Callie Torres P.O.V
Abrindo os olhos, fui imediatamente preenchida com a sensação de que algo não estava certo. Passei a mão ao longo dos lençóis em uma tentativa de assegurar-me que ela estava lá, apenas para encontrar um lugar vazio ao meu lado. O quarto estava escuro e eu me movi até o meu telefone na mesa de cabeceira para ver que horas eram. 02:43 da manhã.
Sentei-me e esfreguei os olhos, tentando concentrar no quarto em torno de mim; fiquei aliviada quando vi uma tira fina de luz escorrendo por debaixo da porta do banheiro.
Calma, Callie. Ela só foi ao banheiro.
Deitando de volta contra os travesseiros, puxei o lençol até o queixo e tentei abalar a incômoda sensação de acordar assim. Eu tinha me enchido com um medo inexplicável de que ela tinha me deixado em algum momento durante a noite. Basicamente, o que minha ex havia feito comigo. E apesar de tudo que não apenas tinha sido dito, mas sido feito no nosso momento na piscina, ainda não havia conseguido me livrar totalmente do medo de perdê-la de uma hora para outra. O destino nunca era conhecido nos grandes romances por ser benevolente, mas c***l.
Rolei e puxei o travesseiro contra meu corpo, procurando conforto. Seu travesseiro. Meus olhos se fecharam, por vontade própria e imaginei se poderia guardá-lo na mala e levar comigo. Quase ri do ridículo que era a ideia e olhei para a porta do banheiro, tentando me concentrar em qualquer barulho que ouvisse vindo de dentro.
Não houve nenhum.
Continuei a ficar lá, segurando o travesseiro quando meus olhos começaram a ficar mais pesados. Eu queria esperar por ela, sabia que estava sendo boba, mas precisava do seu corpo quente junto ao meu e de sentir seus braços envolvidos em torno de mim. Suspirei e sorri levemente quando a imaginei me segurando, sussurrando que tudo isso era real e nada iria mudar amanhã. Em pouco tempo, meus olhos se fecharem e escorreguei de volta para um sono inquieto.
Algum tempo depois, acordei de novo, vendo que eu ainda estava sozinha. Rolando o mais rápido possível eu olhei para o relógio, 03:02 da manhã.
O quê?
Tateando no escuro, coloquei a primeira coisa que encontrei e fui para o banheiro.
– Ari? – Nenhuma resposta. Bati suavemente. – Ari? – Um gemido e um chiado suave soaram do outro lado da porta.
– Eu... eu estou aqui. – Sua voz estava mais rouca que o normal e ecoou pelas paredes do banheiro.
– Mas você está bem?
– Não, mas... eu vou ficar bem, basta ir para a cama.
– Há alguma coisa que você quer que eu pegue? – Eu questionei.
– Não... eu só preciso vomitar.
Fiquei um pouco apreensiva com o fato dela estar passando tão m*l e não querer que eu visse. Bati novamente na porta, mas ela me ignorou.
Dei meia volta pensando no que fazer, liguei a luz e procurei o telefone para chamar algum serviço de quarto, mas parei ao perceber que não iriam subir com nada fora do horário de funcionamento. Comecei a ficar mais nervosa quando a porta do banheiro abriu e voei de volta onde estava já puxando uma garrafa de água que estava na mesa que ficava no caminho.
– Como você está? – Minha voz afinava um pouco quando eu ficava preocupada.
– Melhor, bem melhor eu juro. Acho que só preciso dormir agora. – Respondeu enquanto voltou para a cama e enterrou seu rosto no travesseiro.
– Mas, tem certeza? Eu posso descer e comprar algum remédio, não é normal apenas vomitar tudo para fora como você estava fazendo e ir dormir em seguida.
– Ah, maldito sushi, sabia que não deveria comer aquela porcaria durante o jantar, mas não queria ser rude.
Seus olhos estavam fechados e até mesmo na luz fraca que vinha do quarto pude ver que ela parecia horrível.
Arizona tentou se virar para mais longe de mim, mas eu a ignorei, colocando uma mão em seus cabelos e a outra em sua bochecha. Ela parecia pálida como uma folha de papel A4, com a teimosia de criança que fica doente em dia de neve e não quer admitir que está m*l. Seu cabelo estava úmido e apesar de sua reação inicial, ela pegou minha mão.
– Por que você não me acordou? Fiquei preocupada. – Perguntei baixinho, pincelando alguns fios úmidos longe de sua testa.
