Preciso Falar Com Meredith

2921 Palavras
Calliope Torres P.O.V Se eu tivesse que dizer um superpoder ordinário que possuo, provavelmente, falaria sobre o meu poder de fingir bem o suficiente que eu não estava uma completa bagunça quando se precisava. E graças, a qualquer Deus responsável pela nossa criação, eu possuía essa capacidade de atuação, pois quando cheguei ao trabalho naquela manhã, a primeira pessoa que topei foi com Lexie no meu caminho até o elevador. Óbvio que eu não estava bem, mas meus óculos escuros conseguiram esconder o suficiente assim como meu sorriso amarelo. Se minha amiga percebeu algo, não comentou e acabamos por fazer planos para almoçar na próxima semana antes dela sair do elevador no seu andar. Chegando ao décimo oitavo piso, logo percebi que a porta de Mrs. Robbins estava fechada como de costume, então eu não tinha certeza se ela já estava realmente aqui. Liguei o computador, e tentei me preparar mentalmente para o resto do dia. Por que eu tinha a sensação, cada vez que me sentava nesta cadeira, que algo explosivo aconteceria? Eu sabia que teria de vê-la durante esta manhã, afinal, sempre passávamos toda a programação da semana seguinte na sexta-feira. Contudo, eu não tinha como ter certeza sobre o quão amigável estaria seu humor. Embora recentemente eu notasse que suas birras tinham ficado ainda piores. Imbecil infantil! Suas últimas palavras pra mim ontem foram: "Pegue a cinta-liga também. Vai ficar perfeita em você. " E eu como a bela otária que tenho sido, comprei a peça, mesmo me censurando sobre usar aquilo algum dia. Na verdade, tal censura não durou tanto assim, já que eu estava usando ela agora. Por quê? Eu não tinha ideia! Provavelmente, por eu ser burra demais para não pensar a respeito das coisas e ser muito impulsiva. Minha amiga diria que é defeito do signo. Era mais irônico ainda o quanto eu reclamava mentalmente por estar envolvida em uma situação tão fodida, mas não colaborar em nada para sair dela. Respondendo a alguns e-mails e pesquisando hotéis em Gotham tirei um pouco a minha mente dessa situação, e cerca de uma hora depois, ela abriu a porta do seu escritório. Olhando para cima, fui recebida por uma muito metódica e calma Mrs. Robbins. Sequer parecia a mesma mulher imprudente e animalesca que tinha me agarrado no provador da La Perla quatorze horas atrás. Ótimo agora eu contava até as horas? Que tipo de i*****l eu me tornei? – Pronta para começar, Srta. Torres? – Perguntou mexendo em seu celular, sem me olhar de verdade. – Sim, senhora. – Respondi com uma voz calma. Ok, então é assim que o jogo vai ser agora? Está bom para mim. Eu não sabia o que eu esperava, mas fiquei um pouco aliviada que as coisas não estavam tão diferentes do usual entre nós. Agarrando meu calendário, Iphone e notebook, entrei no seu escritório e me sentei em frente de sua mesa. Imediatamente comecei a me debruçar sobre a lista de tarefas e compromissos que precisavam de sua atenção. Ela ouviu em silêncio, anotando as coisas ou passando para o seu computador, quando necessário. – Há uma reunião com Bruce Wayne prevista para 15 horas de hoje. Seu pai também planeja participar. Isso provavelmente vai levar o resto da tarde, então o resto da agenda de hoje foi cancelada. Então, finalmente, chegamos à parte que eu temia. – A senhora também tem outra reunião com as Empresas Wayne antes do grande congresso em Gotham, no próximo mês. – Disse rapidamente, de repente, ela ficou interessada no que eu estava escrevendo no meu calendário. A pausa que se seguiu parecia se arrastar por uma eternidade, e eu olhei para cima para ver porque ela estava demorando tanto. Foi quando a peguei olhando para mim, com a caneta na mão batendo na mesa e seu rosto completamente desprovido de qualquer expressão. – Você irá me acompanhar? – Sim. – O silêncio na sala era ensurdecedor. Eu não tinha ideia do que ela estava pensando, nenhum traço de emoção em sua voz ou maneirismos. – Bom. – Murmurou como se não fosse para mim, o que era ridículo, uma vez que só havia eu e ela na sala. – Tome todas as providências necessárias. – Finalizou com um ar de finalidade quando continuou digitando em seu computador. Imbecil. Supondo que eu estava