CAPÍTULO 14 BIBI NARRANDO Depois do almoço, lavei a louça com calma, deixando a água correr enquanto a cabeça viajava longe. O som da torneira batendo no prato parecia até trilha sonora dos meus pensamentos. Cada vez que eu tentava não pensar nele, parecia que o universo fazia questão de empurrar a lembrança de volta. — Ai, Senhor… — murmurei, secando as mãos. — Se for pra ele me atormentar, que pelo menos me deixe dormir em paz. Troquei de roupa, vesti um short jeans, uma blusinha branca simples e prendi o cabelo num coque despretensioso. Peguei minha bolsa e subi o morro devagar, sentindo o sol da tarde esquentando o calçamento e o cheiro de comida das casas se misturando com o vento. O caminho até a casa da dona Célia sempre me dava uma sensação boa — parecia que o tempo diminuía o

