Pré-visualização gratuita ~ Primeiro encontro ~
Clarice estava empolgada, em breve seria o seu aniversário e como em todos os outros anos, ela queria comemorar a chegada dos seus 23 anos em grande estilo, era o que ela esperava e toda a imprensa do país. Filha única de um magnata no ramo alimentício e uma ex-modelo, ela era a queridinha da mídia. Uma it girl que sempre teve nas mãos o que sempre quis.
Com traços delicados e um rosto de dar inveja em qualquer uma, ela é conhecida não apenas pelo seu modo de se vestir, andar ou agir, mas também por ser considerada uma jovem fútil, mimada, despreocupada e sem um sonho de vida.
Ela também é famosa por ser fanática por roupas, calçados, bolsas e acessórios e a sua maior paixão são seus cabelos longos e dourados e seu corpo escultural, que ela cuida muito bem. Ser famosa no ramo da moda e principalmente por ser filha de pessoas influentes não era fácil e estar sempre com uma boa aparência era necessário para ela.
Faltando quarenta dias para o seu aniversário, ela estava aflita, temia que não desse certo, que tudo que pensou para aquele dia não acontecesse e ela também contava com o pedido de casamento no dia do seu aniversário e já tinha deixado claro isso para Henrique, seu namorado de longa data, um empresário e modelo, dono de uma agência de modelos, que m*l tinha tempo para sair com ela.
— Clarice, eu já pedi para você não vir até aqui sem avisar. Estou sempre cheio de trabalho e não posso te dar atenção. — Reclamou Henrique, mantendo os olhos colados na tela do seu computador.
— Eu sei disso, e você sabe que faço o impossível para respeitar o seu pedido. Mas já tem dez dias que a gente não se vê e você m*l responde as minhas mensagens. — Reclamou.
— Se eu fosse responder todas as mensagens que você manda durante o dia, eu iria ficar grudado no celular o dia todo e ao contrário de você, eu tenho muito trabalho para fazer, sou um homem muito ocupado, Clarice. — Respondeu, fazendo-a sentir-se triste.
— Eu sei que você é ocupado, mas deveria tirar um tempinho para sua namorada também, eu sinto sua falta. Além disso, meu aniversário está se aproximando e você prometeu que faria o pedido de casamento neste dia, eu preciso me preparar e também preciso da sua ajuda para a escolha de algumas coisas relacionadas a festa. — Falou, fazendo-o a encará-la por dois segundos.
— Você não precisa de mim, é o seu aniversário, não o nosso casamento. Para isso existem pessoas capacitadas para fazer todos os seus desejos como sempre fizeram. E esse aniversário não será diferente de todos os outros. É apenas mais uma data, apenas mais um ano, e não vou pedir você em casamento no dia do seu aniversário, não espere por isso. — Foi grosso.
— Você está brincando, não é? Você prometeu que faria o pedido no dia do meu aniversário.
— Não Clarice, eu não prometi nada, você colocou essa ideia maluca na sua cabeça. Não vou pedir você em casamento agora, não estou preparado para dar esse passo.
— Como assim não está preparado? Já estamos namorando há quase quatro anos e nos amamos, nos damos bem, nossas famílias são amigas, o que impede o nosso casamento? — Perguntou.
Ele respirou fundo e resolveu dar atenção a ela.
— Eu não estou pronto, é isso. Não preciso explicar o porquê não estou pronto e ponto. Estou revisando um monte de contratos, analisando novos books de novas modelos, ensaios fotográficos e além disso estou esperando um novo cliente que é bastante importante para a agência, não posso perder tempo com você e suas futilidades. É só mais um aniversário, só mais uma festa luxuosa que os seus pais vão fazer para você e esperar os comentários da mídia sobre quão grandiosa foi a festa de aniversário da maior it girl do país, você só está ficando mais velha, não vejo motivo para tanto alvoroço. Eu não quero ser o centro dessa palhaçada, Clarice. Se um dia eu for pedir você em casamento não será um evento coberto pela imprensa como você deseja, será algo íntimo. Agora se você puder me deixar trabalhar, eu agradeço muito.
