Narrado por Hero Green As chamas ainda dançavam atrás dos meus olhos quando entrei naquele bar de beira de estrada. O cheiro de fumaça continuava grudado nas minhas roupas, e o gosto da morte ainda estava na minha boca. Mas eu precisava beber. Não pra comemorar, não havia o que comemorar quando se é o carrasco, mas pra lembrar que eu ainda estava vivo. Luca entrou comigo, em silêncio. O ambiente era escuro, abafado e cheirava a cerveja velha, uísque barato e cigarro. Ninguém olhou na nossa direção. Melhor assim. A gente não queria plateia. Só um copo cheio e uma conversa entre dois fantasmas. Sentei na primeira mesa do canto, de costas pra parede. Velho hábito. Luca se sentou de frente, e logo uma garçonete veio com cara de que queria estar em qualquer outro lugar. Pedi uísque. Ele pedi