– Porque a última coisa que eu queria era você lá me vendo vomitar. – Disse com uma cara de nojo, eu rolei os olhos. – Não é nada sexy ver a boca que você beija com a cara no vaso sanitário.
– Você é péssima. – Disse em tom de diversão, mas a empurrando de leve. – Eu poderia ter feito alguma coisa. Você não tem que ser tão chata e acabar fazendo tudo sozinha. – Brinquei novamente aliviada quando ela revirou os olhos para mim.
– Pareço incapaz de te acordar. Você fica tão... linda... – Ela murmurou algo baixinho e capotou, caindo no sono quase que instantaneamente.
Aproveitei a situação e agarrei meu Iphone e seu cartão do quarto. Eu estava prestes a sair pelo corredor quando percebi o que estava usando: a sua camisa de ontem a noite. Só a camisa dela. Eu não poderia ir ao seu quarto e pegar sua mala vestida desse jeito. Vasculhei na minha bagagem até que encontrei um par de shorts de dormir e vesti. Esperava que ninguém saísse dos quartos uma hora dessas.
Olhei para cima e para baixo no corredor grande antes de sair do quarto corri como uma maratonista bêbada até a sua porta.
Deus, por que me sentia como se estivesse cometendo um crime? Rapidamente desbloqueie seu quarto, peguei a pasta, artigos de higiene pessoal e uma nova muda de roupas. Voltei para o meu quarto e mentalmente fiz uma lista de todas as coisas que precisava fazer. Era nisso que eu era boa, ser responsável e fazer planos. Esperemos que esta fosse a distração que eu precisava hoje, para manter minha mente ocupada.
Quando entrei de volta ao meu quarto, coloquei sua mala sobre a mesa, peguei sua roupa e levei para onde ela estava sob a cama. O som de sua respiração profunda me fez suspirar como uma i****a e eu não pude resistir à tentação de passar os dedos pelos seus cabelos e colocar um beijo em sua testa.
Ela se mexeu um pouco e rapidamente me afastei, sem querer acordá-la. Deixando suas roupas no banheiro, peguei o que eu precisava e comecei a trabalhar para remarcar a reunião que ela tanto queria ter com a equipe da Apple naquela manhã para algum momento após a conferência. Organizei os pedidos que uma tal Lauren Bowell das Inc. Wayne lhe enviou com dados de pesquisa e principalmente, liguei para Bárbara a fim de descobrir algumas das coisas favoritas de Ari quando ela estava doente.
Precisei garantir algum pares de vezes que sua filha não tinha nada de grave, apenas um problema estomacal leve, o que a fez pedir que eu prometesse que arrumaria alguma canja de galinha para Arizona. Aparentemente ela só gostava de comer isso quando estava doente. Eu só pude dizer que sim e que caso ela piorasse chamaria a emergência sem pensar duas vezes.
Ouvi-a se movendo na cama mais um par de vezes ao passar entre as diferentes salas, mas ao longo das próximas horas, os passeios tornaram-se menos frequentes. Verifiquei-a, muitas vezes, certificando-me que ela não estava muito quente ou muito fria e que estava bebendo água. Ela parecia não querer admitir que estava fraca, o que me fez repreendê-la. Não havia necessidade de fingimentos entre nós duas.
Acabei pensando nas coisas que Meredith fazia comigo quando eu estava doente e bolei uma lista especial para deixá-la melhor baseada no que eu conhecida dela. E antes de descer para providenciar tudo, parei a sua frente. Lentamente, ela estendeu a mão e hesitante colocou-a na minha cintura. Ficamos em silêncio enquanto seus polegares traçaram pequenos círculos ao longo de meu abdômen e outra mão mudou-se para descansar no meu quadril. Foi tão devagar que ela me puxou para perto dela, seus olhos se concentraram sobre os dedos que esfregava na minha camisa.
– Eu adoro você vestida com as minhas roupas – Ronronou calmamente enquanto tocava as bordas da camisa dela que eu havia sequestrado desde que acordei.
– Obrigada. – Sussurrei. – Eu gosto também. – O quarto estava em silêncio, o único ruído era o som de seus dedos escovando ao longo do tecido macio e da nossa respiração. Ela olhou para mim, finalmente e meu peito doeu em ver como ela parecia cansada. Aproximei-me dela e levemente afastei seu cabelo da testa, eu amava a forma como os fios de seda deslizavam por meus dedos.