— Futilidades? Você me acha fútil, Henrique? — Perguntou Clarice, com os olhos mergulhados em lágrimas.
— Eu não quis dizer isso, só acho que você dá muita credibilidade para coisas sem importância, acho que está na hora de você procurar algo que valha a pena fazer.
— Mas foi o que deu a entender, essa é a minha vida, é assim que eu gosto de ser. Você me conheceu assim, eu não vou mudar quem eu sou. — Respondeu.
— Clarice, nem eu e muito menos você estamos prontos para assumir uma responsabilidade tão grande quanto o casamento. Você deveria começar fazer algo que realmente vale a pena e não querer ser o centro das atenções e muito menos se casar sem está pronta, e ainda é tão jovem, isso é um passo muito importante e você não é a mulher mais indicada para fazer isso nesse momento.
— Você me acha incapaz de ser uma boa esposa ou você simplesmente não me quer como tal? — Ele bufou irritado.
— Eu quero que você encontre um propósito em sua vida, que pare de pensar em casamento e foque em algo que realmente valha a pena. Mas isso é uma decisão sua, se quiser pode continuar sendo a mesma pessoa vazia que você é, sem sonhos e sem um futuro, que vai permanecer na sombra dos seus pais ou do seu marido, dependendo deles para tudo. Mas não me use como um fantoche e não espere por um pedido de casamento no seu aniversário, isso nunca vai acontecer. — Clarice não sabia o que dizer, não imaginava que seu namorado tinha aquela opinião sobre ela, mas ela gostava de pensar que ele estava agindo daquela forma apenas por ela ter ido até ele em um momento que ele estava bastante ocupado.
— Eu não vou mais te atrapalhar, você deve está cansado e ocupado, depois a gente conversa sobre o meu aniversário e todo o resto. — Disse, em seguida saiu da sala dele, sem dar-lhe a chance de resposta e talvez fosse exatamente aquilo que ele queria, que ela fosse embora.
Clarice nunca tinha ouvido de ninguém palavras tão duras e ouvi-la do homem que ela sonhava viver uma vida foi como não conseguir aquela bolsa de marca de uma coleção limitada que ela estava aguardando há muito tempo.
Segurar as lágrimas não estava nos planos dela, nunca ninguém tinha sido tão c***l com ela e aquilo a deixou bastante magoada. Sem olhar para os lados e muito menos sem perceber os olhares direcionados para ela, a jovem rumou a passos largos em direção ao estacionamento onde havia deixado seu carro.
Mas ela não se atentou aos carros que entravam e saiam e por pouco não foi atropelada, mas com o susto ela se desequilibrou e caiu. O motorista saiu do carro apressado, temendo que poderia ter acontecido algo pior com a jovem.
— Senhor, eu não a vi. Ela apareceu do nada. — Falou um homem assustado, ao ver seu chefe sair do carro apressado.
— Você está bem? Se machucou? — Perguntou o segundo homem a Clarice, que estava sentada no estacionamento da agência.
— Não, eu não estou. Quer dizer, eu não me machuquei, não fui atingida pelo carro, mas cai nesse chão imundo, me ajuda a levantar, por favor. — Pediu, com o rosto molhado de lágrimas.
— Você tem certeza que está bem? Você está chorando. Está sentindo dor? Será que quebrou algo? — Perguntou o homem e ela o encarou rapidamente.
— O choro não está relacionado ao que aconteceu aqui. Obrigada por me ajudar e não se preocupe, eu não vou acusar o seu motorista por nada, só foi um susto mesmo. Só preciso ir pra casa e me livrar dessa roupa imunda, essa vai direto pro lixo. — Disse olhando sua calça branca de tecido toda amarrotada e suja de poeira preta.
— Você está acompanhada? — Ela negou.
— Não, o meu carro está bem ali. Eu estou bem, não precisa se preocupar.
— É difícil não se preocupar quando você se encontra nesse estado. O que aconteceu para você está chorando assim? — A pergunta do homem fez Clarice chorar muito mais. — Eu conheço você. — Disse ele. — Você é a Clarice Aliperti. — Ela o encarou.
