Narrado por Juliana Ximenes A notícia me atravessou como um tiro entre as costelas. — José Malotos foi encontrado morto ontem à noite. Um único disparo certeiro na cabeça. Restaurante fechado, nenhuma câmera funcionando, sem sinal de luta. Nenhuma testemunha. Nada. Mas todos sabiam. Sabiam quem foi. Hero Green. O nome ecoou na minha mente como um trovão seco. Sentei na poltrona da minha cobertura de vidro, a taça de vinho tremendo entre os dedos. Do lado de fora, Milão fingia dormir, mas eu sabia: a cidade nunca dorme. Nem ele. Na tela da TV, repórteres repetiam as mesmas farsas de sempre: “crime misterioso”, “possível execução”, “motivação desconhecida”. Mentira. Foi ele. A assinatura estava lá. A frieza. A eficiência. O silêncio. Hero era metódico como uma navalha, e cada movi