Suas palavras pareciam tão sinceras e gentis, que eu apenas parei e as aceitei sem falar nada; Queria aproveitar aquele pequeno momento juntas.
– Está se sentindo melhor?
– Muito. – Respondeu com um suspiro ao se aproximar da curva do meu pescoço, inclinando a cabeça ali.
– Você parece quase exausta. – Comentei enquanto comecei a correr os dedos através do cabelo de sua nuca. Seu corpo pareceu relaxar ainda mais em mim e eu sorri com o conhecimento de que eu estava aprendendo como confortá-la.
– Sim, eu estou bem cansada. Acho que até demais. – Afirmou com um aceno e um suspiro.
Relutante, afastei-me e coloquei as mãos em seu rosto. – Preciso correr para uma loja para comprar algumas coisas para você, nesse tempo quero que você durma mais.
Pude ver que ela estava prestes a protestar e balancei a cabeça em protesto.
– Por favor? Eu já tomei conta de tudo. Tudo que você precisa fazer é descansar. Há alguma coisa que você precisa antes que eu saia?
– Não, eu só vou dormir...ou vomitar. Vou te avisar qualquer coisa.
– Bem, obrigada por compartilhar. – Comentei rindo da sua sinceridade. Finalmente, estávamos de volta a mesma página ali.
– Você promete colocar a minha camisa de volta quando chegar em casa?
Seus dedos brincaram com o fundo danificado de sua camisa, tocando em cada um dos botões que estavam faltando. Meu estômago vibrou em seu uso da palavra "casa". Ainda estávamos em Gotham, no Hotel da conferência, mas ainda que fosse um erro de referência dela... aquilo foi algo a se imaginar.
– Sim, não vou demorar.
Ela sorriu muito e minha palpitação intensificou. Deus, aquele sorriso sempre me deixou fraca. Com as pernas trêmulas, afastei-me dela e fui me trocar, consciente do fato de que ela estava assistindo a cada movimento meu.
Apanhando minha roupa, entrei no banheiro e vesti rapidamente uma calça jeans, uma camiseta do flash e um casaco combinando. Eu puxei meu cabelo para cima e optei por meus óculos ao invés de minhas lentes. Quando voltei para o quarto, coloquei a camisa no pé da cama e a assisti enquanto calçava meu tênis. Ela parecia ter caído de sono novamente, o que me fez travar uma luta interna para não andar mais um pouco e beijá-la me despedindo.
Talvez sair um pouco seria uma boa ideia.
Coloquei o seu celular perto da cama, no modo vibrar, e com uma última olhada, sai calmamente do quarto. Não demorou muito tempo para encontrar uma loja e pegar o que eu precisava. Dentro de vinte minutos estava no caminho de volta para o hotel. O som do toque do meu celular em minha bolsa me assustou e eu o alcancei, pensando de imediato que Arizona precisava de mim. Olhei para o identificador de chamadas e fiquei um pouco surpresa ao ver o nome de Daniel Robbins. Era uma boa surpresa, no entanto.
– Um enorme boa noite para você querida Callie. – Sua voz exuberante soou através do telefone.
– O mesmo, Daniel. Como você está? – Respondi tentando parecer o menos estou-dormindo-com-a-sua-filha-toda-noite possível. Eu sabia que não tinha como passar uma mensagem dessa pelo tom de voz, mas... era sempre bom prevenir, certo?
– Eu vou bem, mas ouvi que minha filha está se sentindo um pouco m*l hoje?
Não pude deixar de sorrir com o amor paternal presente no tom de sua voz. A atenção que Daniel e Bárbara tinham com os filhos era daquele tipo invejável. Não que eu pudesse reclamar de não ter recebido algo parecido de minha mãe e Meredith, mas... era diferente e verdadeiro a harmonia que existia entre eles, que poderiam facilmente ser os clássicos pais ricos sem amor pelo próprio sangue.
Daniel era tão bom sendo uma figura paterna que conseguia sê-lo até para mim que só tive os namorados esporádicos de minha mãe e tio John como presença masculina. Não havia conhecido meu pai.
– Sim ela passou um pouco m*l, mas não se preocupe, estou cuidando dela. Ari está dormindo agora, e estou fora para comprar as coisas que Bárbara sugeriu e as que eu sabia que ela gostaria. – As palavras saíram da minha boca antes mesmo que eu registrasse o que exatamente eu havia dito. Cristo, eu me sentia como o namorado escondido que desvirtua a filha boa e agora se cagava de medo do sogro descobrir.