liberada, me levantei da cadeira e comecei a caminhar em direção à porta. – Srta. Torres. – Eu me virei para olhar para ela e, apesar de ela não olhar para mim, ela quase parecia nervosa. Bem, isso era estranho. – Minha mãe me pediu para estender um convite a você para jantar conosco na próxima semana. – Oh, por favor, diga a ela que eu vou olhar na minha agenda. – Respondi sem realmente dar uma resposta. – Ela também pediu que eu insistisse para que você participasse. Parei todos os movimentos. Voltando aos poucos, vi que ela agora estava olhando para mim, e ela definitivamente parecia desconfortável. – E por que exatamente ela faria isso? – Bom. – Respondeu antes de limpar a garganta. – Aparentemente, ela tem alguém que gostaria de apresentar a você. Isso era inusitado. Eu havia conhecido Bárbara Robbins há uns anos, antes de entrar na companhia por causa de minha mãe, mas, embora ela possa ter mencionado algum nome de garotos algumas das vezes, ela nunca tentou ativamente arrumar alguém para mim. – Por que sua mãe está tentando arrumar alguém pra mim? – Perguntei caminhando de volta para sua mesa e dobrando os braços sobre meu peito. – Eu não faço ideia. – Ela deu de ombros casualmente, mas algo em seu rosto não se encaixava perfeitamente a sua resposta indiferente. – Porque eu não acredito em você? – Questionei com uma sobrancelha levantada. Eu estava mais que curiosa agora. E ousada também, já que claramente eu estava desafiando a mulher que literalmente poderia me pôr para correr da Robbins Corp em um piscar de olhos. Mas eu precisava a enfrentar. Até porque, ela nunca havia parecido tão desconfortável como agora, o que só me fazia ter mais certeza de que super estava acontecendo alguma coisa. – Isso eu não tenho como saber. Não é como se nós tivéssemos sentado e discutido sobre sua vida amorosa. Eu sou uma CEO, não o Tinder, Torres. Seu tom de voz era novamente metódico, quase como se sendo neutra ela escondesse algo. Se não fosse pelo fato de sua mãe estar realmente planejando alguma coisa, obviamente, eu poderia ter achado sua reação apenas engraçada. – Talvez ela esteja preocupada que com essa sua personalidade explosiva você acabe uma solteirona velha com uma casa cheia de gatos. Ah, não, ela não falou isso. Inclinada para frente com as palmas das mãos sobre a mesa eu olhei para ela. – Bem, talvez ela devesse estar mais preocupada que sua filha se transforme em uma velha que passa seu tempo colecionando calcinhas e perseguindo mulheres em lojas de roupas íntimas. Chupa essa manga, i*****l. Eu sabia que ela iria revidar, mas sua linha telefônica privada tocou e ela teve de atender. Olhamos uma para a outra ferozmente de ambos os lados da mesa, enquanto respirávamos pesadamente e por um momento pensei que ela iria me jogar no chão... e Não! Ok, eu negava, mas por outro lado eu queria isso demais. Ok, eu era nojenta. E ainda olhando para mim, ela pegou o telefone. – Sim. – ela latiu bruscamente para o receptor, seus olhos nunca deixando os meus, e em seguida, ela apertou o telefone no seu peito. – Isso é tudo, Srta. Torres, já deveria estar de volta ao trabalho. E, finalmente, agarrando minhas coisas, saí da sala fechando a porta um pouco mais forte do que o necessário atrás de mim. Pelo resto da manhã e início da tarde, Mrs. Robbins entrou e saiu de seu escritório, também batendo portas e sendo encantadora como de costume. Lá pelas 14 horas, eu estava interiormente sopesando os riscos de ser acusada de tentativa de homicídio se eu fosse pega colocando laxante em seu precioso sem-gordura-sem-açúcar latte mocha apimentado. Olhando para o tempo, eu decidi não ir em frente com a ideia. Notei também que eu tinha uma mensagem de texto da Sra. Presunçosa-Colecionadora-de-Calcinhas, me informando que iria me encontrar lá embaixo na garagem da diretoria para irmos à reunião com Bruce Wayne. Graças a Deus os outros executivos e seus assistentes estariam indo também. Se eu tivesse de me sentar em uma limusine com essa mulher sozinha durante vinte minutos, haviam apenas dois resultados possíveis. E um só deles a deixava com os dedos intactos. A limusine estava esperando lá fora, e enquanto eu me aproximava o seu motorista sorria