— E eu também conheço você, Ricardo Bozaski. — Respondeu, virando o rosto para o lado contrário ao dele. — Meu Deus, que vergonha. — Ricardo sorriu.
— Por que você está com vergonha? — Sorriu, tentando deixá-la calma.
— Olha só como eu estou, toda suja, descabelada, chorando, minha maquiagem deve estar toda borrada. Imagina se algum fotógrafo me vê nesse estado? Estou acabada na mídia, virarei a piada do século, não do milênio, entrarei para os livro de história. — Reclamou feito uma criança dengosa.
Novamente Ricardo sorriu.
— Então acho melhor eu te deixar em casa, antes que algum maluco te fotografe nessas condições. — Ela passou a mão no rosto e olhou ao redor.
— Eu posso ir sozinha pra casa. Além disso, não quero te incomodar, você deve ter seus compromissos. Sei que é um homem bastante ocupado. — Disse.
— Não será incomodo nenhum, o que eu tenho pra fazer pode esperar um pouco mais, sem falar que eu não vou me sentir bem sabendo que você saiu dirigindo nessas condições, algo r**m pode acontecer. — Respondeu.
— Eu estou bem, não há com o que se preocupar. — Retrucou.
— Não, você não está bem. Fisicamente até pode ser que sim, mas emocionalmente não está. Eu vou te deixar em casa, me sinto responsável por você, o susto que passou foi por causa do meu motorista e isso te deixou bastante tensa. — Continuou.
— De verdade, eu não quero atrapalhar seus negócios, Ricardo, e nem é tão longe assim da minha casa.
— Eu sei onde é sua casa, moramos no mesmo condomínio.
— Desde quando? Desculpa, eu não conheço os meus vizinhos. — Respondeu.
— Há duas semanas, me mudei com os meus filhos. Estávamos ficando na casa da minha sogra e as obras da casa só ficaram prontas por esses dias. — Respondeu.
— Mais um motivo para você saber que eu vou chegar em casa bem. — Continuou.
— Eu não vou ficar tranquilo sabendo que deixei você sair por aí dirigindo com o emocional abalado, o trânsito nessa cidade está um caos. — Insistiu.
— Tudo bem, eu aceito a sua ajuda. — Respondeu.
— Eu levo o seu carro e o Geraldo vai para casa com o meu. — Falou.
— Como quiser, aqui está a chave. — Disse Clarice, entregando a chave de seu carro a Ricardo.
Eles não conversaram muito durante o percurso que durou pouco menos de dez minutos. Clarice demonstrava estar muito triste e aquilo deixou Ricardo ainda mais curioso e preocupado.
— Tem certeza que não quer ir ao médico? Eu posso levá-la. — Perguntou estacionando o carro em frente a casa dela.
— Tenho sim, eu não estou machucada, não fui atingida pelo carro, só cai pelo susto mesmo. Estava tão distraída. — Falou.
— Como desejar. — Respondeu e saiu do carro, dando a volta, enquanto ela tirava o cinto de segurança.
Clarice se surpreendeu quando Ricardo abriu a porta do carona onde ela estava, Henrique nunca abriu a porta do carro pra ela.
— Obrigada! Você foi muito gentil e atencioso. — Ricardo sorriu, encarando-a.
— Não precisa agradecer, era o mínimo que eu poderia fazer, você não estava bem. Eu não sei o que te levou a chorar daquela forma, mas espero que fique bem.
— Foi uma pequena discussão com o namorado, mas logo a gente se acerta.
— Ah não, homem nenhum merece as lágrimas de uma mulher, principalmente quando ele deixou ela sair sozinha e sequer a procurou. Não chore mais! — Clarice sorriu.
— Tudo bem, prometo que não vou chorar mais. E mais uma vez obrigada.
— Foi um prazer ajudá-la. Até mais, e não saia por aí chorando por causa de homem, não vale a pena. — Disse com um sorriso gentil.
Clarice o observou seguir em direção à sua casa, com uma certa curiosidade. Como ainda existiam homens tão cavalheiros, gentis e atenciosos como aquele?