– Interessante, parece que está sendo uma boa viagem, já que você está até a chamando de Ari.
Merda. Fiquei em silêncio por um momento, repreendendo-me por ser uma péssima mentirosa.
– Sim, na verdade, eu chamei...
– Estou muito feliz em saber disso, Callie! Eu sabia que a conferência iria obrigar vocês a passarem algum tempo juntas e isso seria uma coisa boa. Não disse a você? Se vocês parassem de lutar apenas por cinco minutos, veriam como vocês realmente são parecidas.
Deus. Aquilo poderia ficar pior?
– Você é bom em prever as coisas Daniel, nós realmente tivemos bons momentos esses dias. – Respondi, rezando que a minha voz não me traísse.
– Ótimo. Bem, vamos esperar que continue assim. Cuide-se e diga a ela que vou falar com ela em breve.
– Pode deixar, vou dar o recado. – Disse tentando ser mais calma do que eu já poderia ter sido.
Merda. Mais uma mentira para a minha lista.
Voltei ao hotel e fazendo o meu melhor para colocar uma expressão de alegria no rosto entrei na sala, ouvindo com prazer a TV no quarto.
–Oi. – Disse, incapaz de esconder meu sorriso quando a vi sentada na cama.
– Hey. – Respondeu de volta. Não pude resistir e me curvei para colocar um pequeno beijo em seus cabelos antes de ajustar para baixo a sacola e tirar meu casaco. Ela estava muito cheirosa e o perfume de seu sabonete e seu xampu encheu o quarto.
– Você parece muito melhor.
Ela tinha obviamente tomado banho e vestiu o pijama que eu havia trazido.
– Eu me sinto bem melhor. – Disse levantando os braços, não pude segurar mais e ri quando ela levantou a camisa. – Se lembra que ia voltar a vestir?
– E como eu poderia esquecer? Aqui, coma alguma coisa enquanto mudo de roupa. – Respondi enquanto esvaziei a sacola na frente dela. Olhei para cima e a encontrei olhando para mim. – O quê? Esqueci alguma coisa?
– Como você sabia que eu queria canja de galinha? E todo o resto. – Perguntou, olhando para os itens na frente dela com uma expressão confusa.
– Em parte eu sei por ser sua assistente por uma eternidade e a outra por ter falado com sua mãe. Francamente, ela ficou surpresa ao ouvir que a mulher-maravilha estava doente. Ainda assim, mencionou que você não liga pra ela por uma semana inteira.
Ela deu uma pequena gargalhada como se fosse apenas exagero de sua mãe. Eu apenas mantive o olhar. O quão estranho era eu ter falado com seus pais aquela madrugada quando literalmente horas atrás tivemos toda a conversa sobre família na piscina?
Interrompi meus pensamentos confusos e tirei a camisa de sua mão e fui para o banheiro trocar.
Voltando à sala, vi que ela tinha aberto o suco e comia um biscoito de aveia. Eu não tinha certeza de onde ir, quando ela bateu na cama ao lado dela. Eu subi nela, sentando com a minha cabeça contra a cabeceira, e peguei um biscoito no pacote que ela me ofereceu.
– Então, eu organizei a maioria dos seus compromissos, por isso descanse em paz você não está perdendo nenhum dinheiro. Todas as reuniões pendentes serão feitas depois da conferência. – Ela balançou a cabeça em aprovação, mas de boca cheia. – O que estamos vendo?
– O d***o veste prada. – Respondeu sem me olhar diretamente.
– Por incrível que pareça é um dos meus filmes favoritos. – Falei enquanto eu me aconcheguei de volta no travesseiro.
– Eu sei. Você estava citando ele no primeiro dia que te conheci.
– Não tenho culpa se faço perfeitamente o sotaque britânico da Emily. – Esclareci, e depois parei. – Espere, você se lembra disso? – Me virei para ela, surpresa que ela tivesse qualquer lembrança do nosso horrível primeiro encontro.
– Claro que me lembro disso.
Sua cabeça foi para baixo e o pesar em sua voz era claro.
– Mas...– Parei incapaz até mesmo de formar as palavras que queria dizer.
– Eu sei. – Ela disse enquanto olhava para mim, a dor e o remorso evidentes em sua feição. – Eu fui tão i****a com você.
