Narrado por Hero Green O sol já começava a atravessar as grandes janelas da casa quando abri os olhos. A primeira coisa que vi não foi o teto branco ou a vidraça voltada para a floresta. Foi ela: Maísa, deitada de lado, cabelos bagunçados sobre o travesseiro, rosto relaxado, respiração calma. Havia uma serenidade rara ali… e perigosa. Porque bastava um olhar para eu esquecer que ela era a mulher que o conselho me cobrava a consumir, a mulher que eu protegia como se fosse minha, mesmo sem saber se um dia ela realmente seria. Naquele momento, ela dormia perto de mim. E, mesmo com tudo o que enfrentamos o cerco de Antônio, a tensão do conselho, a mudança forçada para esse refúgio no meio da floresta, aquela mulher era meu único alívio. Meu ponto de silêncio em um mundo que vive gritando. F

