Pré-visualização gratuita A Ilusão da Caçadora
O cheiro de sândalo e suor impregnava o ar pesado do quarto. Meus joelhos afundavam no colchão de linho egípcio enquanto eu me movia sobre ele, ditando o ritmo. Dante Moretti estava deitado, os braços cruzados atrás da cabeça, os músculos do abdômen contraídos sob a pele bronzeada. Ele me observava com aqueles olhos cinzentos e insondáveis, e eu me permiti acreditar, por um breve e e******o momento, que estava no controle.
As mãos dele, grandes e calejadas, subiram pelas minhas coxas, apertando a carne com uma firmeza que beirava a dor. Eu inclinei a cabeça para trás, deixando meus cabelos caírem sobre o peito dele, focada apenas na missão: distraí-lo, pegar o pendrive no cofre do escritório e sumir na noite.
Mas, de repente, ele parou.
O ar no quarto pareceu gelar. A mão dele desceu do meu quadril e segurou meu queixo, forçando-me a olhar para baixo.
— Você acha que está no controle porque está por cima de mim? — A voz dele era um rosnado grave, vibrando contra o meu peito. — Que adorável.
Em um movimento brutal e fluido, ele inverteu nossas posições. O mundo girou e, antes que eu pudesse piscar, meus pulsos estavam presos acima da minha cabeça, imobilizados por uma única mão dele. O peso do corpo dele me esmagava contra o colchão, e o calor da pele dele queimava através da minha pele.
— Mas nós dois sabemos a verdade, Maya. — Ele roçou o nariz no meu pescoço, inalando meu cheiro como um viciado. — Eu só deixei você me tocar porque queria sentir o exato momento em que você perceberia que nunca mais vai sair da minha jaula.
O sexo mudou. A sedução falsa que eu havia ensaiado se desfez, substituída por uma reivindicação crua, possessiva e avassaladora. Ele não me pediu permissão; ele tomou. Cada estocada era uma punição e uma adoração, apagando a linha tênue entre o ódio e o desejo.
— p***a, olha pra mim — ele ordenou, a voz rouca, os olhos escurecidos por uma obsessão que me aterrorizava e me excitava em medidas iguais. — Você é uma péssima mentirosa, gattina. Seu corpo treme, mas não é de medo. É porque você sabe que é minha.
Ele negou o meu clímax, o polegar dele pressionando o ponto exato da minha ruína, me levando ao limite e me puxando de volta. A frustração e o prazer se misturavam em um coquetel tóxico.
— Diz pra quem você pertence — ele sussurrou contra o meu ouvido, os dentes roçando o lóbulo. — Diz, p***a.
— Sua — eu gemi, a sanidade se estilhaçando, as unhas cravando nas costas dele. — Sua, Dante.
Só então ele me deixou desmoronar, me segurando com força enquanto as ondas de prazer me destruíam.
Quando ele finalmente se soltou e foi para o banho, minhas pernas m*l me sustentavam. O som da água caindo no box era o único ruído no quarto. Eu precisava me mover. O pendrive. O contrato do cofre no escritório. Se eu não saísse daquela mansão nos próximos dez minutos, eu nunca mais sairia.
Enrolei-me no roupão de seda dele, que cheirava a ele, e saí do quarto na ponta dos pés. O corredor estava imerso em sombras. O escritório ficava no final do hall. Minha respiração estava descompassada. O coração batia tão forte que eu temia que ele pudesse ouvir do banho.
Empurrei a porta pesada de carvalho. O escritório era impecável, cheirando a couro e charutos caros. Eu sabia que o cofre ficava atrás do quadro abstrato na parede. Mas, ao me aproximar, meu cotovelo esbarrou em uma caixa de charutos de madeira escura sobre a mesa de mogno. A tampa, m*l fechada, cedeu.
Não havia charutos lá dentro.
O conteúdo da caixa se espalhou pela mesa como cartas de um baralho amaldiçoado. Fotos. Dezenas de fotos minhas.
Meu sangue gelou. Eu na faculdade, rindo com amigos. Eu comprando café, com olheiras de cansaço. Eu chorando no estacionamento do hospital, segurando a mão da minha irmã. Eu em um dia de chuva, sem guarda-chuva. Eu dormindo no sofá do meu próprio apartamento. A invasão era tão profunda, tão meticulosa, que eu sentia falta de ar.
— O quê... — minha voz falhou, um sussurro trêmulo.
No fundo da caixa, um envelope pardo. Minhas mãos tremiam tanto que eu quase o deixei cair. Dentro, havia um contrato. O mesmo contrato que o "rival" de Dante me entregou no bar, me pagando para espioná-lo.
Mas o nome no topo não era o do rival. Era Dante Moretti. E a assinatura no rodapé... a caligrafia agressiva e inclinada era inconfundível. Era a mesma assinatura que eu acabara de ver nos documentos da mesa dele.
Ele não me contratou. Ele orquestrou tudo.
O som do chuveiro parou. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
— Eu avisei que você era péssima em mentir, Maya.
Congelei. A porta do escritório estava aberta, e Dante estava encostado no batente. Ele estava completamente seco, vestindo apenas uma calça de moletom baixa no quadril, o peito nu exibindo as cicatrizes e a tatuagem tribal que subia pelo braço.
Ele não parecia surpreso. Ele sorria. Aquele mesmo sorriso de vitória.
— Quanto tempo? — perguntei, a voz rouca, os olhos fixos na pilha de fotos. — Quanto tempo você me observa?
Ele deu um passo à frente, os olhos cinzentos brilhando na penumbra.
— Desde o dia em que você entrou naquela faculdade. Cinco anos.
Ele pegou uma das fotos da mesa, acariciando o meu rosto impresso no papel com o polegar.
— E agora, gattina... — ele sussurrou, o sorriso desaparecendo, substituído por uma fome sombria. — Agora você é minha.