Se aproximando mais, ela pegou minha mão, entrelaçando os dedos com os meus. Deu uma olhada para baixo em nossas mãos unidas, o polegar se movendo em pequenos círculos em toda a minha pele.
– Não foi só culpa sua, também te respondi sempre na mesma moeda o que não parece nem de longe o comportamento saudável para duas pessoas adultas que trabalham juntas.
Ela olhou para mim, em seguida, a intensidade de seus olhos enviou um tremor por mim. Em algum momento aquela posição acabou se tornando confortável demais e eu apenas me aconcheguei em seu ombro para ver o momento da transição de guarda roupas de Andrea. Eu sabia que havia muito mais que nós duas precisávamos dizer, mas eu não podia deixar de ficar um pouco orgulhosa com o que, em minha opinião, foi um reconhecimento enorme desde nosso momento na piscina.
Caímos em um silêncio confortável, continuamos a assistir ao filme. Nós rimos nas mesmas partes e lentamente mudamos nossos corpos até que os braços estavam pressionados uns contra os outros. Em algum momento, minha cabeça caiu sobre o vão entre teu peito e seus s***s e fechei os olhos, depois de alguns minutos ela pôs a dela contra a minha.
Meu estômago roncou e percebi que ainda tinha que comer hoje.
– Você está pronta para comer algo mais do que biscoitos? – Perguntei enquanto relutantemente me afastava dela, pegando o cardápio do serviço de quarto na cômoda.
– Eu provavelmente devia comer algo leve. – Respondeu. – Mais algumas horas e devo ficar bem.
Olhamos no cardápio do serviço de quarto, aproveitando que eles já estavam disponíveis e fiz o pedido, um sanduíche de frango para mim e um suco para ela que comeria sua canja de galinha.
Nós começamos a assistir um outro filme enquanto esperávamos, chegando a uma decisão fácil de escolher Chicago. Fiquei surpresa ao notar, quando soou uma batida na porta sinalizando que o nosso café da manhã tinha chegado, que estávamos uma vez mais atraídas de volta uma para a outra, meus pés descalços torcidos agora com os seus embaixo do cobertor.
Comemos em um silêncio agradável e continuamos a assistir ao filme. Bem na metade fiquei surpresa ao ouvir a voz de Ari.
– Qual é o seu filme preferido, Callie?
Virei-me para ela, surpresa com a pergunta.
– Bem... – Comecei. – Tenho tendência a gostar de filmes engraçados, mas os meus favoritos são musicais como Chicago e os com um final impressionante sabe? Eu definitivamente sou muito indecisa para escolher apenas um favorito.
– Complexo, eu gosto disso em você.
– E você consegue escolher apenas um para estar me julgando, Mrs. Robbins?
– Sim, o meu é Feitiço do Tempo. Eu adoro tudo que tenha Bill Murry.
Coloquei uma de suas bolachas na minha boca, enquanto Arizona me olhou por um momento antes de soltar o mais sexy riso que já ouvi. Sim, isso estava se tornando rapidamente o meu som favorito.
– Assim como eu adoro o seu cheiro.
Ela se inclinou para mim e passou o nariz ao longo do meu pescoço. Deus, ela é uma grande i****a sedutora
– Você não joga limpo! – Suspirei, sentindo-a rir baixinho contra a minha pele.
– Você diz isso como se fosse uma coisa r**m. – Ela tinha se virado completamente para mim agora, as pernas emaranhadas nas minhas, sua mão descansava na minha coxa nua. Minha respiração engatou um pouco quando seus lábios passaram ao longo da minha orelha.
– Ok, ok. – Disse com uma risada, se afastando um pouco e descansando a cabeça no travesseiro. – Cor favorita?
Estávamos agora esperando de rostos voltados uma para a outra, e felizmente notei que sua cor tinha retornado.
– Diga primeiro você. – respondi risonha tentando conduzir as perguntas e conhecê-la melhor, mas a sua cara abusada me revelou antes da sua resposta para onde estava indo aquela conversa.
– Não tenho uma, mas seria a cor da sua calcinha que estará no meu bolso no final da noite.
– Oh Deus, como você é i****a. Essa foi péssima.
Nem mesmo tentei esconder como sua resposta foi ridícula.
– O quê? Essa era minha cor favorita. – Ela podia ver que eu ainda estava esperando. – Ok, vermelho. – Ela finalmente cedeu.
