Capítulo 17

920 Palavras
Rebeca ainda estava na loja, terminando de organizar algumas coisas, quando o celular tocou. Era Rafael. Ela atendeu na hora, com um sorriso que nem tentou esconder. — Oi… — Eu vi tudo — ele disse, do outro lado, com a voz firme. — Você foi incrível. Rebeca encostou no balcão, fechando os olhos por um segundo. — Foi… intenso. — Então vamos comemorar — ele respondeu. — Eu já escolhi um lugar. Ela riu, surpresa. — Você não perde tempo, né? — Nem hoje. Rebeca pensou por um segundo… e decidiu. — Eu vou. Pouco depois, ela encontrou Carla e Roberto, que ainda estavam juntos, comemorando o sucesso. — Rafael chamou a gente pra sair — Rebeca disse. — Pra comemorar. Carla olhou para Roberto, que deu de ombros com um leve sorriso. — Depois de hoje? Eu topo qualquer coisa. — Então vamos — Carla completou. O lugar escolhido por Rafael era simplesmente perfeito. Um restaurante à beira da praia, com luz baixa, o som do mar ao fundo e uma brisa leve que deixava tudo ainda mais especial. Quando chegaram, Rafael já estava lá. Ele se levantou ao ver Rebeca… e o olhar entre os dois disse mais do que qualquer palavra. — Eu disse que você ia arrasar — ele falou, se aproximando. — E você acertou — ela respondeu, sorrindo. Eles cumprimentaram Carla e Roberto, e logo estavam todos sentados. Rafael fez questão de pedir uma garrafa de champanhe. — Hoje é uma noite importante — disse, erguendo a taça. — Pelo sucesso… e pelo que ainda vem pela frente. — E por a gente — Carla completou. As taças se encontraram. O clima era leve, cheio de risadas, histórias do desfile, planos… mas também carregado de olhares e sentimentos que estavam cada vez mais evidentes. Em certo momento, Carla e Roberto começaram a conversar mais entre si, um pouco mais afastados. Rafael aproveitou o instante. — Quer sair um pouco daqui? — ele perguntou baixo para Rebeca. Ela olhou pra ele… e entendeu. — Quero. Os dois saíram juntos, deixando o som do restaurante para trás e seguindo pela noite. A conversa foi diminuindo… o silêncio entre eles não era vazio, era cheio. Cheio de tudo que estavam sentindo. Mais tarde, já sozinhos, o mundo parecia distante. Sem pressa, sem distrações… só os dois. O carinho, os olhares, a proximidade — tudo aconteceu de forma natural, intensa, mas ao mesmo tempo delicada. Não era só desejo. Era conexão. Era entrega. Depois, deitados, ainda próximos, Rebeca apoiou a cabeça no peito dele. — Eu não esperava que tudo isso fosse acontecer assim… — ela confessou. Rafael passou a mão pelo cabelo dela, pensativo. — Nem eu… mas não quero que pare. Ela levantou o olhar. E sorriu. — Nem eu. Naquela noite, não foi só o sucesso do desfile que marcou tudo. Foi o começo de algo mais profundo. Mais forte. E talvez… impossível de ignorar. O dia seguinte começou cedo… e pesado. Rebeca acordou primeiro, ainda envolvida no silêncio do quarto. Por alguns segundos, ela apenas ficou ali, olhando Rafael dormir, com um leve sorriso no rosto. A noite anterior ainda parecia viva dentro dela. Ela passou a mão de leve pelo braço dele — com cuidado — e se levantou devagar, sem fazer barulho. Antes de sair, deixou um beijo suave no rosto dele. — Até mais, bombeiro… — sussurrou. Horas depois, Rafael acordou sozinho. Olhou ao redor, respirou fundo… e sorriu de canto, lembrando de tudo. Mas a realidade não demorou a bater. O celular vibrava sem parar. Chamadas do trabalho. Ele atendeu na hora. — Rafael, precisamos de você agora. Ocorrência grande — disse a voz do outro lado. O sorriso desapareceu. — Tô indo. Do outro lado da cidade, Roberto também já estava de pé. Ele terminava de se arrumar quando recebeu a mesma notificação de urgência. Franziu a testa. — Hoje não vai ser leve… — murmurou. Pouco tempo depois, os dois já estavam no local. Um acidente grave. Um carro havia perdido o controle e colidido, deixando pessoas presas nas ferragens. O cenário era tenso. Gente chorando, sirenes, fumaça no ar. Rafael chegou focado. O olhar dele mudou completamente — agora era só trabalho. — Situação? — perguntou, já colocando os equipamentos. — Duas vítimas presas — respondeu um colega. — Uma consciente… outra desacordada. Rafael assentiu. — Vamos agir rápido. Roberto se aproximou pelo outro lado, também preparado. Os dois trocaram um olhar rápido. Sem palavras. Mas com entendimento. O trabalho começou. Ferramentas sendo usadas, metal sendo cortado, cada segundo contando. — Calma, a gente vai tirar você daqui — Rafael disse para uma das vítimas, tentando manter ela consciente. Roberto trabalhava ao lado, concentrado, ajudando a abrir espaço. Mas, em certo momento, algo saiu do controle. Uma parte da estrutura cedeu de forma inesperada. — Cuidado! — alguém gritou. Rafael puxou rápido, evitando algo pior… mas o impacto fez ele forçar o braço machucado. Ele travou por um segundo. A dor voltou forte. — Rafael! — Roberto chamou. — Tô bem… continua — ele respondeu, firme, mesmo sentindo. A pressão aumentava. Mas eles não pararam. Minutos depois, conseguiram retirar a primeira vítima. A segunda veio logo depois. Ambas foram levadas pelas equipes médicas. O silêncio que ficou depois parecia pesado. Rafael respirava fundo, sentindo o braço latejar. Roberto se aproximou. — Você forçou demais. — Não dava pra parar — Rafael respondeu. Roberto assentiu. Ele entendia. Mas no fundo… Ele também sabia. Aquilo podia ter consequências.
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