Capítulo 7

1284 Palavras
Catarina Dias atuais Eu sempre imaginava que o destino era preciso para algumas coisas acontecerem, acreditava nisso. Em que nada nessa vida acontece sem que o destino, e Deus queira dessa forma! Mas, eu me n**o a acreditar que minha vida fora traçada para ser dessa maneira. n**o-me a aceitar que isso tudo, toda dor, toda angústia, sofrimento, abusos... foram o que realmente tinha que acontecer comigo! Tantos anos se passaram, tanto que me sinto tão distante de minha antiga vida. De sentir a felicidade, proteção, segurança e amor. Até mesmo minha antiga língua, o meu português não era mais o mesmo, sempre que eu tentava saia arrastada e com um sotaque que eu conseguira sentir. A realidade que trago comigo, é dura, mas é a triste verdade. Eu já não era a mesma, e hoje aos meus 21 anos posso notar isso ainda mais. Minha mente e meu corpo foram danificados, minhas esperanças de sair desse pesadelo havia se reduzido muito, e ainda carregava comigo as marcas daquele maldito dia. O qual eu tentara fugir, aquele dia em que ele usou tudo que podia para me marcar. Minha pele carregava o seu símbolo, e dentro de mim sua escuridão havia consumido alguns traços da minha alma. Após todos esses anos, eu não tentara fugir novamente. Vim sendo paciente como Anastácia havia solicitado, e ela, vem colocando seu plano em prática. Por quase cinco anos ela esteve totalmente focada nisso, conseguiu benefícios graças ao capanga Daniell, o qual vem seduzindo e deixando que a tocasse. Ela vem sempre me ver, sempre que Vicent não está na mansão ela está ao meu lado, me tranquilizando e contando como está progredindo. As vezes estou muito machucada, após ter sido mais uma vez forçada a estar na presença dele, mas ela vem, consegue que Daniell despiste os outros capangas e vem cuidar de meus ferimentos. Demorou muito mais tempo do que eu pensara, mas sinto que o momento está mais perto do que longe. Sinto que a qualquer momento quando ela virá, será para enfim anunciar que sairemos desse pesadelo! ──────❁────── Meus cabelos estão mais longos, alcançando já meu quadril. Meu corpo mudará completamente, meus s***s e o resto também. Totalmente diferente de quando eu havia chegado aqui, agora eu tinha o corpo de uma mulher, me parecia com uma. Embora dentro do meu peito, quebrado e repleto de dor... eu me sentia uma criança inocente, assustada e querendo um mero conforto! Coloco o vestido branco rendado, ele m*l cobre o meu corpo. Mas era a veste que Vicent fez questão de solicitar, aquele desgraçado... meu corpo se negava a crer no que ele ainda conseguia fazer, de até onde usara sua maldade para me corromper! Termino de me vestir e me sento na beirada da cama, segurando aquele prato com um pouco de comida. A alimentação era precária, eles não se importavam muito com nossas saúdes, eram duas alimentações ao dia, às vezes outras garotas conseguiam algo a mais, contudo não gosto nem de imaginar o que elas fazem em troca para conseguir tais benefícios. Vicent de uns meses para cá vem ordenando que seja servido mais uma alimentação para mim, não entendo aonde ele quer chegar. Ele nunca foi bom para mim, pelo contrário. E se acha mesmo que poderá me comprar com alimento, roupas diferentes, ou algo do tipo... ele está mais que enganado! Tudo que sei é que o meu pesadelo não terminara, ele continuava o mesmo. E a cada dia peço a Deus, que apenas não permita que a minha fé fraqueje. Eu suportara até aqui, cheguei tão longe... preciso aguentar apenas um pouco mais! ──────❁────── Assim que termino de engolir aquela áspera comida, deixo o prato ao meu lado e respiro fundo. Forçando meu corpo a engolir tudo, preciso me manter firme. Preciso estar forte para quando o momento certo chegar! TOC TOC Ouço uma batida na porta de metal, logo ela se abre e revela Ana. Ela se aproxima de mim com um olhar sério, enquanto Daniell fecha a porta deixando-nos a sós. — Como está se sentindo? — sussurra. — Estou tentando, mas sinto meu corpo esgotado cada dia mais! — ela me olha com suas sobrancelhas franzidas. — Ele está aqui, quer vê-la... — baixo meu olhar, Ana então segura em minhas mãos — Ei, vai dar tudo certo. Aliás, venho trazer outra notícia também! Volto a olhá-la, vendo um leve sorriso no canto de seus lábios. — Como assim Ana? — ela senta-se na beirada da cama. — Catarina, chegou a hora! — ouvir aquilo foi o mesmo que sentir meu peito enfim se iluminar, a esperança ousou se aproximar novamente, assim como a vontade de sobreviver. — Está falando sério? — Não brincaria com isso, realmente precisamos nos preparar. — afirma, aperto sua mão que segura a minha. — Oh meu Deus, só de imaginar isso..., mas, quando? — ela sorri de canto. — Conversei com Daniell, ele topou nos tirar da Albânia. Mas, após isso ele acredita que fugirei ao seu lado. — ela revira os olhos rapidamente — Por isso também terei que preparar algumas armas, não quero surpresas por parte dele! — Ana, e se ele tentar nos entregar quando perceber a real intenção de tudo? — ela solta minha mão, enquanto prende o seu cabelo em um coque alto diz: — Então teremos que tirá-lo do nosso caminho. — ela diz aquilo friamente, como se não fosse nada, como se tirar a vida de alguém fosse um passatempo que já tenha nessa vida. — Matá-lo? — ela assentiu — E quanto as outras coisas que vamos precisar? — tento desviar minha mente do que ela disse que faria. — Não se preocupe com isso, durante esses anos eu exigi muitas coisas para ele. Que acatou e me entregou muito do que precisaremos! — Entendi! — engulo em seco, um sentimento estranho se instala em meu peito, algo que me alertava sobre tudo que estávamos combinando. — Você não me parece bem Catarina, está mais abatida que ontem. — diz colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha. — Não me sinto bem, na verdade, só me sinto esgotada de tudo. Meu corpo parece não ter mais forças, estou cansada disso tudo! Ela me escuta atentamente, suas joias verdes me miravam como se buscasse cada resposta sincera de mim. Eu não mentira, realmente me sinto cada vez mais caindo... Caindo pedaço por pedaço, pouco a pouco, me afogando em uma infinita escuridão! — Você precisa aguentar só mais um pouco, Vicente viajará amanhã cedo. Após ele sair, será o nosso momento que tanto esperamos! — conforta-me, acariciando meu rosto — Vamos realmente sair desse inferno, não deixe as palavras demoníacas dele invadir seus pensamentos... não agora que falta tão pouco! Concordo com a cabeça enquanto respiro fundo, fecho meus olhos acolhendo qualquer energia que pudesse me dar forças para o que terei que enfrentar agora a pouco. Realmente absorvendo as palavras de Ana, deixando que minha mente e corpo acreditassem nisso, na nossa liberdade. Que após tantos anos, enfim estava chegando! — Preciso sair, os capangas deles devem chegar logo para levá-la. — ela coloca uma mão em cada lado do meu rosto e continua — Só aguenta firme, ele precisa realmente sair amanhã acreditando que está tudo sobre controle. Ao menos teremos tempo de chegar ao avião, e poderemos ir embora de vez! — Farei isso. — respiro fundo — Agirei normalmente e aguardarei que venha me buscar, promete que realmente vamos amanhã? Ela se afasta um pouco, vejo seu olhar hesitante, mas logo sua voz diz o contrário: — Eu prometo Catarina, vamos embora amanhã!
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