de forma reluzente para mim ao abrir a porta do carro. – Boa tarde, Srta. Torres. Como você está nesta bela tarde de primavera? – Oh, estou muito bem, apenas com aquela velha preguiça de ir à academia nos dias frios, mas é só, Joff. Antes que ele mexesse sua boca para me responder, Mrs. Robbins cortou: – Se vocês dois acabaram, nós temos algo realmente importante para fazer. Talvez você possa flertar com a Srta. Torres outra hora, Sr. Davis. Aparentemente ela já estava dentro do carro esperando por mim, e olhou para nós dois quando entrou de volta para o carro. Ótimo. Eu sorri e rolei os olhos para Joffrey, pedindo desculpas com um sorriso amarelo, antes de entrar. Foi quando me toquei de que, com exceção de Mrs. Robbins, o carro estava vazio, o que eu achava que iria mudar quando os outros chegassem, mas quando ouvi o motor arrancar e começarmos a nos mover, fiquei preocupada. – Onde estão os outros diretores? – Perguntei confusa. – Eles tiveram uma reunião após o almoço e vão nos encontrar lá. – respondeu enquanto se ocupava com seu laptop. Olhando para baixo, notei que ela estava nervosa, batendo o pé. Ok, eu poderia estar errada, mas alguma coisa estava definitivamente acontecendo. Sentada no banco em frente a ela, eu a olhei desconfiada. Ela não parecia diferente. Na verdade, ela só parecia mais sexy que o normal, o que inferno, era realmente possível? Eu acabei respondendo sim para minha própria pergunta ao perceber que toda a culpa era daquele maldito vestido verde escuro, que ela usava hoje e ressaltaram ainda mais seus malditos olhos azuis mortíferos. Seu cabelo hoje estava preso em um r**o de cavalo alto e quando ela distraidamente ergueu a mão esquerda até a boca e colocou a caneta de ouro entre os lábios carnudos... eu, bem, acabei tendo de mudar um pouco de posição no banco. Sim, eu era uma fraca que não merecia clemência. Quando de repente ela olhou para cima, o sorriso no meu rosto sumiu ao perceber que eu havia sido pega espiando ela. – Viu algo que você gosta, Srta. Torres? – Perguntou ironicamente. – Nada, na verdade. – Respondi de volta com meu próprio sorriso. E só porque eu sabia o que iria causar a ela, eu propositadamente cruzei minhas pernas, me certificando de que minha saia subisse um pouco mais do que o necessário. A carranca estava de volta em um instante. Missão cumprida. Até que tinha valido a pena comprar a droga da lingerie afinal. Valia cada dólar aquela expressão de p**a da vida dela. Dos dezoito minutos e meio que levamos para chegar, praticamente todos eles foram gastos com troca olhares dentro do carro enquanto eu tentava fingir que não estava fantasiando sobre ter aquela droga de boca no meu corpo. Não era necessário dizer que, no momento em que chegamos lá, era eu quem estava de mau humor. Nenhuma de nós disse uma palavra durante a viagem de elevador para o andar superior do novo escritório gerencial das Empresas Wayne, apesar da tensão não passar despercebida por qualquer uma de nós. Deus, eu acho que eu nunca me senti tão constantemente excitada. Gostaria de saber se era assim que era para os homens safados. Se fosse... bem, que merda. As próximas três horas passaram a passos de caracol. Apesar de caracóis não terem pés e... Pare agora mesmo, Callie! Você precisa prestar atenção na droga da reunião! Sim, eu precisava focar em deixar pronta a apresentação de Mrs. Robbins e não ficar secando daquela forma suas pernas. Ao menos voltei a atenção na hora certa para o mundo real, no momento que, Daniel chegou acompanhado de George e as apresentações foram feitas para todos os lados. Bruce Wayne não pode comparecer pessoalmente, devido a uma emergência em Gotham, mas mandou uma de suas diretoras gerais em seu lugar. Desta vez, tratava-se de uma mulher chamada Lauren, ao qual, teve um interesse imediato por Arizona de uma forma que me deixou um tanto... irritada. A descarada tinha seus trinta e poucos anos com um cabelo curtos e loiros, luminosos olhos verdes, e um corpo de morrer. Eu já a detestava mesmo sem trocar duas palavras direito com a mulher. Todo mundo se reuniu ao redor da mesa circular no centro da sala para iniciar a reunião, e eu tentei realmente prestar atenção, mas as memórias de