece. — E também preciso ajudar Anastácia... — Cale-se. — diz batendo a mão na mesa, pisco algumas vezes engolindo minhas palavras — Se eu digo que irá me acompanhar amanhã, você irá. Nem se fosse preciso arrancá-la desse lugar por seus cabelos! Meu maxilar se tranca de ódio, ele observa e rir friamente enquanto observa cada uma das minhas reações. — Não há o que se preocupar, estará comigo. Cuidarei de você! — aquilo havia realmente chegado ao limite, sem esperar mais bato as mãos na mesa enquanto me levanto da cadeira. — Cuidará de mim? Vai se f***r! — grito já com a raiva transbordando por mim — Que tipo de jogo está tentando dessa vez? Ordena a minha presença, deixa um jantar servido, e vem me dizer essas merdas... Vai se fuder Vicent! Ele apenas me observa, segurando a sua taça e balançando o líquido dela. Como se tudo o que eu falasse não o abalasse, ou pior... como se imaginasse um castigo diferente para mim após tudo isso que estou falando! — Você me estuprou, me agrediu e humilhou por anos. Eu odeio você, e não hesitaria em ficar longe na primeira oportunidade que eu tivesse, se me tirar daqui, eu tentarei fugir, eu nunca desistirei disso... — faço uma pequena pausa, vendo seu olhar se tornando cada segundo mais escuro — Eu tenho nojo de você! Assim que termino arremesso longe cada item que havia em cima da mesa, usando meus braços e empurrando tudo ao chão. Por mais que eu soubesse que isso me custaria caro, eu não aguentava ouvir aquelas coisas, calada. Não mais! Eu precisava gritar e expor como o odeio, como me sinto em relação a tudo que ele fez e faz comigo. Mesmo que não valha de nada, ainda precisava cuspir isso na cara desse velho desgraçado! — É por isso Catarina, por sua persistência... — ele levanta-se da sua cadeira — Por cada gota de esperança que habita seu corpo, que sempre farei o que eu faço. Você é minha, e isso nunca mudará! Pensa que se por um milagre você fugir, que não a encontraria? Ele faz uma pausa dando a volta na mesa, se aproximando com aquele olhar que eu conhecera bem. Aquele olhar que irá me usar, quebrar, e torturar das piores maneiras possíveis! — Eu vasculharia cada canto desse mundo, e quando colocasse minhas mãos novamente aqui...— ele enfia a mão por baixo do meu vestido, tocando minha calcinha, fazendo-me derramar uma lágrima de imediato — Quando encontrasse você, eu foderia com tanta força, que nem mesmo quando sangrasse eu pararia! Fecho meus olhos deixando que ainda mais lágrimas caíssem, sinto o hálito dele banhar o meu ouvido, enquanto volta a sussurrar: — Você se lembra, quando fiz isso inúmeras vezes... como implorou para que eu parasse? Sua voz se contorcendo de dor, suas lágrimas de desespero? Lembra, ou precisa que eu a recorde? Meu queixo treme, meu coração novamente estava se partindo, e novamente minha mente estava sendo testada. As lembranças de cada abuso caem sobre mim, as torturas que ele conseguira fazer comigo. Tudo me acertando em cheio, juntamente a cada palavra que ele continua a sussurrar para mim: — Responda, você se lembra? — ordena, começo a balançar minha cabeça lentamente. — S... sim... — minha voz sai exatamente como me sinto, amargurada e com dor. — Ótimo, quero que se lembre disso. Porque se um dia fugir de mim, será ainda pior do que essas vezes, eu não pararei te garanto! — tento respirar fundo, mas é algo em que falho amargamente — Olhe para mim! Ele alcança meu pescoço, apertando-o enquanto vira meu rosto. Mantenho meus olhos fechados, mas, quando o ar começa a faltar em meus pulmões os abro lentamente. Encontrando os de Vicent, que me fitava seriamente enquanto diz: — Tenho ótimos planos para você, e nunca mais ouse aumentar