Chapter 8 - Sina

1281 Palavras
Desde que a Sabina estava em coma, o natal não era mais o mesmo, era o primeiro natal sem ela, e nem ao menos parecia natal em nossa irmandade. As outras irmandades decoraram suas casas com enfeites, árvores e afins, enquanto a nossa permanecia a mesma de antes. Sabina quem gostava de decorar tudo e a sua animação nos animava também. No primeiro natal nós fomos passar com nossas famílias, quando voltamos, a Sabina já havia chegado e teria sido a primeira, acreditamos nisso durante muito tempo, mas em seguida paramos para pensar: Sabina nunca havia mencionado sua família, ligado ou algo do tipo. Começamos a desconfiar e um dia ela nos contou toda sua história. Maria Sabina Hidalgo Pano. Uma menina que desde criança era cheia de sonhos e esperanças que sempre sonhou alto, sempre sonhou mais, mas nunca foi apoiada pela sua família e havia conquistado tudo sozinha. Enquanto ela contava que desde que havia se mudado para o Estados Unido, nunca havia falado com a sua família, nós chorávamos. Nunca imaginamos que isso aconteceu com ela, ela estava sempre feliz e sorrindo, eu nunca iria imaginar. No natal seguinte combinamos de ficarmos e viajarmos apenas para o ano novo. Sabina disse que ficaria bem sozinha, mas nós nos recusamos a viajar e deixá-la, já bastava o ano novo. - Eu ODEIO luzes natalinas. - Diz ela tentando desembaralhar as luzes. - Elas sempre embolam... Eu me lembro de ano passado ter guardado bem organizado para não ter que passar por isso agora. - Eu ri. - Você quem gosta de enfeitar a casa. - Digo enquanto pego alguns enfeites de dentro da caixa que Heyoon segurava. - Natal é decorar a casa com sua família... - Diz ela. - Tenho certeza, que não é bem isso. - Diz Heyoon, mas Sabina a ignorou e prosseguiu. - Nós somos uma grande família feliz. Heyoon é a mãe preocupada, Sina o pai legal... - Franzi a testa e a encarei. - Diarra aquela irmã mais velha que os pais sempre comparam com os mais novos falando coisas tipo “da sua idade a Diarra já havia pilotado um foguete para marte”', eu e Any as adolescentes que não se metem em encrenca e só pensam em uma estabilidade financeira e oito horas de sono e Hina e Sofya são as crianças... - Ela joga as luzes no chão com raiva. Mais da metade já havia sido desembolada. - Fazemos isso pelas crianças. - Ela pega o objeto de volta e o coloca na árvore de um jeito meio torto. - Sabi, eu acho que não é uma boa ideia... Ainda está embolado. - Diz Heyoon. - Ah, não acontece nada demais. - Ela ligou o objeto na tomada e as luzes se acenderam. - Viram? - Já é natal? - Pergunta Sofya descendo as escadas, Hina, Any e Diarra logo atrás. - Amei essa árvore branca. - Eu odiei... – Diz Any. - Está tão vazio e sem vida... As árvores no Brasil são artificiais e ainda sim são mais bonitas. - Sabe o que mais foi bonito? - Pergunto. Any me encara e eu sorri. - O 7 à 1. - Sina, é natal... Por favor. - Pediu Sabina. - Hoje é 25 de novembro. - Diz Hina. - Falta exatamente 1 mês... Então vamos prometer? 1 mês sem falarmos dessa maldita copa. - Diz Sabina e eu e Any nos encaramos e assentimos, a briga não era séria, mas era divertido ver a Any brava. - Que cheiro de queimado é esse? - Pergunta Diarra e nós nos viramos para árvore natalina onde ouvimos pequenas faíscas voarem e a árvore ser tomada em chamas. - A ÁRVORE ESTÁ PEGANDO FOGO. - Gritei e todos nós corremos para apagar as chamas e evitarmos uma tragédia maior. . . . - Hoje é a sua Sina que vai cuidar de você. - Digo entrando no quarto. - Você não vai acreditar... A Sofya está namorando, ela deve ter contado, mas enfim, a namorada dela é incrível e ela já vem saindo com a garota há um tempo. Ela está muito feliz e está mais distraída agora. Nós conhecemos a menina hoje. Shivani, ela é dócil, meiga, tímida e faz um bem tão grande pra nossa Sofya... Você iria gostar dela. - Digo suspirando, pegando meu celular e me deitando na maca. - Se importa se eu ver nossos vídeos antigos? - Digo indo até a galeria. - Sentimos sua falta de mais, Sabi... - Suspirei vendo nossas fotos juntas. - Não decoramos a casa para o natal, Hina não dorme no quarto de vocês desde que você entrou em coma. Sofya está indo bem nas aulas de dança, mas está tirando notas baixas na faculdade e está menos focada nos estudos. Ela prometeu melhorar, mas iremos providenciar um tratamento psicológico para ela... O namoro do Josh e da Any está cada vez mais firme, ela até dorme na casa dele e vice-versa. Ah, aposto que você se daria bem com a irmã do Josh, ela se parece com você. Não na aparência, afinal, ela é loira... Mas ela é tão alegre, atenciosa... Sofya está tão apegada à ela, quanto estava apegada à você, mas não fique com ciúmes disso tá? - Suspirei novamente observando uma foto onde estávamos eu, ela e Heyoon, as três estávamos juntas na rua da irmandade. Sofya, Hina e Diarra ainda não haviam chegado para o programa de intercambistas, e nesse dia, Any estava com o braço torcido, era um dia de lazer  -mesmo Heyoon parecendo que iria ao Coachella- e aquela foto havia se tornado uma das minhas favoritas. - Perdoa a Heyoon, está bem? - Digo. - Ela não quer sofrer caso você parta. - Enxuguei uma lágrima. - Ela está triste, mas está tentando se manter forte por nós. - Ri. - Acho que se não fosse isso todas nós já teríamos nos afundado na depressão. - Funguei e guardei o celular, me virei e acariciei as suas bochechas. - Boa noite, Sabi. . . . Cheguei em casa na manhã seguinte e encontrei a Heyoon sentada no sofá, ela segurava uma foto da Sabina. Uma garrafa de Vodca na mesa de centro. - Heyoon? - Ela não me olhou. - Por que ela tinha que ter ido comprar aquele presente maldito? - Ela soluçou. - Eu tenho tentado. Tentado ser forte durante todo esse tempo, mas já é Dezembro... A casa não está decorada... O natal está chegando... - Ela soluçou. - Sofya não quer ir ver a família, ela está com medo de voltar e a Sabina não estar aqui... - Me sentei ao seu lado. - Hina não dorme mais no quarto dela. Diarra tenta, mas eu sei que ela sofre e a Any se assusta e chora sempre que ouve um carro frear... - Não suportei, comecei a chorar também. - Eu também não irei para meu país para o natal ou ano novo... Eu não quero voltar aqui e não encontrar a Sabi naquele quarto, receber a notícia de que ela foi para o México... - A abracei. - Eu sinto tanto a falta dela... Eu não posso perdê-la. - Nós todas sentimentos. - Sina, me fala a verdade. Você ainda tem esperança de que a Sabi vai acordar um dia? - Hesitei por alguns segundos. - Não... Você não tem. - Suspirei e ela novamente voltou a chorar comigo. Eu realmente não tinha... Doía imaginar isso, mas eu não acreditava mais que a Sabina fosse acordar e que nós estávamos apenas adiando o inevitável. E talvez a nossa amiga estivesse sofrendo tanto quanto nós estávamos.  
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