Capítulo 5

1219 Palavras
A noite ainda parecia jovem quando Roberto estacionou o carro em frente ao prédio de Rebeca. O silêncio da rua contrastava com a energia que ainda pulsava entre eles depois de tudo que tinham vivido no pagode. — Chegamos — disse ele, virando levemente o rosto para trás. Rebeca sorriu, ajeitando o cabelo enquanto trocava um olhar cúmplice com Carla. — Obrigada pela noite… foi perfeita. Carla abriu a porta, mas antes de sair, olhou para Roberto com aquele brilho provocante nos olhos. — Você ainda vai me levar em casa, né? — Claro — respondeu ele, com um sorriso que já dizia tudo. Rebeca desceu, acenando enquanto entrava no prédio. Assim que a porta se fechou atrás dela, o clima dentro do carro mudou completamente. O silêncio agora era carregado de intenção. Minutos depois, Roberto estacionava em frente à casa de Carla. Ela saiu devagar, olhando para trás. — Você não vai entrar? Ele nem respondeu com palavras. Apenas saiu do carro e fechou a porta com firmeza, seguindo-a até a entrada. O beijo veio antes mesmo de a chave girar na fechadura. Dentro da casa, o mundo parecia desaparecer. Risadas, provocações e toques se misturavam enquanto eles se deixavam levar pelo desejo que já vinha sendo construído desde o primeiro olhar. A noite foi intensa, sem pressa, como se quisessem aproveitar cada segundo. Na manhã seguinte, o despertador de Rebeca tocou cedo. Ela abriu os olhos ainda com um leve sorriso no rosto, lembrando da noite anterior. Mas rapidamente se levantou — aquele era um dia importante. Na loja, o cheiro de roupa nova tomava conta do ambiente. Caixas estavam abertas, tecidos espalhados, cores vibrantes chamando atenção. Rebeca colocou uma música animada e começou a organizar tudo com energia. Ela pegava peça por peça, imaginando combinações, montando looks na cabeça. — Esse vídeo precisa ser perfeito… — murmurou para si mesma. O concurso do shopping não era apenas uma oportunidade qualquer. Era a chance de colocar sua loja em outro nível, de mostrar seu talento, de conquistar um espaço em um grande desfile. Era o tipo de oportunidade que ela sempre sonhou. Ela posicionou o celular, testou ângulos, ajustou a iluminação natural que entrava pela vitrine. Vestiu uma das peças novas e começou a gravar, desfilando com confiança, fazendo transições, mostrando detalhes. Depois de algumas tentativas, ela parou, respirando fundo. — Vai dar certo… tem que dar. — Enquanto isso, Carla acordava lentamente, ainda envolvida nos lençóis. Ao seu lado, Roberto dormia tranquilo. Ela observou por alguns segundos, sorrindo sozinha. Pegou o celular e viu uma mensagem de Rebeca: "Amiga, tô na loja já! Depois me conta TUDO 😏" Carla riu baixinho. Roberto começou a se mexer, abrindo os olhos devagar. — Bom dia… — Bom dia… — respondeu ela, passando a mão no peito dele. Os dois trocaram um beijo lento, preguiçoso. — Hoje à noite… — começou ele — a gente se vê de novo? Carla arqueou a sobrancelha, provocando: — Você aguenta? Ele riu. — Depois de ontem? Quero mais. — Então tá combinado — disse ela, levantando da cama. — Mas dessa vez… eu escolho o lugar. — De volta à loja, Rebeca finalmente conseguiu gravar um vídeo que a deixou satisfeita. Assistiu várias vezes, analisando cada detalhe. Ela sorriu, orgulhosa. — Esse é o meu momento. Com o coração acelerado, ela postou o vídeo para o concurso. Agora era esperar… mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que estava no caminho certo — no amor, na amizade e nos seus sonhos. A manhã já estava movimentada na loja quando Rebeca terminava de ajustar os últimos detalhes da vitrine. As peças novas estavam perfeitamente posicionadas, criando uma combinação moderna e chamativa. Ela se afastou alguns passos, analisando o resultado com um olhar crítico… e satisfeito. — Agora sim… — disse baixinho, sorrindo. Foi nesse momento que a porta se abriu às pressas. — AMIGA! — a voz de Carla ecoou pela loja. Rebeca virou, cruzando os braços com um sorriso desconfiado. — Olha só quem resolveu aparecer… e atrasada! Carla entrou rindo, ainda com óculos escuros e um ar de quem teve uma noite — ou melhor, uma madrugada — bem intensa. — Nem começa… você não faz ideia! Rebeca arqueou a sobrancelha, curiosa. — Então fala logo, porque eu tô doida pra saber. Carla largou a bolsa no balcão e foi direto até ela, falando mais baixo, como se fosse contar um segredo. — Eu e o Roberto… — ela fez uma pausa dramática — ficamos juntos lá em casa. Rebeca abriu um sorriso largo. — Eu sabia! Tava na cara! — E não foi pouca coisa não… — disse Carla, rindo — o homem é… enfim, amiga, perfeito. As duas caíram na risada. — Depois você me conta os detalhes — respondeu Rebeca, se virando novamente para a vitrine — porque eu também tenho novidades. Carla se aproximou, olhando o trabalho da amiga com atenção. — Uau… ficou linda! Você arrasou nisso aqui. — Tô tentando, né? — disse Rebeca — é pro concurso do shopping. Gravei o vídeo cedo… tô apostando tudo nisso. Carla cruzou os braços, admirando. — Você merece ganhar. Sua loja tá cada vez mais incrível. Rebeca sorriu, mas logo mudou de assunto: — E o resto da noite? Como foi depois que eu fui embora? Carla deu de ombros, com um sorriso malicioso. — Foi só melhorando. — Imagino… — respondeu Rebeca, rindo. Carla então lembrou de algo e olhou diretamente para a amiga. — Ah, e tem mais uma coisa… o Leandro. Rebeca fez uma careta leve. — O que tem ele? — Ele ficou super a fim de você, sabia? Comentou isso depois que você saiu. Rebeca soltou um suspiro, já negando com a cabeça. — Ah, não… ele até é bonito e tal, mas não faz meu tipo. Carla riu. — Eu percebi. Você tava mais interessada em outro… Rebeca desviou o olhar por um segundo, tentando disfarçar o sorriso. — Para de graça. — Rafael, né? — provocou Carla. Rebeca não respondeu de imediato, mas o silêncio já dizia tudo. — Amiga… cuidado, viu? — disse Carla, agora com um tom mais leve, porém sincero — essas coisas começam assim. — Eu sei… — respondeu Rebeca — mas vamos ver no que dá. O clima ficou leve novamente, e as duas continuaram organizando a loja por mais algum tempo. — No fim da tarde, já cansadas, decidiram fechar mais cedo. — Eu vou pra casa me arrumar — disse Carla, pegando a bolsa — porque hoje tem mais. Rebeca riu. — Outro encontro? — Claro — respondeu Carla, confiante — e dessa vez vai ser ainda melhor. Rebeca balançou a cabeça, divertida. — Você não perde tempo mesmo. — E você devia fazer o mesmo — rebateu Carla, piscando — para de fugir. Rebeca apenas sorriu, fechando a loja. As duas saíram juntas, caminhando pela rua enquanto o sol começava a se pôr. Cada uma com seus pensamentos… Carla, ansiosa pelo que a noite prometia. E Rebeca, dividida entre focar no seu sonho… e se permitir sentir algo que começava a crescer dentro dela. E, sem perceber, a vida das duas estava prestes a entrar em uma nova fase — cheia de emoções, decisões e encontros que poderiam mudar tudo.
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