Capítulo 3

860 Palavras
A música já tomava conta da rua inteira. O som do pagode ecoava alto, misturado com risadas, conversas e o tilintar de copos. O churrasco da esquina estava mais cheio do que o esperado, e a energia era contagiante. Rebeca, com seu vestido preto curto, justo na medida certa, deixava à mostra suas pernas bem torneadas. O cabelo loiro caía solto sobre os ombros, e seus olhos brilhavam de um jeito diferente naquela noite. Já Carla, com seu short jeans e o top vermelho, destacava sua pele morena e o corpo cheio de atitude. As duas chamavam atenção por onde passavam — e sabiam disso. — Amiga… hoje a gente tá impossível, viu — disse Carla, rindo, enquanto pegava mais uma cerveja. — Ah, hoje eu quero é aproveitar — respondeu Rebeca, já mais leve, deixando de lado as preocupações do dia a dia. Depois de algumas cervejas, Rebeca começou a se soltar como raramente fazia. A mulher forte, responsável e dedicada à loja e à família, dava espaço para um lado mais livre, mais divertido. Quando a banda puxou um pagode animado, Carla não perdeu tempo. — Bora dançar! Rebeca hesitou por um segundo… mas só um. — Bora! As duas foram para perto do som, onde algumas pessoas já dançavam. No começo, Rebeca se movimentava timidamente, mas Carla, como sempre, puxava ela, ria, girava, incentivava. — Se solta, mulher! E ela se soltou. O corpo de Rebeca começou a acompanhar o ritmo, os quadris marcando a batida, o sorriso surgindo naturalmente. Aos poucos, ela nem percebia mais os olhares ao redor — embora eles fossem muitos. Alguns homens comentavam discretamente, outros tentavam se aproximar, mas Carla fazia questão de manter o controle da situação, sempre por perto da amiga. — Tá vendo? Você nasceu pra isso também — disse Carla, entre uma música e outra. Rebeca riu, jogando o cabelo para o lado. — Eu precisava disso… sério. Naquele momento, ela não era só a dona da loja, nem a filha preocupada com a família no interior. Era apenas Rebeca — jovem, bonita, viva, aproveitando a noite. Enquanto dançavam, dois rapazes se aproximaram, tentando puxar conversa. Carla olhou de cima a baixo, avaliando, enquanto Rebeca apenas sorria, sem se comprometer. — Calma aí, a gente acabou de chegar — disse Carla, divertida, mas firme. Os rapazes riram e se afastaram, prometendo voltar. Rebeca olhou para a amiga e caiu na risada. — Você não muda, né? — Alguém tem que cuidar da gente — respondeu Carla piscando. A música continuava, a noite só esquentava, e algo no ar dizia que aquela noite prometia muito. Do outro lado da cidade, o barulho não era de música, nem de risadas — era o som pesado da rotina puxada no quartel. Mangueiras sendo enroladas, equipamentos guardados, botas sendo retiradas com aquele cansaço que só quem vive aquilo entende. A equipe finalmente encerrava mais um turno. Rafael passou a mão no rosto, ainda com marcas leves de fuligem. Alto, de olhar firme e postura segura, ele tinha aquele jeito de liderança natural, mesmo fora das ocorrências. Leandro, sempre mais descontraído, já estava jogado na cadeira, reclamando do cansaço. Lucas mexia no celular, quieto, mas atento a tudo. E Roberto… esse já parecia pronto pra qualquer coisa — inclusive sair. — Rapaz… hoje foi puxado — disse Leandro, esticando os braços. — Eu mereço uma gelada. — Você merece é dormir — respondeu Rafael, pegando sua mochila. — Dormir nada! Sextou, meu amigo! Lucas levantou o olhar do celular com um leve sorriso. — Falando em sexta… vocês viram isso aqui? Os três se aproximaram. — Vai ter um pagode ali na esquina do bairro novo. Dizem que tá lotado… e que a banda é boa. Roberto abriu um sorriso na hora. — Pronto. Era isso que eu tava esperando ouvir. Rafael arqueou a sobrancelha, pensativo. — Ah, sei não… tô cansado. Leandro levantou na mesma hora. — Cansado nada! Você precisa viver um pouco também, capitão. Só trabalho, trabalho… — E responsabilidade — respondeu Rafael, sério… mas já com um leve sorriso de canto. Roberto bateu no ombro dele. — Justamente por isso. Bora relaxar. Uma cerveja, música boa… quem sabe uma companhia melhor ainda. Lucas completou: — E dizem que tá cheio de gente bonita. Isso foi o suficiente pra arrancar um riso de Rafael. — Vocês não prestam. — Mas você vai — rebateu Leandro. Rafael olhou para os amigos por um instante. Aquela parceria, aquela leveza depois de um dia pesado… era difícil dizer não. Ele soltou um suspiro. — Tá bom… só uma passada rápida. Os três comemoraram na hora. — Aí sim! Pouco tempo depois, já trocados, com roupas simples mas que destacavam ainda mais o porte forte de cada um, eles saíram juntos. O cansaço parecia ter ficado para trás — substituído por expectativa. Dentro do carro, o clima era outro. Música tocando, janelas abertas, o vento da noite batendo no rosto. — Hoje promete — disse Roberto, animado. — Sempre promete… o problema é o final — brincou Lucas. — Fala por você — respondeu Leandro, rindo. Rafael, dirigindo, apenas observava, com um meio sorriso.
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