uma outra mesa de reuniões ficava entrando em minha mente. Principalmente, no momento seguinte, quando Mrs. Robbins teve de tomar a frente da reunião para apresentação da proposta oficial da Robbins Corp para os empreendimentos Wayne, passando por cima de alguns números em uma planilha, e fazendo questão de me fazer uma pergunta quando eu obviamente não estava prestando atenção. Eu juro que eu poderia matá-la ali mesmo. O olhar no seu rosto me deixou saber que ela sabia exatamente o que eu estava pensando. Ela era pura maldade. E parte de mim queria perguntar a Bárbara se haviam desenhos satânicos nas paredes e pessoas gritando no quarto quando ela nasceu. E bem, quando voltamos para o escritório no final do dia, depois de passarmos momentos ainda mais tensos dentro do carro, finalmente pareceu que Mrs. Robbins tinha algo a dizer. E se ela não fizesse isso logo, eu ia explodir. Juro por Deus, até porque, quando eu queria que ela ficasse quieta ela não conseguia manter a sua maldita boca fechada. Mas quando eu precisava que ela dissesse alguma coisa, ela ficava muda. A sensação de déjà vu e pavor me encheu quando nós fizemos nosso caminho através do semi-deserto prédio e em direção ao elevador. No segundo em que se fecharam as portas douradas, eu queria estar em qualquer outro lugar, mas estava em pé ao lado dela. De repente tinha menos oxigênio aqui? Olhando para seu reflexo nas portas de bronze polido, era difícil dizer o que ela sentia atrás daquela máscara de arrogância. E chegando ao décimo oitavo andar, eu soltei um suspiro profundo que eu não tinha percebido que estava segurando. Esses devem ter sido os mais longos 22 segundos de minha vida. A segui até a porta, tentando manter meus olhos fora dela quando ela rapidamente entrou em seu escritório. Mas, para minha surpresa, ela não fechou a porta atrás dela. Ela sempre fechava a porta. Fiz um rápido trabalho de verificação de mensagens e guardei alguns detalhes de última hora antes que eu pudesse sair para o fim de semana. Eu não acho que eu já tinha estado com mais pressa para sair daqui. Bem, não era exatamente verdade. A última vez que ficamos sozinhas neste andar eu tinha fugido muito mais rápido. Apesar de merda! Esse não ser exatamente o momento ideal para relembrar disso. Não com o escritório vazio. Só nós duas. De novo. Não! – Reiterei mentalmente. Se eu havia conseguido aguentar todo aquele dia de indiretas e indiferença, tudo ao mesmo tempo, como não aguentar mais aqueles momentos até eu conseguir ir embora? Era uma missão simples e eu a estava executando com sucesso até ela sair do escritório, enquanto eu recolhia minhas coisas. Um envelope marfim foi posto na minha mesa por ela apesar dela ter continuado andando até o elevador sem parar. Que diabos foi isso? Rapidamente abri o envelope eu vi o meu nome em vários pedaços de papel marfim elegantes. Era uma papelada para abrir uma conta de crédito privado na La Perla, com Mrs. Robbins como a titular da conta. Jesus Cristo. Ela me abriu uma linha de crédito? – Mas o que? – Disse incrédula pulando da cadeira e virando para dar de cara com ela. – Você me abriu uma linha de crédito? – Eu estava absolutamente ciente do que era, mas como ela ousa? Eu não era uma garota de programa, ou alguma interesseira, para ela me comprar coisas assim. Parando devagar e hesitando um pouco, ela se virou para mim. – Fiz um telefonema hoje, e disponibilizei para que você compre o que você precisar .... Não há limite na conta. – Afirmou categoricamente, tendo apagado todos os vestígios de desconforto em seu rosto. Minha resposta a aguardava na ponta da língua, mas ela foi mais rápida. Passei todo o fim de semana desejando que eu pudesse tê-la calado antes dela declarar: – E eu quero que saiba que você não é a trigésima assistente na minha lista, Calliope. Na verdade, não há mais ninguém além de você. Nem haverá, basta você me dizer. O som de seus saltos arrastados entrando no elevador sozinha foi a última coisa que eu ouvi antes de afundar na minha cadeira um tanto chocada ainda. Eu estava realmente ouvindo bem, ou Arizona Robbins... Ok. Merda. Eu precisava urgente falar com Meredith.
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