Capítulo 18

1273 Palavras
O dia m*l tinha começado… e já parecia interminável. Depois do primeiro acidente, Rafael e a equipe m*l tiveram tempo de respirar. Assim que voltaram para a viatura, um novo chamado surgiu. — Incêndio em residência — informou o rádio. Rafael fechou os olhos por um segundo, apoiando a cabeça no banco… mas logo se recompôs. — Vamos. O fogo já consumia parte da casa quando chegaram. Chamas altas, vizinhos desesperados, gritos. Rafael desceu da viatura com rapidez, colocando o capacete. — Tem alguém lá dentro? — perguntou. — Uma senhora! — alguém respondeu, apontando. Sem hesitar, ele entrou com a equipe. O calor era intenso, a fumaça dificultava a visão… mas ele seguiu. Aquela rotina de risco… aquele instinto de salvar. Horas depois, já exausto, ele ainda enfrentou mais um acidente, mais um resgate, mais uma situação limite. O corpo começava a pesar. O braço doía novamente. Mas ele não parava. Roberto, em outro ponto da operação, também já mostrava sinais de cansaço. — Hoje não tá fácil… — comentou, limpando o suor. Rafael deu um leve sorriso cansado. — Nunca é… mas hoje resolveu caprichar. O sol começou a se pôr… e finalmente o ritmo diminuiu. Dentro da viatura, no caminho de volta, Rafael olhava pela janela, em silêncio. A mente dele já não estava mais no trabalho. Estava em outro lugar. Em alguém. Rebeca. A lembrança dela fazia o peso do dia parecer um pouco menor. — Só quero chegar em casa… — ele murmurou. Mas no fundo, sabia que queria mais do que isso. Queria estar com ela. Mais tarde, já à noite, ele finalmente a encontrou. Rebeca estava mais leve, ainda envolvida pelo sucesso do desfile… mas quando viu Rafael, percebeu na hora o cansaço dele. — Você tá exausto… — disse, se aproximando. Ele soltou um suspiro, passando a mão no rosto. — Foi um dia daqueles. Ela se aproximou mais, com carinho. — Vem cá… Ele não pensou duas vezes. Aquele abraço… era exatamente o que ele precisava. Por alguns segundos, Rafael apenas ficou ali, em silêncio, como se o mundo finalmente tivesse desacelerado. Depois de um tempo, sentados juntos, ele olhou para ela com mais calma. — Amanhã… eu queria te levar em um lugar. Rebeca levantou o olhar. — Onde? Ele sorriu de leve. — Na casa da minha mãe. Ela se surpreendeu. — Sério? — Sério — ele confirmou. — Quero que você conheça ela. Rebeca ficou em silêncio por um instante… mas um sorriso apareceu. — Eu vou. Rafael relaxou ainda mais. — Ela é… incrível — começou, olhando para o nada por um segundo, como se lembrasse. — Sempre foi muito forte.Depois que meu pai morreu ela cuidou de tudo praticamente sozinha. Rebeca escutava com atenção. — Se faltava alguma coisa … ela sempre dava um jeito. Ele deu um leve riso. — Eu aprontei muito quando era criança… vivia na rua, correndo, brincando… mas ela sempre dava um jeito de me colocar no caminho certo. Rebeca sorriu. — Dá pra imaginar você assim. — Dá mesmo — ele respondeu, rindo. — Eu era impossível. O clima entre os dois era leve… íntimo. Mais próximo do que nunca. — Ela sempre disse que queria que eu virasse bombeiro que nem meu pai— ele continuou. — Ela sempre dizia que eu precisava fazer algo que realmente importasse. Rebeca segurou a mão dele. — E você faz. Ele olhou para ela… com um olhar mais profundo. — E agora… eu só quero que ela conheça você. Rebeca sentiu o coração acelerar. Porque aquilo significava mais do que um simples convite. Era um passo. Um sentimento ficando mais sério. Mais real. E naquela noite… Depois de um dia tão pesado, Rafael finalmente encontrou o que precisava: Paz… e alguém que fazia tudo valer a pena. A noite anterior