Lupita estava linda. Linda de um jeito triste — o tipo de beleza que não brilha, mas dói. O vestido era impecável, branco e pesado, rendado até os pulsos. O cabelo preso deixava o rosto à mostra — e era ali, bem ali, que se via a verdade: o sorriso não chegava aos olhos. Henzo percebeu de imediato. Sol também. — Ela não tá feliz, — Sol murmurou, quase num sussurro, os olhos acompanhando a noiva atravessar o corredor improvisado do morro, entre flores exageradas e olhares curiosos. Henzo respondeu sem olhar pra ela: — Ninguém tá. Mas não era bem verdade. Um estava. Barão — o homem que jurava não sentir nada, o mesmo que era lenda no morro por não ter coração — olhava pra Lupita como se o mundo tivesse parado só pra ver ela respirar. Tinha algo diferente nele naquele instante. O