sua voz para mim... entendeu? A raiva fala mais alto, e no impulso reúno minha saliva e cuspo na cara dele. Totalmente revoltada com tudo que ele acabara de me dizer! No mesmo instante ele ergue o braço, tomando impulso para me estapear no rosto, fecho meus olhos esperando o impacto. Quando ele não vem, abro-os lentamente vendo sua mão ainda no ar. Ela estava fechada em punho e por um momento esperei que ele me socasse, mas, ele não fez isso. Vicent tinha uma cara de ódio, mas estava tentando se controlar para não me acertar. Noto pela maneira em que mantém sua mão apertando a minha garganta, e também em como respira fundo, quase rosnando de ódio. — Você é a minha p**a, e não lhe punirei dessa forma. Não hoje! — ele me solta rudemente, empurrando-me fazendo com que eu caia com força no chão, bem ao lado dos itens quebrados que estavam na mesa. — Mas ainda vou f***r sua b****a bem fundo, e enquanto faço... me certificarei de que derrame inúmera lágrimas! — diz abrindo o fecho de sua calça, antes de se abaixar e iniciar sua tortura a mim. Mesmo que aquelas lágrimas caíssem, mesmo que mais uma vez eu estivesse sendo condenada a sua linha terrível de abuso, uma coisa dentro de mim ele não poderia alcançar, a minha esperança e fé! ──────❁────── Assim que saio do quarto dele, encontro o seu capanga. Que por minha sorte era Daniell, o contato de Ana. Eu sentia o desespero correr por meu corpo, e apesar de estar machucada após tudo que Vicent acabara de fazer comigo, decidir tomar uma decisão. — Daniell. — digo baixo, ele ergue uma sobrancelha enquanto me olha — Pode me levar até o quarto de Anastácia? Ele n**a com a cabeça, mas antes que me desse uma resposta o interrompo: — Por favor, é algo urgente... não poderia esperar! — Vai criar problemas, fora que chamaria atenção. — o tom dele é firme, mostrando quando desaprova meu pedido. — É realmente importante, um caso de vida ou morte! — ele respira fundo, logo em seguida faz um sinal com a cabeça enquanto se vira e aguarde que eu o siga. ──────❁────── Assim que ele para em frente a porta grande não espero muito, apenas a abro e entro no local rapidamente. Anastácia que estava deitada se assusta, pegando uma arma na cabeceira da cama e mirando em nós. Mas assim que nos reconhece a abaixa lentamente, franzindo sua sobrancelha em meio àquela cena a sua frente. Aproximo-me ainda mais de sua cama, parando bem perto. Ela me olha nos olhos, mostrando sua confusão em meio a tudo! — Ana, ele me levará mais tarde... não temos mais tempo! — digo com meus olhos queimando, deixando que uma lágrima solitária role em minha bochecha. — Aquele desgraçado não vai mesmo! — ela levanta-se rapidamente, remexendo no armário ao lado da sua cama, pegando algumas pastas de documentos, quando se vira ela olha além de mim, para Daniell e então diz: — Temos que ir agora, não temos mais tempo! — viro-me, vendo ele assentir e logo se aproximar, pegando uma grande bolsa escondida em um fundo falso no tapete do quarto dela. — Catarina, olha pra mim. — apesar do medo que corria em meu corpo, faço. — É agora ou nunca, precisa seguir cada instrução que vamos lhe dar, certo? — Certo! — afirmo sem hesitar, ao menos não hesitaria mais. Se não agíssemos agora, nunca mais poderíamos fazer isso. E aí sim, estaria condenada para sempre, eu não arriscaria. Mesmo que custe a minha vida, eu não permitiria que fosse prisioneira desse monstro sem tentar de todas as formas fugir das suas mãos. — Vamos lá! — ela diz, já vestida e segurando a minha mão. Guiando-me até a saída, esperando apenas Daniell com a bolsa, para enfim começarmos a sair daquele inferno!
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