passou quase sem que percebessem… e o dia seguinte chegou com uma mistura de expectativa e nervosismo. Na casa da mãe do Rafael, o clima era outro. Dona Lúcia já estava na cozinha desde cedo, terminando de preparar tudo com carinho. A lasanha de frango saía do forno com aquele cheiro que preenchia a casa inteira. Ela limpou as mãos no avental, deu uma última olhada na mesa e sorriu sozinha. — Hoje eu vou conhecer ela… — disse baixinho, animada. Pouco tempo depois, Rafael e Rebeca chegaram. Ele ainda parecia tranquilo… mas Rebeca sentia o coração acelerar. — Relaxa — Rafael disse, percebendo. — Ela vai te amar. Antes que ela respondesse, a porta se abriu. Dona Lúcia apareceu com um sorriso enorme no rosto. — Meu filho! — disse, abraçando Rafael forte. Depois, olhou para Rebeca… e os olhos brilharam. — E você deve ser a Rebeca… que menina linda! Rebeca sorriu, um pouco tímida. — Muito prazer, dona Lúcia. — Nada de dona Lúcia, pode me chamar de Lúcia — respondeu, já segurando as mãos dela com carinho. — Seja muito bem-vinda. A recepção foi calorosa desde o primeiro minuto. Lúcia era exatamente como Rafael tinha descrito: baixa, sorridente, falante… e com um jeito acolhedor que fazia qualquer um se sentir em casa. — Senta, minha filha, você deve estar com fome — disse, puxando uma cadeira. Durante o almoço, a conversa fluiu naturalmente. Lúcia perguntava sobre a loja, sobre o desfile, sobre a vida de Rebeca… sempre com interesse genuíno. — O Rafael falou de você com tanto orgulho — comentou, sorrindo. Rebeca olhou para ele, surpresa. Rafael apenas deu de ombros, meio sem graça. Depois de comerem, Lúcia trouxe uma caixa antiga. — Eu quero te mostrar uma coisa — disse, sentando ao lado de Rebeca. Ela abriu o álbum de fotos. — Esse aqui é o pai do Rafael… — falou, apontando. Rebeca se aproximou. Era um homem de uniforme. Bombeiro. — Ele também era bombeiro — Era um homem muito corajoso… e muito teimoso também. Eles riram. — O Rafael puxou a quem, então? — Rebeca brincou. — Aos dois — Lúcia respondeu na hora. Enquanto conversavam, a porta se abriu novamente. — Cheguei! — disse uma voz feminina. Era Jéssica. Alta, bonita, com um ar confiante. Ela entrou e parou ao ver a visita. — Opa… então você é a famosa Rebeca. Rebeca levantou, sorrindo. — Espero que famosa no bom sentido. Jéssica riu. — Pelo sorriso do meu irmão, com certeza é. As duas se deram bem quase que imediatamente. Jéssica contou sobre a faculdade de medicina, a rotina puxada, os sonhos… Rebeca falou sobre a loja, o desfile, os planos. — Eu já quero ir lá conhecer — Jéssica disse. — Vai ser um prazer — Rebeca respondeu. Rafael observava tudo em silêncio… mas claramente feliz. As horas passaram rápidas demais. Quando perceberam, já estava ficando tarde. Rafael olhou o relógio. — A gente precisa ir… Lúcia fez uma cara de leve desapontamento. — Já? — A gente volta — Rafael garantiu. Ela se levantou e abraçou Rebeca com carinho. — Foi um prazer te conhecer, minha filha. Volta mais vezes. Rebeca sorriu, emocionada. — Eu volto sim. Jéssica também se despediu. — Gostei de você — disse, direta. — Cuida bem desse aí. — Pode deixar — Rebeca respondeu, rindo. Do lado de fora, já no carro, o silêncio foi diferente. Mais leve. Mais cheio. Rafael olhou para ela. — E aí? Rebeca sorriu. — Agora eu entendi você. Ele franziu levemente a testa. — Como assim? — Sua força… seu jeito… vem dela. Rafael ficou em silêncio por um segundo. E depois… sorriu. Naquele dia, não foi só um encontro. Foi um passo importante. Um laço que começava a se firmar de verdade.
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