Capítulo 8

1004 Palavras
Rodan O meu plano é simples. 1• Fazê-la reagir. 2• Explicar o papel dela agora. 3• Fazê-la entender que aquele nariz empinado, me faz querer morde-la. Estou perdido, e ela vai querer me m***r. Mas o que quero fazer é para o bem dela. Espero que ela veja assim. Espero que ela entenda. Quando pensei em deixa-la em Briat, o planeta anão de Asa, eu seriamente achei que eu estivesse enlouquecido, mas agora, vendo toda a falta de vida no corpo minúsculo dela, eu vejo que não tenho outra opção. — Onde estamos? — Pergunta ela, olhando ao redor. Briat é um planeta minúsculo repleto de florestas. Está escuro e as duas luas estão cheias no céu. Ao redor tudo o que podemos ver é as sombras da floresta e ouvir os ligeiros murmúrios das criaturas do planeta. — Em Briat, um planta anão. — Briat? Hum, não em Asa? Como vou fazer isso? Como posso simplesmente deixar ela aqui? A sensação é terrível, é atordoante. Mas é necessário, porque Clara não deseja viver. — Não, não em Asa. Aqui tem uns lemurios, criaturas pequenas de pelagem branca. A carne deles é deliciosa. Tem uns buracos, eles são bem profundos. — Qualquer coisa, qualquer informação que eu posso dar para ajudá-la, eu busco no fundo da minha mente. — A noite, fique perto da água. É mais seguro estar próximo a água. Mesmo sob a escuridão da noite, consigo ver seus olhos curiosos e preocupados. Mas o cheiro... Ela não se importa, não de verdade. E é isso que me preocupa. — Eu vou voltar em alguns dias... Ela me encara, o rosto se espelha. É como se ela tivesse solucionado um enigma e não tivesse gostado do resultado. Com o nariz empinado e levemente franzido, Clarie me encara. — Voltar? — Sim, eu preciso ir a Asa resolver uns assuntos, não posso chegar com você ao meu encalço. — E o que isso significa? — a voz dela sai um sussurro assustador. — Que você fica aqui, até eu voltar. Espero pelo grito, espero pelo choro. Espero por qualquer coisa, mas fui esperançoso demais. Eu recebo o nada, novamente. Respiro fundo controlando a vontade de lambê-la até ela gritar em fúria. — E-eu...eu não vou sobreviver aqui. O dinheiro que gastou... — Fique viva, Clara Montês — Digo firme, como me dirijo aos meus soldados —, se eu voltar e encontrá-la morta, vou usar seus ossos para fazer uma cadeira e passarei meus dias aproveitando meu corpo esmagando seus ossos. Me entendeu? Ela balança a cabeça levemente em afirmação. — Ótimo. Tiro do meu cinto uma faca. Exitante, estendo a ela. Essa lâmina pode fazer um estrago, e também tem a chance dela usar em si mesma, mas ainda assim, ela vai precisar de alguma defesa aqui. Ela segura a lâmina exitante. — Eu voltou em alguns dias. Me afasto, indo para a nave logo atrás. Clara fica, estática e paralisada, em meio ao campo aberto. Ela olha para mim com frieza. De dentro da nave, com o olhar julgador de Euze em minhas costas, olho para a mulher magra e abatida lá fora. Ela vai sobreviver. Ela vai sobreviver. Ela vai sobreviver. Minha deusa, nunca senti tanto medo em toda a minha vida. Mas, esse medo é por um bom motivo. Vai ser um bom motivo. — Não deixe que ela se machuque, Euze. Fique de olho. Eu volto em cinco dias. — Tem certeza disso? Acha que ela vai simples pegar aquela faca e ir caçar? — Acho que quando estamos com fome qualquer coisa serve. Ela só precisa descobrir que ainda deseja viver. Ou pelo menos é o que eu espero que ela descubra. Euze caminha até a porta, sua roupa de camuflagem começa a ficar translúcida. — É melhor que esteja certo. Dito isso, já com o traje o deixando invisível, ele se vai. Eu confio em Euze o suficiente para deixá-lo com ela. Digamos que ele não deixaria ela se suicidar se ela tentar. Ligo a nave e dou a partida. Algo pior do que a morte me espera em casa. {•••} Contei tudo a ela. O motivo por trás da minha compra, o porquê Clarie está em Briat. Contei sobre tudo o que aconteceu nesses últimos dias. Claro que a atração que sinto por Clarie ficou escondida nas entrelinhas. Eu mesmo não entendo como ela me atrai do jeito que faz. No entanto, Mirana, minha mãe e curandeira do Clã do Meio, me encarou a todo momento como se fosse arrancar meu saco e joga-los aos lobos. — Você comprou uma fêmea! Está maluco?! Enlouqueceu? Eu acho bom você ter uma boa explicação Rodan Markus Hiodden! Eu já esperava por isso. Respirando fundo, eu tento acalma-la. — Eu não poderia deixar que ela se fosse no estado que está. Mirna não teria superado se nós não estivéssemos com ela. — Querido, eu entendo. Eu compreendo que só tentou ajudar a pobre fêmea, mas o que o povo vai achar do seu líder trazer uma escrava para casa? O que você acha que Durval e os outros vão pedir quando souber disso? — Eu sei, acha que eu não pensei em tudo isso quando a comprei? — E ainda assim a escolheu? A confusão de minha mãe é palpável. Consigo ouvir o tic tac dos seus neurônios trabalhando para compreender toda a situação. — Vamos precisar de um plano. Um que não envolva seu sacrifício, é claro. — Um que eu permaneça com todos os membros nós lugar, seria ótimo. — Talvez eu arranque duas bolas. Onde já se viu? Não tenho mais idade para esse tipo de emoção! Mirana respira fundo e mira as árvores do outro lado da janela. Ela pensa e pensa e pensa. E eu a espero, não é bom irrita-la quando já está aos nervos. — Acho que eu já sei o que temos que fazer. Mas você não vai gostar. — Sou todo ouvidos.
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