Narrado por Maísa Viana O cheiro de café fresco foi a primeira coisa que senti quando abri os olhos. Durante um instante, a confusão me dominou. Não reconheci o quarto, a vista da floresta pela vidraça, nem o silêncio que cercava tudo com um tipo de paz que não acalmava. Apenas lembrava que eu estava longe. Longe de casa. Longe da minha antiga vida. Longe de mim mesma. A cama ao meu redor era macia demais. Os lençóis cheiravam a lavanda. A mansão era linda, mas não era minha. Era dele. Um refúgio? Talvez. Uma prisão disfarçada? Com certeza. Me levantei devagar. Minhas pernas ainda doíam pela tensão constante dos últimos dias. Vesti uma camisa leve grande demais, provavelmente dele e desci as escadas, guiada pelo aroma que me envolvia como um fio invisível de lembrança e inquietação. A

