Capítulo 7

1074 Palavras
O sol já estava alto e a música rolava leve ao fundo quando Carla, animada como sempre, se levantou da cadeira com um sorriso travesso. — Chega de ficar só bebendo, gente! Bora pra piscina! Rebeca riu, já sentindo o clima leve e divertido do lugar. Carla puxou sua mão sem dar muita opção, e as duas seguiram em direção à borda da piscina. Sem cerimônia, começaram a tirar as saídas de banho, revelando os biquínis que tinham comprado na noite anterior. Rebeca, com seu biquíni fio dental delicado e elegante, chamou atenção instantaneamente. Não só dos homens ao redor… mas principalmente de Rafael. Ele estava encostado na mesa, copo na mão, mas o olhar… completamente preso nela. Cada movimento de Rebeca parecia hipnotizar. O jeito como ela prendia o cabelo, a forma como sorria com Carla, a confiança natural… Rafael soltou um meio sorriso, balançando a cabeça como quem já sabia: estava completamente envolvido. Sem pensar duas vezes, ele também tirou a camisa e entrou na piscina. A água estava refrescante, e logo os três estavam próximos, rindo e jogando água uns nos outros. Carla fazia graça o tempo todo, enquanto Rebeca, mais solta, se permitia brincar. — Você sempre é assim ou hoje tá diferente? — Rafael perguntou, se aproximando um pouco mais dela, com aquele tom provocador. Rebeca sorriu de lado. — Depende… você sempre observa tanto assim? — Só quando vale a pena. O clima ficou mais intenso por alguns segundos. O olhar dos dois se cruzou de um jeito diferente… mais profundo. Mas Carla, como sempre, interrompeu: — Ei! Sem romance na piscina! — disse, rindo e mergulhando. Eles riram, quebrando o clima, mas a tensão continuava ali… silenciosa. Depois de um tempo, voltaram para a mesa. O garçom já estava chegando com uma bandeja cheia de churrasco, o cheiro tomando conta do ambiente. Rafael, atento, puxou a cadeira para Rebeca. — Senta aqui… você deve estar com fome. Ele serviu o prato dela, ofereceu bebida, cuidava de cada detalhe. Mas no meio de cada gesto… tinha sempre um olhar. Aqueles olhares demorados, carregados de intenção. Rebeca percebia. E, no fundo, gostava. Mas antes que aquele clima evoluísse… — Rebeca! Bora dançar! — Leandro apareceu animado, já segurando a mão dela. Ela tentou recusar com um sorriso, mas ele insistiu. — Rapidinho… só uma música. Sem muita escolha, ela acabou cedendo e foi com ele para perto da área onde a música estava mais alta. Rafael ficou observando. O sorriso dele desapareceu aos poucos. Leandro dançava colado, tentando impressionar, enquanto Rebeca mantinha uma certa distância, mas ainda assim participava. Incomodado, Rafael desviou o olhar e decidiu ir até outra mesa, onde um amigo o chamou. — E aí, sumido! — o amigo disse, puxando conversa. Rafael tentou entrar no assunto, mas não conseguia evitar. De vez em quando, seus olhos voltavam automaticamente para onde Rebeca estava. E do outro lado… Rebeca também olhava. Entre uma música e outra, seus olhos procuravam por ele. E quando encontravam… Era como se o resto do mundo desaparecesse por um instante. Dois olhares que se cruzavam à distância. Dois desejos que ainda não tinham sido interrompidos… A música terminou e, aproveitando o momento, Rebeca puxou levemente o braço de Leandro. — Vamos voltar pra mesa? Ele concordou, ainda sorrindo, e os dois caminharam de volta. Ao chegarem, Carla já estava sentada ao lado de Roberto, rindo de alguma coisa que ele tinha acabado de dizer. — Até que enfim! — Carla brincou. — Achei que vocês iam casar ali na pista. Rebeca riu e se sentou, mas antes mesmo de se acomodar direito, Leandro puxou a cadeira bem próxima dela, quase colado. — Aqui tá melhor — disse ele, com um sorriso cheio de intenção. Rebeca lançou um olhar rápido, meio sem graça, e pegou o copo para disfarçar. Foi então que o clima mudou completamente. Uma mulher baixa, de short estampado e blusa preta, apareceu de repente, com o rosto fechado e olhar direto em Leandro. — Então é aqui que você tá, né? — disse ela, com a voz carregada de irritação. Leandro travou na hora. — Fabiana… calma— — Calma? — ela interrompeu, aumentando o tom. — Você some, não responde, e aparece aqui cheio de graça com outra? Os olhos dela foram direto para Rebeca, analisando de cima a baixo. — E você? Já sabe com quem tá se metendo? Rebeca se surpreendeu, mas manteve a postura. — Olha, você tá entendendo errado— Antes que ela terminasse, Carla se levantou na hora, já entrando no meio. — Ei, ei, ei! Abaixa o tom! Aqui ninguém tá desrespeitando ninguém não! Fabiana virou pra Carla, ainda irritada. — Você nem se mete, porque isso aqui não é com você! — Agora é sim — Carla rebateu, firme. — Porque você chegou atacando quem não tem nada a ver com a sua história. O clima ficou pesado. Algumas pessoas ao redor já começavam a olhar. Nesse momento, Rafael, que observava de longe, não pensou duas vezes. Caminhou até a mesa com segurança, parando ao lado de Rebeca. Sem hesitar, colocou a mão de leve na cintura dela. — Aconteceu alguma coisa com a minha namorada? O silêncio caiu por um segundo. Rebeca olhou surpresa pra ele, sem entender, mas entrou no jogo ao perceber a intenção. Fabiana franziu a testa, confusa. — Namorada? Rafael manteve a postura, olhando direto pra ela. — Sim. Então acho melhor você medir o que fala. Carla aproveitou o momento e reforçou: — Pois é! Chegou já acusando, sem saber de nada. Fabiana respirava fundo, ainda irritada, mas claramente perdendo espaço na discussão. Leandro, percebendo que a situação podia piorar, segurou o braço dela. — Chega, Fabiana… vamos sair daqui. — Me solta! — Vamos conversar ali — ele insistiu, puxando ela com mais firmeza. Depois de alguns segundos de resistência, ela acabou cedendo, ainda olhando pra trás com raiva, enquanto Leandro a levava para mais longe, tentando conter a situação. O clima na mesa ficou estranho por um instante… Mas logo Carla soltou: — Meu Deus… essa foi intensa! Roberto riu, quebrando o gelo. Rebeca então virou lentamente o rosto para Rafael, ainda sentindo a mão dele na sua cintura. — Namorada, é? Rafael deu um meio sorriso, sem tirar a mão. — Foi a melhor ideia que eu tive no momento… Os dois se olharam. E dessa vez… Não tinha mais ninguém interrompendo.
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