– Que novidade. – Desdenhei em tom de brincadeira. – É a cor de quase todos os seus batons.
– Então você é acostumada a analisar a minha boca, Torres?
Acabei de bochechas coradas e acabei engatando outra pergunta para não querer responder, que, droga, eu adorava olhar aquela maldita boca deliciosa.
– E a sua tatuagem? – Meu dedo escorregou por entre seu peito à beira do pico da sua tatuagem acima do pijama. Eu sorri quando ela tremeu um pouco. – Porque fez ela? Tem alguma história?
– Hm... Não é realmente uma história muito interessante. Eu tinha acabado de me mudar para a Paris depois da formatura para já começar a trabalhar na minha tese de mestrado. E bem... é uma cidade linda, acabei amando tudo sobre estar lá. Já poderia terminar minha tese antes do tempo, morava em uma bela cidade, era tudo que eu esperava. Mas logo, encontrei-me a questionar a minha decisão. Senti falta da minha família e me perguntava se tinha feito a escolha certa de me separar deles dando meia volta ao mundo só para provar que poderia fazer isso sozinha. Então, eu estava andando na rua um dia, me sentindo confusa e realmente pensando em ir para casa e me virei para este pequeno café chamado Le Café du Coeur. Sentei-me e esta música estava tocando no fundo do cantor Edith Piaf, chamada de "Je Ne Regrette Rien". Tive uma reação tão visceral quando escutei a letra, não posso descrevê-la...Só mexeu comigo. Então eu soube que aquilo significava algo, que era assim que eu precisava viver minha vida, fazer valer cada decisão, olhar para trás e saber que tudo aconteceu por uma razão. "Je Ne Regrette Rien", que significa, "eu não me arrependo de nada. "
– Eu acho uma história bastante interessante. – Suspirei. – É muito bonita.
Seus dedos deslizaram suavemente em meu ombro e no meu braço. Ela pegou minha mão na sua, colocando a palma da mão contra a minha. Segui seus olhos para as nossas mãos e vi quando ela lentamente entrelaçou nossos dedos.
– Isso vai soar tão clichê, mas nada é mais bonito que você, Callie. Você é singular.
Ela sussurrou tais palavras e me beijou em seguida a costa da minha mão direita. Como no mundo poderia fazer algo tão casto quanto um beijo na mão parecer tão íntimo? Eu não pude segurar o suave gemido que escapou de mim e ela riu discretamente, colocando outro suave, leve beijo lá.
– Eu adoro que tenha esse efeito em você. – Eu tinha prestado pouca atenção, estando incoerente por esse ponto e simplesmente assenti. – Você já foi para Paris?
– Não. – Respondi, balançando a cabeça.
– Mas você deseja ir até lá um dia?
– Claro, quem não desejaria? Se a oportunidade surgisse, eu adoraria visitar a cidade dos apaixonados. É um velho sonho na verdade...
Ela balançou a cabeça, mas não disse mais nada sobre o assunto. Continuamos a conversar por horas, acabamos tendo uma pausa já na hora do almoço e até mesmo assistimos a outro filme. Em algum ponto, dormi e acordei com o som do alarme saindo no meu telefone. Esticando-me mais, peguei-o e desliguei, percebendo o quão escuro o quarto estava. Olhei para ela dormindo junto de mim e fiquei com um sentimento de dor no peito pelo nosso tempo ter acabado.
Naquela noite haveria um jantar daqueles bem refinados para marcar um dos encerramentos da conferência. Arizona poderia se dar o privilégio de faltar hoje, mas eu não poderia. Havia pontos que eu precisaria tratar em seu nome para garantir que nossos novos clientes não nos deixariam.
– Já vamos nos arrumar para o jantar?
– Você não precisa descer hoje, posso garantir que os novos clientes não serão dissuadidos por uma ausência sua apenas hoje. Posso cuidar deles.
– Eu não duvido que possa, mas... não queria te deixar sozinha com tantos urubus ao redor. – Murmurou passando uma das pernas de maneira suave por cima das minhas coxas. – E eu acho muito mais interessante se jantássemos aqui depois de um banho naquela banheira ali, você não acha?
E novamente não soube como me desenrolar da sua teia fatal da perdição em que fui completamente envolvida por Arizona Robbins. Eu só esperava que meu coração saísse tão intacto daquilo quanto entrou ali para começo de conversa.